domingo, 27 de março de 2011

Nobel da Paz diz que ataque da OTAN à Líbia é ação colonialista

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As Nações Unidas, a coalizão e a guerra na Líbia

Rechaçamos categoricamente a invasão da Líbia, é um ato de colonialismo respaldado pela Organização das Nações Unidas, que desta forma se converte em uma organização a serviço dos interesses das potências que buscam implantar a dominação colonial nos países com recursos petrolíferos, como o Iraque e agora a Líbia. Esta é uma escalada que viola os direitos dos povos e os direitos humanos; o próximo objetivo dessa dominação é a invasão do Irã, que lhes permitirá o controle mundial energético.

É lamentável que a ONU seja cúmplice respaldando os ataques ao povo líbio sob o pretexto de “defesa do povo". Uma vez mais nos deparamos com atitudes hipócritas que prejudica gravemente a humanidade, como foi o caso da mentira das “armas de destruição massiva” que justificaram a invasão do Iraque, e com o objetivo de impor o pensamento único e o monocultivo das mentes.

A Organização das Nações Unidas foi criada para promover e garantir a Paz no mundo, lamentavelmente hoje desvirtuando seu conteúdo promove a guerra e a dominação, nada mais distante dos fundamentos para os quais foi criada depois dos horrores da II Guerra Mundial.

Kadafi, durante 42 teve aliados e sócios europeus, assim como os Estados Unidos e outros países; que são os mesmos que hoje atacam o povo e o governo da Líbia.

Cabe a pergunta: Por que durante décadas nada fizeram pelos países árabes em defesa da democracia e dos direitos humanos e a proteção da população civil, em defesa dos direitos dos povos, para superar a fome, a pobreza, as enfermidades e a falta de direitos cívicos.

Igual coisa fez os Estados Unidos com Sadam Hussein que foi seu principal aliado usado na guerra contra o Irã e depois defenestrado e morto “por ser ditador”.

O presidente da Venezuela, Hugo Chaves propôs um comissão internacional para encontrar uma saída sem derramamento de sangue na Líbia e evitar maiores males.

Os países invasores não querem escutar e não se detém, sua decisão é continuar a ofensiva militar e os bombardeios contra a Líbia, para apoderarem-se do petróleo, este é o verdadeiro é o verdadeiro objetivo.

Diante da devastação cada dia maior dos seus recursos e bens naturais, e a forte crise econômica que estão vivendo, os países industrializados buscam implantar o colonialismo globalizado, isto é, a concentração do poder e o controle mundial em poucas mãos, utilizando a ONU para justificar o injustificável dessa política imperial.

Existem inúmeros antecedentes dessa política de dominação, como são a instalação de bases militares e o aumento da corrida armamentista, assim como a prática d imposição em diversos continentes.

É urgente a reforma da Organização das Nações Unidas e a democratização de sua estrutura, hoje profundamente contaminada pela falta de credibilidade. Não é possível que o mundo esteja nas mãos de um punhado de países poderosos que decidem de acordo com seus interesses o futuro da humanidade.

Adolfo Pérez Esquivel

Buenos Aires 21 de março de 2011

Tradução livre: Rosalvo Salgueiro

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