quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Jornalista garante que Hitler morou e morreu na Argentina

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O livro “El Exilio de Hitler” (Ediciones Absalón, 493 páginas), do jornalista argentino Abel Basti, de 54 anos, sustenta que o líder nazista e sua mulher, Eva Braun, não se mataram. “Fugiram” para Barcelona, onde passaram alguns dias, e depois foram para a Argentina, onde Hitler "morreu", nos anos 60.

Dezenas de livros mais equilibrados sustentam que a polícia secreta comunista levou os restos mortais (queimados) de Hitler e Eva Braun para a União Soviética. Basti afirma, sem apresentar documentação confiável, que a informação não é verdadeira e que os nazistas, como Hitler, o chefe da Gestapo, Heinrich Müller, e Martin Bormann plantaram pistas falsas. Entrevistado pelo jornal “ABC”, da Espanha, sustenta que “existem três documentos” que comprovam que o nazista não se matou: “Do serviço secreto alemão, que dá conta de que chegou a Barcelona, procedente de um voo da Áustria; do FBI, que indica que ‘o exército dos Estados Unidos está gastando a maior parte de seus esforços para localizar Hitler na Espanha’; e um terceiro do serviço secreto inglês, que fala de um comboio de submarinos com líderes nazistas e ouro saindo rumo a Argentina, fazendo uma escala nas Ilhas Canárias”. O livro, publicado em maio deste ano (sem edição brasileira), provoca sensação na Espanha, pelas revelações “surpreendentes” e, no geral, contestadas por historiadores profissionais. Mas as informações de Basti não deixam de ser curiosas, principalmente por ser correta mas óbvia a informação de que vários nazistas escaparam para a Argentina de Juan Domingo Perón.

Um jesuíta nonagenário é apresentado por Basti como uma de suas mais importantes fontes. Ele dispõe de muitas informações sobre a presença de Hitler na Espanha, segundo o jornalista. No livro, porém, não revela nada de sensacional.

Um documento secreto alemão aponta Hitler como passageiro de um avião que se dirigia da Áustria para a Espanha, em 26 de abril ou nas primeiras horas de 27 de abril de 1945. “Foi uma comunicação oficial secreta com cópias para o piloto Werner Baumbach, que imigrou para a Argentina e levou consigo uma cópia. Baumbach, junto a outros conhecidos pilotos nazistas, trabalhou no projeto aeronáutico de Perón.”

Para não ser reconhecido, Hitler cortou o cabelo, ficou quase careca e raspou o bigode. Teria ficado irreconhecível. “O corte do bigode deixou à mostra uma cicatriz, sobre o lábio superior, que não era conhecida por gente comum.” Sintomaticamente, no livro, Basti não enfatiza tais informações, que repassou ao “ABC”.

A versão oficial garante que Hitler e Eva Braun se mataram em 30 de abril de 1945. Basti contesta: “Nunca houve provas de sua morte. Não há perícias criminalísticas que demonstrem o suicídio. O Estado alemão deu Hitler como morto quase 11 anos depois, em 1956, por presunção de falecimento. Ou seja, legalmente, para a Alemanha, Hitler estava vivo depois de 1945. Não só vivo — não era um homem condenado pela Justiça; não havia ordem de captura, nem processo judicial. Enquanto Hitler se encontrava na Espanha, no bunker se representava uma grande farsa, cujo ator principal foi um dos duplos [sósias] de Hitler. Durante as últimas horas, o duplo foi drogado e preparado para que representasse o ato final”. Há livros que citam a possibilidade de um ou mais duplos de Hitler, como havia de Stálin, mas, no dia do suicídio, nenhum duplo estava na chancelaria. Basti não apresenta documentos e testemunhos confiáveis. Conta histórias próximas da ficção literária. O sósia que “morreu” no lugar de Hitler seria, conta Basti, um sujeito atrapalhado.

Basti assegura que “a fuga de Hitler estava prevista em um grande plano de evasão — de homens, capital e tecnologia — preparado pelos nazistas. Esse plano, em 1945, recebeu luz verde dos norte-americanos, como resultado de um pacto secreto militar. Os milhares de nazistas que puderam fugir para o Ocidente — dos quais cerca de 300 mil foram para os Estados Unidos — foram ‘reciclados’ [recrutados] para lutar contra o comunismo. Hitler se transformou num dinossauro vivo, protegido e refugiado”.

O entrevistador Antonio Astorga menciona documentos secretos britânicos nos quais se revela que Hitler fugiu para a Argentina num submarino, “com escala técnica nas Ilhas Canárias”. A versão de Basti: “Antes que o comboio de submarinos partisse da Espanha, a Armada [Marinha] norte-americana retirou todas as suas unidades navais do Atlântico Sul. Os submarinos nazistas ‘trocaram mensagens’ com a frota norte-americana. As mensagens foram interceptadas pelos ingleses”. No livro, Basti amplia as informações, mas, como de hábito, não apresenta testemunhos fidedignos, exceto especulações. Baseia-se, no geral, em documentos antigos e, quando suas teses se tornam nada convincentes, alega que os governos, principalmente o norte-americano, não desclassificaram os documentos necessários à compreensão do caso.

