segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Zona Franca de Manaus 44 anos depois

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Por: Elson de Melo


O modelo Zona Franca é uma formula que o capital usa para aferir lucros sem a preocupação de oferecer contrapartida aos povos que ele explora. Inspirado na Zona de Livre Comércio da cidade de Iquitos no Peru, o Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, instituiu a Zona Franca de Manaus através do Decreto nº 288 assinado em 28 de fevereiro de 1967, véspera do aniversário de três anos do Golpe Militar de 1964. Assim o Regime autoritário dava vida ao Projeto do saudoso Deputado Francisco Pereira da Silva (Pereirinha) apresentado na década de 50 na Câmara Federal. Passado 44 anos de sua criação, o Modelo Zona Franca, consolidou em Manaus um parque industrial que afere lucros fabulosos de mais de US$ 35.000 bilhões de dolares aos controladores das empresas aqui instaladas, em troca de acanhados 108000 (cento e oito mil) empregos distribuídos entre homens e mulheres que ganham uma misérias de salários pelo tanto que produzem.


Esses fabuloso lucros, são enviados em remessas para os países sedes das empresas transnacionais que exploram sem pudor os trabalhadores da Amazônia, digo da Região Amazônica, pelo fato da grande migração que ocorreu e ocorre da população dos Estados vizinhos para Manaus. O reflexo de tudo isso, está na superpopulação da cidade que moram amontoadas nas invasões, vivendo em condições insalubres sem políticas publicas para suprir as demandas de água, luz, saneamento, saúde, educação, moradia e segurança, vide essa grande epidemia de Dengue que está vitimando pessoas em todas as zonas da nossa capital.


A ideologia desse modelo de suposto desenvolvimento, faz as humildes pessoas acreditarem que o Eldorado é aqui. A propaganda oficial induz o mais atento observador a ter de acreditar que a Zona Franca é a mais fabulosa invenção que aconteceu na Região em todos os tempos, impede de observar o ambiente urbano violento e perverso que Manaus se tornou, onde a principal vitima são os jovens. Diariamente, somos surpreendidos com envolvimento da população juvenil praticando atos ilícitos como: trafico de drogas, roubo e crime contra a vida.


Manaus vive um apartheid social, onde uma minoria privilegiada tem acesso a todos os serviços necessários a uma boa qualidade de vida, enquanto a grande maioria vive em condições de segregação absoluta, sem a proteção social que dignifique sua vida.


Dos mais de US$ 35.OOO bilhões de dolares que as empresas lucram, apenas 8% (oito por cento) fica na Região em forma de salário, obrigações sociais e investimentos, dai nossa afirmativa de o modelo não oferecer nenhuma contrapartida pela devastação social que proporcionou aos habitantes desse torrão.


No inicio tudo parecia ser prosperidade, o comércio oferecia mercadorias com preços atraentes, a indústria oferecia empregos, o Estado contava pavulagem e a cidade era uma farra só. Foi envolvidos por essa grande armadilha e empurrados pelo abandono dos governos do interior dos Estados que compõem a Amazônia ocidental, que os filhos da floresta, vieram para Manaus tornar-se trabalhadores da indústria do Distrito Industrial.


Hoje as Indústrias desfruta da força de trabalho composta pela primeira geração de Operários, motivados pela implantação das novas políticas de recursos humanos, das quais destacamos as series Iso 9000 a 14000 e pelos novos currículos escolares voltados para a preparação de uma mão de obra alienada e dispersa, cuja as faculdades particulares se transformaram em verdadeiras linhas de montagem de onde saem os novos servos, para servirem seus senhores sem questionar ou mesmo reivindicar seus próprios direitos.


Os trabalhadores das primeiras décadas de Zona Franca, foram inseridos no chão de fábrica sem o mínimo de experiência operária e sem ao menos conhecer seus direitos, foi as péssimas condições de trabalho e salário que os levou a descobrir o seu principal instrumento de luta - o Sindicato, isso só veio ocorrer na década de oitenta, tendo como principais protagonistas os camaradas: Jaques Catro, Ricardo Moraes, Elson de Melo, Cleide Mota, Antonia Priante(+) Celi Aquino, Rosenilda, Simão Pessoa e Emanuel.


Foi uma tomada de consciência importante para formação da chapa Puxirum que mais tarde assumiu a Direção do Sindicato dos Metalúrgicos e em seguida deflagar a primeira Greve Geral da principal categoria de trabalhadores do Distrito Indústrial de Manaus.


Hoje quando a Zona Franca de Manaus, completa 44 anos, os jornais da cidade estampam cadernos inteiros alardeando os lucros fabulosos das empresa, esquecendo os mais de quinze mil Operários lesionados vitimas de esforços repetitivos nas linhas de montagens das empresa do parque indústrial de Manaus. Desde o ano de 1993, o Sindicato dos Metalúrgicos Entidade que representa a principal categoria do DI, teve sua Direção cooptada pelos patrões e Governo estabelecendo uma relação de colaboração e cumplicidade com esses setores, isso tem corroborado para que as demandas dos Operários sejam ignoradas sistematicamente.


O nosso parabéns nesta data vai para os bravos Operários do DI, que mesmo sofrendo todas as restrições econômicas e sociais, enfrentam esses percalços com profissionalismo e grande capacidade produtiva capaz de aferir uma produtividade, superior aos outros centros indústriais do mundo. É por essa grandeza que faço a eles esta conclamação: "Trabalhadores do Distrito Indústrial Uni-vos!".


Elson de Melo - Sindicalista



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