Embora não hajam evidências em trabalhos substanciosos, como os de Ian Kershaw (“Hitler”), de Richard J. Evans (“A Chegada do Terceiro Reich” não trata do assunto, mas sua sequência, não publicada no Brasil, sim), de Marlis Steinert (“Hitler”), de Max Hastings (“Armagedón — La Derrota de Alemanha”) e Henrik Eberle e Matthias Uhl (organizadores do esplêndido “O Dossiê Hitler — O Führer Segundo as Investigações Secretas de Stálin”), do que Basti apresenta no seu bombástico livro, citemos mais um trecho de sua suposta “pesquisa” (citada na entrevista ao “ABC”), que mais parece ficção: “Hitler, que chegou a Argentina com 56 anos, viveu como um fugitivo. Com identidade falsa e tratando de passar o mais despercebido possível. Nos primeiros anos, viveu numa estância nas proximidades de Bariloche, depois em outras partes do país, já que trocou de residência em mais de uma oportunidade. Sempre acompanhado de seguranças, às vezes três. Sua atividade política se limitou a algumas reuniões com velhos camaradas e com alguns militares argentinos. Hitler morreu na Argentina nos anos sessenta; Eva Braun, mais jovem, sobreviveu” ao marido. No livro, paradoxalmente, Basti fala muito sobre o assunto, dando voltas, mas sem esclarecer como Hitler viveu na Patagônia. Ele trabalha com “sugestões” e indícios, não com fatos e documentos.

A “pesquisa” resulta de maluquice ou de invenção de Basti, ou de apresentação de documentos conspiratórios mal digeridos e interpretados? Parece loucura de jornalista sensacionalista. De qualquer modo, é uma grande história, que, a rigor, não é tão nova assim. Basti tão-somente a requenta, acrescentando, como diz, “documentos secretos”. Pensa-se, muitas vezes, que todos documentos secretos, por serem secretos, contêm “a” verdade. Nem sempre é assim, como sabem historiadores rigorosos. Muitos documentos, mesmo secretos, têm o objetivo de despistar e, algumas vezes, de reforçar mitos e esconder “a” verdade. Podem ser instrumentos de manipulação. Jornalistas têm o hábito, ao receberem documentos secretos, de publicá-los imediatamente, como se fossem um retrato preciso da realidade. Acertam, às vezes, e, outras vezes, erram. Mas, quando erram, tergiversam e publicam outra (a nova) versão. Jornalistas não gostam de ser corrigidos.

O principal equívoco de Basti talvez resida no fato de que o alicerce de sua argumentação é frágil. O jornalista pesquisou documentos da época, sobretudo despachos de agências de notícias, que necessariamente revelam as especulações do momento, sem nenhum apuro investigativo, ignorando toda a pesquisa posterior. Então, entre 1945 e 1950, pelo menos, falou-se muito na fuga de Hitler, mas, em seguida, o assunto praticamente morreu, exceto em fantasias de jornalistas sensacionalistas. O livro “O Dossiê Hitler” (Record, 627 páginas), contém as informações mais aceitáveis sobre o fim de Hitler. Foi elaborado pelos soviéticos, com base nos depoimentos de nazistas que estavam próximos de Hitler até a data de seu suicídio, como Heinz Linge e Otto Günsche. A Operação Mito, criada por Lavrenti Beria, para investigar a morte de Hitler, resultou no mais amplo relato sobre os últimos dias do ditador. Saiu em 2005 na Alemanha e em 2007 no Brasil. É a palavra (quase) final sobre o assunto e põe o livro de Basti no chinelo. Nas 42 páginas finais de “Hitler” (Dom Quixote, 849 páginas), nos capítulos “Extinção” e “Epílogo”, Kershaw não leva a sério as fantasias divulgadas por Basti e, por isso, não as menciona. Afirma, com todas as letras, que Hitler morreu em 1945. Bormann e Müller também morreram.

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

MOVIMENTO SOS ENCONTRO DAS ÁGUAS VAI PARTICIPAR DO GRITO DOS EXCLUÍDOS

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Dia 07 de setembro de 2010 os Excluídos ganham às ruas do Brasil para cobrar direitos e propor debates. Em Manaus a concentração será no terminal dos ônibus T-3 na Cidade Nova às 15h 30minutos.

A 16ª edição do Grito dos Excluídos tem como tema “Onde estão os nossos direitos? Vamos às ruas para construir um projeto”. Sob a bandeira principal e permanente de “Vida em primeiro lugar”, o Grito é uma manifestação popular que há 15 anos vai às ruas no dia da Independência em prol da inclusão social, da ética e da igualdade.


O Movimento Socioambiental SOS Encontro das Águas vai participar do evento chamando atenção da população amazonense para o fato de a Empresa Vale Mineradora querer a qualquer custo, construir um porto na boca do Lago do Aleixo. O Movimento vem a mais de um ano lutando contra a efetivação desse mostro que além de sepultar o Lago, degrada a majestosa paisagem do Encontro das Águas. Os lutadores sociais que formam o Movimento e a população do Lago do Aleixo exigem respeito a ecologia do Lago e o tombamento do Encontro das Águas como Patrimônio Natural da Humanidade.


História


O 7 de Setembro de 1822 entrou para a história nacional como o Dia da Independência do Brasil, mas a idéia do Grito dos Excluídos é chamar atenção e mostrar que não basta uma independência politicamente formal. A intenção é aproveitar o Dia da Pátria para lembrar que a independência passa pela soberania da nação e que é necessário um patriotismo ativo, disposto a debater os problemas do país.


A necessidade das pessoas irem às ruas para fazer críticas e questionarem a realidade. Sobre o ano eleitoral e a participação de políticos no evento a norma é que não haja fala de candidatos e partidos durante a caminhada, porém, todos podem participar e acompanhar. “ o Grito é uma ação política, mas não partidária".


Plebiscito


Este ano, o Grito dos Excluídos também está realizando uma campanha para alertar à população sobre a importância do plebiscito pelo limite da propriedade da terra, que quer pressionar o Congresso Nacional a estabelecer um limite para propriedades rurais e ampliar as possibilidades de reforma agrária.


No local da concentração serão instaladas urnas para os que quiserem participar. A coleta de votos e de assinaturas para abaixo-assinado serão organizadas pela comissão de coordenação do Grito dos Excluídos. Ao final da passeata, as urnas voltarão a ser instaladas nas Praças, igrejas e outros locais.


A Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra é uma ação de conscientização e mobilização da sociedade brasileira para incluir na Constituição Federal um novo inciso que limite às propriedades rurais em 35 módulos fiscais. Áreas acima dos 35 módulos seriam automaticamente incorporadas ao patrimônio público. Módulo fiscal é uma referência medida em hectare que varia de região para região. Estabelecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), o módulo fiscal leva em conta tipo de exploração predominante no município, renda obtida, entre outros fatores.


Dependendo de cada município, espera-se impor limites de 30 a 70 hectares para as propriedades. Se a mudança for efetivada, 3,6 mil propriedades rurais seriam afetadas, segundo dados do Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR).


Após o plebiscito, está previsto o envio de proposta de emenda constitucional junto das assinaturas para o Congresso. Até o dia 12 de setembro, urnas espalhadas em locais públicos como igrejas, escolas, universidades e entidades dos movimentos sindical e social estarão colhendo os votos da população.

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domingo, 5 de setembro de 2010

SAL FOI A CANÇÃO VENCEDORA DO FECANI 2010

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Terminou a zero hora de hoje 06/09/2010 o Festival da Canção de Itacoatiara, a grande vencedora foi a canção Sal interpretada por Zé Beto, a musica ainda ganhou o premio de melhor letra, a melhor interprete ficou com Ivânia Catarina. O festival começou na sexta feira com apresentação da primeira eliminatória, no sábado foi o dia da segunda eliminatória ficando para domingo a grande final, dez musicas chegaram a final e foram premiadas as cinco melhores
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NOTA: MILÍCIA ARMADA DE EX-DEPUTADO FEDERAL ASSASSINA MILITANTE DO MST NO PARÁ

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Ação de Milícia armada do fazendeiro e ex-Deputado Federal Josué Bengstson (PTB) que renunciou ao mandato para fugir da cassação por envolvimento na Máfia das Sanguessugas resultaram na morte do trabalhador rural e militante do MST José Valmeristo Soares conhecido como Caribé.

Por volta de 09:00h da manhã dois trabalhadores rurais João Batista Galdino de Souza e José Valmeristo o Caribé se dirigiam a cidade de Santa Luzia do Pará quando foram abordados por um grupo de três pistoleiro armados no ramal do Pitoró que os obrigaram a entrar em um carro onde foram espancados e torturados. Após seção de torturas foram obrigados a descer no Ramal do Cacual próximo à cidade de Bragança com a promessa de que iriam acertar as contas. João Batista Galdino conseguiu escapar para a mata e ouviu sete disparos.

Chegando à cidade de Santa Luzia João Batista denunciou à polícia que afirmou não poder ir por ser noite e dificilmente achariam o corpo. A Direção do MST denunciou à Secretaria de Segurança Pública do Pará através de Eduardo Ciso que afirmou mandar um grupo de policiais ao local e que conversaria com o Delegado do Interior para tomar providências. Nada foi feito e por volta de 10:00h da manhã de hoje (04/09/2010) os trabalhadores rurais encontraram o corpo de José Valmeristo Soares.

Os trabalhadores Rurais Sem Terra estão acampados às proximidades da Fazenda Cambará e a reivindicam para criar um assentamento de reforma agrária. A Fazenda Cambará faz parte de uma gleba federal chamada Pau de Remo e possui 6.886ha de terras públicas.

O fazendeiro e ex-deputado Federal Josué Bengstson possui somente 1.800ha com títulos e a Promotora de Justiça Ana Maria Magalhães já denunciou varias vezes que se trata de terras públicas.

Os trabalhadores já haviam denunciado na ouvidoria agrária do INCRA, Ouvidoria Agrária Nacional do MDA, Delegacia Regional do MDA, Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Pará e Secretaria de Segurança Pública do Pará as várias ameaças de morte sofridas pelos jagunço e pela própria polícia de Santa Luzia e Capitão Poço sem que nenhuma providência tenha sido tomada.

Denunciamos ao conjunto da sociedade brasileira mais esse vergonhoso ato de omissão e conluio da Polícia do Pará com os fazendeiros do Estado, bem como a incompetência da Secretaria de Segurança Pública do Pará e do Governo do Estado em resolver as graves violações dos direitos humanos no campo que fazem o Estado do Pará atingir o triste posto de campeão nacional de violência no campo. Denunciamos também a inoperância do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, bem como o Programa Terra Legal do Governo Federal que não tem resolvido os problemas fundiários mesmo aqueles que chegam ao conhecimento público.

Exigimos a prisão imediata dos pistoleiros que assassinaram o trabalhador José Valmeristo Soares, bem como dos mandantes Josué Bengstson e seu Filho Marcos Bengstson.

Exigimos também a desapropriação imediata da fazenda Cambará para o assentamento imediato das famílias acampadas no acampamento Quintino Lira.

Belém, 04 de setembro de 2010

Direção Estadual do MST – Pará

Reforma Agrária. Por justiça social e soberania popular!

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O CAPETA APARECEU EM DOURADOS

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Por: José Ribamar Bessa Freire
Link: http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=879

Aqui em Dourados (MS) não se fala de outra coisa. “O Capeta tomou conta da cidade” – confidencia em tom alarmista a vendedora da Sapataria Bianca, onde entrei para comprar uma sandália. Ela é da Igreja Universal e jura que o Capiroto – isso mesmo, ele, Lúcifer – entrou no corpo do prefeito e de mais 29 pessoas, incluindo a primeira dama, o vice-prefeito, o presidente da Câmara, nove vereadores, alguns secretários e outros políticos, todos eles presos quarta-feira pela Polícia Federal, acusados de corrupção e formação de quadrilha. Na medida em que habita aqueles corpos aprisionados, o diabo também entrou em cana.

- “Vade retro, Satanás! Eu, einh! Vou agorinha para uma sessão de desencapetamento” – disse ao me despedir da vendedora. Era, em parte, verdade. De sandália nova, fui encontrar minha amiga, a lingüista Ruth Monserrat, na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), onde se realizava o Simpósio sobre Línguas Indígenas dentro da programação das XIII Jornadas Internacionais sobre as Missões Jesuíticas e onde havia – vocês vão ver – um cheirinho de enxofre no ar.

Esse evento reúne periodicamente, desde 1982, pesquisadores da América, Europa e Ásia, cada vez em um país diferente. Agora aconteceu no Brasil com a realização de seis mesas redondas, dez simpósios temáticos, conferências, recital de poesia, espetáculo teatral, exibição de filmes, exposição de fotos, lançamento de livros, concerto de orquestras de violões de uma aldeia indígena e outras atividades culturais. Enfim, um senhor evento, que só não teve maior repercussão na mídia, porque a quadrilha de Dourados ocupou os espaços dos jornais.

Durante uma semana, historiadores, antropólogos, lingüistas, arqueólogos, cientistas sociais, museólogos, arquitetos, teólogos e especialistas de quinze países discutiram “o papel ambivalente e contraditório da missão”, como destacou a antropóloga Graciela Chamorro, professora da UFGD que organizou o encontro. Os pesquisadores indígenas apresentaram seus trabalhos, em suas respectivas línguas com tradução simultânea.

DNA da Cultura

Quem apareceu com o nome de José Lúcifer no simpósio sobre línguas indígenas foi o Capiroto, isso eu vi, mas o que não sei é se ele deu também o ar de sua graça nos outros que abordaram temas diferentes: poder colonial, trabalho dos índios, práticas missionárias, educação jesuítica, catequese, memória e patrimônio, gestão de museus e sítios arqueológicos, territorialidade, fronteiras e conflitos por terras.

A presença do Tinhoso precisa ser contextualizada. Ele baixou numa sessão na qual a língua foi apresentada como uma espécie de DNA da cultura e da história, na medida em que registra, como um sismógrafo, todas as transformações sociais. “As palavras vivas conservam as marcas de sua transformação” – explicou Bartomeu Meliá, um dos maiores conhecedores da língua Guarani, para quem a história de um povo pode ser encontrada nas palavras mais significativas ou nas grandes mudanças sofridas por elas através dos tempos

Convencidos disso, os pesquisadores começaram a buscar nos arquivos documentos em línguas indígenas, quase sempre de origem missionária: dicionários, gramáticas, orações, catecismos e outros textos pastorais. Só na Língua Geral Amazônica já foram localizados rios de palavras em oito dicionários do século XVIII que podem ajudar a entender a história da região – diz Cândida Barros, do Museu Goeldi do Pará, uma das organizadoras do simpósio.

Os resultados desses trabalhos apresentados na XIII Jornadas Internacionais permitem compreender melhor a vida cotidiana, a economia, a religião, a política, o sistema de parentesco, o poder e a autoridade, a alimentação, as concepções de doenças e as práticas de cura, as vestimentas, as pinturas e os adornos corporais dos povos que falavam – alguns continuam falando - essas línguas.

Um exemplo interessante foi apresentado por lingüistas da Universidade de Kiel, na Alemanha, que criaram o Projeto Kuatia Ymaguare (Peky) para estudar o guarani. “A busca sistemática de documentos tratando da vida diária nas reduções jesuíticas, mas também dos índios que estavam fora do controle missionário, nos proporcionou uma colheita inesperadamente rica de textos” – informou o lingüista Harald Thun.

A Universidade de Kiel vai editar esses manuscritos, que contém cartas escritas por índios, manuais de medicina e tratados sobre a organização das missões e sua relação com o mundo externo, tudo em língua guarani. Um deles, estudado pela lingüista Angélica Otazu é o Manuscrito Villodas, um dos poucos em que os jesuítas reconhecem o valor da cultura indígena, revelando que aprenderam com os guaranis algumas práticas médicas e, sobretudo, as formas de diagnosticar doenças, o tipo e a duração do tratamento, bem como uma classificação das plantas medicinais. A obra contém 205 receitas e vai ser editada num livro bilíngüe.

Pedro Moreno

Outro documento é o Manuscrito Gülich, uma enciclopédia da vida diária nas Reduções, que descreve a construção de casas e igrejas, a agricultura e a criação de gado, a produção de conservas e até a cozinha, assim como os conflitos internos causados pelo sistema jurídico especial, pelo paternalismo dos religiosos e pelos castigos corporais infligidos aos índios.

Harald Thun contrapôs os dados desse documento às informações proporcionadas por dois jesuítas do século XVIII, um deles o padre Antônio Sepp que justifica assim a ‘paudagogia’ dos missionários:

- “É preciso instigar os índios com palavras e até com o chicote; um índio chicoteia o outro por ordem do missionário, como faz o professor com o aluno, de tal sorte que a pessoa castigada jamais se queixa nem dá o menor sinal de impaciência; ao contrário, depois de receberem os açoites, procuram o padre, beijam a sua mão e dizem: ‘Senhor Padre, aguyó beté yebis, que quer dizer: agradeço mil vezes as chicotadas que me corrigiram e me fizeram aprender a ter juízo”.

O segundo depoimento do padre Parras faria delirar a procuradora Vera Gomes, que em maio desse ano espancou uma criança por ela adotada, num episódio de repercussão nacional: “(Os índios) internalizaram tão profundamente a idéia de que o castigo é um sinal de amor, que de vez em quando um índio vem se queixar ao padre porque não era castigado, o que era sinal de que não era amado e, então, o padre mandava dar-lhe 25 chicotadas, aplicadas sempre publicamente, no meio da praça”.

Os textos trabalhados por Harald Thun relativizam esse “amor pelo chicote”, embora permaneçam ainda hoje vestígios de seu uso em algumas comunidades indígenas. Entre os Chiquitanos, um povo que habita as terras baixas da Bolivia, o chicote – essa invenção diabólica – tem até nome de gente. Ele é conhecido como Professor Pedro Moreno, que “saca lo malo y pone lo bueno”.

Mas a presença do Capiroto se revelou mesmo foi na documentação apresentada por uma lingüista austríaca, Sieglinde Falkinger, pesquisadora da língua chiquitana, que se tornou a língua de catequese de dez povos que viviam nas reduções jesuíticas. Foi nessa língua que no século XVIII foram escritos os sermões, que ainda hoje são apresentados pelos índios nas portas das igrejas durante as 50 festas religiosas que se celebram ao longo do ano.

O projeto de Recopilação e Documentação dos Sermões Chiquitanos iniciado em dezembro de 2008 está encontrando nas comunidades indígenas uma grande quantidade de textos escritos pelos próprios índios, que estão sendo agora organizados, tratados e transcritos. É num deles que aparece o diabo com o nome de José Lúcifer, fazendo suas estripulias. Um dia eu ainda conto as histórias que Sieglinde Falkinger e a chiquitana Silvia nos contaram.
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CANDIDATOS AO SENADO TROCAM ACUSAÇÕES NO GUIA ELEITORAL

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Heloísa Helena é o principal alvo dos adversários no guia eleitoral
A vereadora e candidata ao Senado pelo PSOL, Heloísa Helena foi o alvo de dois concorrentes ao Senado Federal. Os candidatos Afonso Lacerda (PRTB) e Benedito de Lira (PP) destinaram suas aparições no guia eleitoral para fazer provocações e acusações à candidata que aparece – segundo pesquisa de intenção de voto do Ibope – com 44% de votos do eleitorado alagoano.

Apenas o candidato Renan Calheiros (PMDB), que tenta a reeleição, saiu praticamente ileso das acusações dos seus adversários. De acordo com o Ibope, Calheiros aparece com 42% das intenções de votos. O senador peemedebista só foi citado pelo candidato do PCB, Diógenes Paes, como o senador envolvido no ‘escândalo dos bois’.

O mal-estar entre Alfonso Lacerda – que não pontuou na pesquisa do Ibope – e Heloísa Helena teve início com o pedido de impugnação da candidatura de Heloísa impetrado pelo candidato do PRTB. O pedido foi negado pela Justiça Eleitoral em Alagoas.

Já o deputado federal Benedito de Lira (PP), candidato ao Senado pela coligação do governador Teotonio Vilela Filho, questiona no guia eleitoral os recursos enviados a Alagoas por Heloísa Helena, quando cumpriu o primeiro mandato no Senado, além de questionar suas declarações e posturas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O presidente Lula, cuja imagem vem sendo utilizada no guia eleitoral por aliados políticos e adversários históricos, em Alagoas também é usado para ‘jogar’ o eleitorado contra Heloísa Helena, que em campanhas anteriores o acusou de ‘corrupção, arrogância e covardia política’.

Já Heloísa, que adotou uma campanha franciscana - segundo ela mesma – decidiu responder às acusações dos adversários no seu já conhecido tom. Na última inserção do guia eleitoral, a candidata mais cotada para o Senado conclamou os eleitores a votar em qualquer pessoa, ‘só não pode escolher político ladrão, que dança a vadiagem política, rouba ambulância, espanca mulher, estupra criança. Em político bandido, vote não'.

Link: http://www.alagoas24horas.com.br/eleicao2010/?vCod=91499
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PLÍNIO DE ARRUDA INFORMA A DIREÇÃO DO PSOL/AM QUE NÃO VEM AO AMAZONAS

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Por E-mail assinado pela assessora de imprensa Luciana, o candidato Plínio de Arruda Sampaio informou ao Presidente do PSOL/Am. que não será possível vir ao Amazonas, segundo Luciana, o motivo da não vinda de candidato é em razão da falta de espaço em sua agenda, ou seja, o Amazonas não entrou na programação do Plínio. A informação foi dada ontem sábado pelo Presidente Estadual do PSOL/AM Gerson Medeiros. A reunião que foi convocada para preparar o sprinter final da campanha, aconteceu com um numero muito reduzido de militantes, os candidatos a Governador e Vice, a Câmara Federal e Assembléia Legislativa, não compareceram a reunião que foi convocada em nome da Executiva Estadual, somente o candidato ao Senado compareceu, as avaliações da campanha foram positivas mesmo com as limitações financeiras.
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

CASTELO: O VELHO COMUNISTA VIROU!...

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Como já havíamos previsto, a baixaria começou nessa campanha, existe fortes indícios que os boletins apócrifos distribuídos contra o Senador Artur Neto, tem o DNA da candidata Vanessa, o código do gens é pcdob/656. Já o candidato ao Senado do PCB que atende pelo nome de Castelo, parece que saiu de um laranjal, o incrível é que os espinhos que ele destila são na direção apenas do Senador Artur. Essa posição de Castelo surpreendeu até mesmo o mais fanático Lulista. A surpresa foi tanta que um militante do PT feroz adversário de Artur afirmou: “de qual laranjal saiu esse Castelo? Ai não tem o dedo do Lula não!”. O pior é que o candidato ao Senado do PCB, está enxovalhando a bela campanha do Navarro! Que é isso camarada?
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GRITO DE UM EXCLUÍDO

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Dia 07 de setembro
Local: Terminal 3 – Cidade Nova Manaus
Concentração 15h30min horas.
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Grito de um excluído

Há mais de 500 anos
que essa terra foi tomada
de sua legitima gente
por quem já era habitada
dizendo tê-la descoberto
Cabral aqui se apossou
e um povo que cá vivia
ele quase exterminou,
então começou o processo
e daí em diante se seguiue
esse tal de progresso
quase que ao índio extinguiu
hoje, depois de 500 anos
tenho um embrólio na mão
uma dívida me foi repassada
sem que tenha visto um tostão,
gastaram por minha conta
antes mesmo de eu nascer
agora, os que estão lá na ponta
não me deixam nem comer,
tudo o que o país produz
vai para os juros pagar
não se investe no social
pois o orçamento não dá
sai governo e entra governo
pode ser PFL, PSDB ou PT
é tanto “P” que lhe digo
que eu já estou é muito “P”.
Eu exijo que o meu grito
Por alguém seja ouvido
Ele não é um grito de guerra
É o grito de um excluído.

Salvador do Caculé
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FÓRUM AMAZÔNIA SUSTENTÁVEL APRESENTOU PAINEIS NA II CONFERÊNCIA LATINO AMERICANA DO RSPO

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Beto Veríssimo (Imazon) e Rubens Gomes (GTA) representaram o Fórum em dois painéis que discutiram o desenvolvimento social e ambiental na Amazônia

O Fórum Amazônia Sustentável foi um dos apoiadores da II Conferência Latino Americana do RSPO, que aconteceu na Estação das Docas, em Belém (PA), entre os dias 24 e 27 de agosto. Promovida pela RSPO (Roundtable on Sustenable Palm Oil), entidade que congrega a cadeia produtiva do óleo de palma, o evento realizou uma grande mesa redonda com cerca de 400 pessoas de diversos países acerca de práticas sustentáveis para a palma.

As palestras e debates aconteceram nos dias 25 e 26 de agosto e registraram a participação de diversos especialistas. O Fórum foi representado por Beto Veríssimo (Imazon) e Rubens Gomes (GTA).

No dia 25, Veríssimo participou do painel “Amazônia: desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável”, juntamente com Manoel Bertone (Ministério de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento), Berta Becker (Geógrafa) e Tim Killer (Conservação Internacional).

Em sua abordagem, conduzida sob o título “Desafios para a Sustentabilidade Pan-Amazônica”, ele estabeleceu um panorama da atual situação ambiental Amazônia continental e mostrou números do desmatamento no Brasil. Também enfatizou a importância de parcerias entre empresas, governos e ONGs e ressaltou a necessidade de monitorar áreas de plantio de dendê e fronteiras da pecuária. De acordo com lei brasileira o plantio do dendê só é permitido em áreas antropizadas, inclusive em áreas já utilizadas pela pecuária. Isso preocupa o pesquisador, pois essas condições podem indiretamente contribuir para o avanço das fronteiras da pecuária.

No dia 26, Rubens Gomes participou do painel “Desafios e oportunidades sociais” ao lado de Marco Antônio Viana (Ministério do Desenvolvimento Agrário), Maria Gonzáles (Instituto Peabiru) e Benedita Nascimento (Representante dos agricultores). Rubens apresentou a iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável como oportunidade para fortalecer o diálogo intersetorial na região e incentivar a formulação de políticas públicas. Para ele, nenhum empreendimento na Amazônia terá sucesso ao lado de uma sociedade fracassada. Vem daí a necessidade de promover diálogo entre os diferentes setores em busca do equilíbrio no uso da natureza. O ambientalista defendeu ainda que o plantio do dendê, respeitando a lei e o zoneamento ecológico-econômico, pode ser fundamental para diminuir as emissões de carbono e desenvolver a agricultura familiar.

O evento foi encerrado por Marcello Brito, vice-presidente da RSPO, e único representante brasileiro a integrar o corpo diretivo da entidade. Ele avaliou as discussões de forma positiva, ressaltando o potencial do Brasil para desenvolver a cultura da palma com base em diretrizes sustentáveis.

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RSPO – Roundtable on Sustainable Palm Oil (http://www.rspo.org/)Fundada em 2004, a RSPO objetiva promover o crescimento sustentável da produção do óleo de palma através de uma regulamentação mundial. A organização não tem fins lucrativos e congrega toda a cadeia produtiva do óleo de palma e interessados. Sua sede fica em Zurique, na Suíça, e a secretaria é baseada em Kuala Lumpur, na Malásia. A RSPO reúne 336 sócios ordinários de 37 países, e já certificou 315.628 hectares, que respondem a uma produção anual de 1,58 milhões de toneladas de óleo de palma e 324 mil toneladas de óleo de palmiste.

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Fórum Amazônia Sustentável (forumamazoniasustentavel.org.br)O Fórum Amazônia Sustentável foi fundado em Belém (PA) em novembro de 2007 e atualmente conta com 214 associados. Por ser um movimento democrático e intersetorial, propõe a discussão e elaboração de uma agenda para a promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia. Para isso, cria espaços de debate para envolver pessoas de diversos segmentos, entre eles, indígenas, quilombolas, seringueiros, sindicalistas, trabalhadores rurais, empresários, pesquisadores e governantes. O Fórum prioriza a formação de uma cultura em favor da sustentabilidade, a construção de compromissos de boas práticas produtivas e o apoio ao desenvolvimento sustentável.

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PSOL AMAZONAS PREPARA O SPRINTER FINAL PARA RETA DE CHEGADA DAS ELEIÇÕES 2010!

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O PSOL Amazonas promove no próximo sábado 04/09/2010, as 10h00min, em sua Sede na Luiz Antony, uma grande reunião com toda militância da Capital e Interior. O objetivo principal da Reunião é: passar informes importantes para o conjunto de militantes, fazer uma analise da conjuntura e balanço da campanha em todo o Estado, além de definir o papel dos Diretórios Municipais e o Estadual nesta Conjuntura. A Direção do PSOL está confiante que a partir da próxima semana a campanha de seus candidatos tomará uma dinâmica mais arrojada e eficaz, capaz de garantir a vitória de seus candidatos ao parlamento e colocar seu candidato majoritário no segundo turno!.. Abaixo o Convite assinado pela Comissão Executiva

PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE – PSOL/AM
Rua Luiz Antony, 1053 A, CEP: 69010-100 Centro.
Email:
psol-am@hotmail.com
Tel.: 3234-9020/9197-0488

Convite


A Comissão Executiva Estadual do Partido Socialismo e Liberdade, convida a todos os Diretorianos Estadual e Municipal para participar da reunião que realizar-se ano dia 04 de Setembro de 2010, ás 10:00 hora na sede do Partido- com a seguinte pauta:

1. Informes
2. Analise de Conjuntura
3. Balanço da Canpanha Eleitoral 2010.
4. Papel dos Diretórios Municipal e estadual nesta Conjuntura


A Comissão Executiva

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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

ANTONIO GRAMSCI

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Antonio Gramsci (Ales, 22 de janeiro de 1891 — Roma, 27 de abril de 1937) foi um político, filósofo e cientista político, comunista e antifascista italiano.Nascido no norte da ilha mediterrânea da Sardenha, numa aldeia denominada Vila Cisper. Era o quarto dos sete filhos de Francesco Gramsci, que sofria por dificuldades financeiras e problemas com a polícia. Sua família passou por diversos municípios da Sardenha até finalmente instalar-se em Ghilarza.

Tendo sido um estudante brilhante, Gramsci venceu um prêmio que lhe permitiu estudar literatura na Universidade de Turim. A cidade de Turim, à época, passava por um rápido processo de industrialização, com as fábricas da Fiat e Lancia recrutando trabalhadores de várias regiões mais pobres. Os sindicatos se fortaleceram e começaram a surgir conflitos sociais-trabalhistas. Gramsci frequentou círculos socialistas e associou-se com emigrantes sardos.

Sua situação financeira, no entanto, não era boa. Suas dificuldades certamente moldaram sua visão do mundo e tiveram peso na sua decisão de filiar-se ao Partido Socialista Italiano.

Gramsci, em Turim, tornou-se um notável jornalista. Seus escritos eram basicamente publicados em jornais progressistas como Avanti (órgão oficial do Partido Socialista). Sua prosa brilhante e suas argutas observações lhe proporcionaram fama.

Sendo um escritor articulado de teoria política, Gramsci produziu muito como editor de diversos jornais socialistas na Itália. Entre estes, ele fundou juntamente com Palmiro Togliatti em 1919 L'Ordine Nuovo, e contribuiu para La Città Futura.

O grupo que se reuniu em torno de L'Ordine Nuovo aliou-se com Amadeo Bordiga e a ampla facção Comunista Abstencionista dentro do Partido Socialista. Isto levou à organização do Partido Comunista Italiano (PCI) em 21 de janeiro de 1921. Gramsci viria a ser um dos líderes do partido desde sua fundação, porém sobordinado a Bordiga até que este perdeu a liderança em 1924. As teses de Gramsci foram adotadas pelo PCI no congresso que o partido realizou em 1926.

Em 1922 Gramsci foi à Rússia representando o partido, e lá conheceu sua esposa, Giulia Schucht, uma jovem violinista com a qual teve dois filhos.

Esta missão na Rússia coincidiu com o advento do fascismo na Itália, e Gramsci - que a princípio havia considerado o fascismo apenas como uma forma a mais de reação burguesa - retornou com instruções da Internacional no sentido de incentivar a união dos partidos de esquerda contra o fascismo. Uma frente deste tipo teria idealmente o PCI como centro, o que permitiria aos comunistas influenciarem - e eventualmente conseguirem a hegemonia - das forças de esquerda, até então centradas em torno do Partido Socialista Italiano, que tinha uma certa tradição na Itália, enquanto o Partido Comunista parecia relativamente jovem e radical. Esta proposta encontrou resistências quanto a sua implementação, inclusive dos comunistas, que acreditavam que a Frente Única colocaria o jovem PCI numa posição subordinada ao PSI, do qual havia-se desligado. Outros, inversamente, acreditavam que uma coalizão capitaneada pelos comunistas acabasse ficando distante dos termos predominantes do debate político, o que levaria ao risco do isolamento da Esquerda.

Em 1924, Gramsci foi eleito deputado pelo Veneto. Ele começou a organizar o lançamento do jornal oficial do partido, denominado L'Unità, vivendo em Roma enquanto sua família permanecia em Moscou.

Em 1926, as manobras de Stalin dentro do Partido Bolchevique levaram Gramsci a escrever uma carta ao Komintern, na qual ele deplorava os erros políticos da oposição de Esquerda (dirigida por Trótski e Zinoviev) no Partido Comunista Russo, porém apelava ao grupo dirigente de Stalin para que não expulsasse os opositores do Partido. Togliatti, que estava em Moscou como representante do PCI, recebeu a carta e a abriu, leu e decidiu não entregá-la ao destinatário. Este fato deu início a um complicado conflito entre Gramsci e Togliatti que nunca chegou a ser completamente resolvido. Togliatti, posteriormente, faria muito para divulgar a obra de Gramsci após sua morte, mas evitou cuidadosamente qualquer menção às suas simpatias por Trotsky.

Em 8 de novembro de 1926, a polícia fascista prendeu Gramsci (apesar de sua imunidade parlamentar e o levou a prisão romana Regina Coeli. Foi condenado a 5 anos de confinamento (na remota ilha de Ustica); no ano seguinte ele foi condenado a vinte anos de prisão (em Turi, próximo de Bari, na Apúlia). Sua saúde, que nunca tinha sido excepcional, neste momento começava a declinar sensivelmente. Em 1932, um projeto para a troca de prisioneiros políticos ente Itália e União Soviética, que poderia dar a liberdade à Gramsci, falhou. Em 1934 sua saúde estava seriamente abalada e ele recebeu a liberdade condicional, após ter passado por alguns hospitais em Civitavecchia, Formia e Roma. Gramsci faleceu aos 46 anos, pouco tempo depois de ter sido libertado.
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DEZ RESPOSTAS PARA UMA PERGUNTA: POR QUE AS PROPRIEDADES RURAIS DE TERRA NO BRASIL PRECISAM TER UM LIMITE MÁXIMO DE TAMANHO?

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Por: Assessoria de Comunicação FNRA

Sociedade brasileira tem a chance de acabar com o latifúndio no Brasil durante o Plebiscito Popular pelo Limite da Terra, que ocorre em todo Brasil de 1 a 7 de setembro.

1- Porque a concentração de terra é a grande responsável pela miséria e fome em nosso país.

2 - Porque no Brasil se uma pessoa quiser comprar todas as terras privadas de Norte a Sul, de Leste ao Oeste, pode! Pois não existe uma lei que limite o tamanho da propriedade de terra no nosso país.

3 - Porque o latifúndio e o agronegócio, no ultimo século, expulsaram mais de 50 milhões de pessoas do campo, provocando o surgimento de milhares de favelas em todo o País, onde vivem mais de 80 milhões de brasileiros e brasileiras em condições desumanas. Se não houver uma Reforma Agrária decente este número vai aumentar ainda mais.

4 - Porque muitas famílias sem terra poderiam ter acesso à terra e com isso aumentaria a produção de alimentos, pois a agricultura familiar e camponesa é a responsável pela produção dos alimentos da mesa dos brasileiros.

5 - Porque são as pequenas propriedades que produzem alimentos orgânicos, livre dos agrotóxicos e é um direito das populações do campo e da cidade ter uma alimentação saudável
6 - Porque a agricultura familiar e camponesa cria muito mais empregos. Emprega 15 pessoas a cada 100 hectares, enquanto que o agronegócio emprega apenas duas.

7 - Porque o latifúndio e o agronegócio são os grandes responsáveis pela violência no campo e pela exploração do trabalho escravo.

8 - Porque banqueiros, grandes empresários e corporações internacionais são donos de grande parte dos latifúndios. Muitos nunca plantaram um pé de cebola.

9 - Porque 1% dos estabelecimentos rurais, com área de mais 1 mil hectares e ocupa 44% de todas as terras, enquanto praticamente 50% dos estabelecimentos com menos de 10 hectares, ocupam somente, 2,36% da área.

10 - Porque no século passado pelo menos 20 países estabeleceram um limite para propriedade rural, entre eles países desenvolvidos como Itália, Japão, Coréia do Sul. Agora é a nossa vez!

Se você concorda que é preciso acabar com a concentração de terras e riqueza em nosso país. Se você está cansado de tanta desigualdade e acredita que com uma Reforma Agrária justa podemos desenvolver o Brasil não só economicamente, mas também no âmbito social, gerando renda, empregos e distribuição de renda, você pode ajudar a mudar o Brasil!

De 1 a 7 de setembro participe do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra. Diga sim! Coloque limites em quem não tem!

Exerça sua cidadania e mostre que, juntos, podemos conquistar o que é de direito de todos os brasileiros e brasileiras.
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