terça-feira, 29 de março de 2011

QUANDO RIR NÃO É O MELHOR REMÉDIO

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Por Fernando Lobato

Trapalhadas de um trapalhão atrapalhado é tudo de bom para quem precisa desestressar da rotina do dia a dia. Nada como uma boa comédia para relaxarmos um pouco e nos deixar ver a vida com mais tolerância e bom humor. Nas últimas semanas, porém, temos visto uma série de trapalhadas do atual prefeito de Manaus que, não fosse o aspecto trágico envolvido, seria motivo de estrondosas gargalhadas.

É ou não motivo de riso vermos um prefeito tentando correr contra o tempo de forma desesperada para ver se consegue fazer pelo menos 10% das mirabolantes promessas que fez em 2008. Nesse desespero, ele vai até uma comunidade visando fazer uma autopromoção, mas, no decorrer do teatro montado, ele se esquece do papel a ser encenado e manda a moradora da área de risco morrer. Trapalhada é isso, ser alvejado pela própria espingarda.

Querendo dar a volta por cima, nosso prefeito agora diz ao povo que revolucionará o sistema de transporte de Manaus. Diz que a cidade, finalmente, vai ter ônibus novos, muito embora não se saiba se conseguirão circular em nossas ruas superengarrafadas. Alheio a isso, ele crê começar a virar o jogo da sua pretensa reeleição em 2012 indo até o Sul do país pressionar os fabricantes para uma rápida entrega das encomendas.

Se o objetivo era impressionar a opinião pública com sua iniciativa, creio que, mais uma vez, o tiro saiu pela culatra. Lendo a notícia no www.d24am.com do dia 25/03, fiquei com a impressão que o prefeito estava ali mais como procurador ou advogado das empresas de ônibus do que como representante do povo de Manaus. Não bastasse isso, de antemão já anuncia o valor da nova tarifa (R$ 2,80) como se fosse uma ninharia diante dos supostos benefícios futuros.

É ou não motivo de riso ver tanta trapalhada. Motivo talvez seja, mas, nesse caso, rir não é o melhor remédio. Se esse aumento passar pela CMM, e tudo leva a crer que passará, Manaus terá a 2ª tarifa mais cara do país, atrás apenas de São Paulo. Em Belém, a tarifa de R$ 1,85 foi congelada até abril e, em Fortaleza, foi reajustada para R$ 2,00. Tem um detalhe: em Belém e Fortaleza, a 1/2 passagem do estudante é ilimitada e, em Fortaleza, permanece a tarifa social de R$ 1,00 nos domingos e feriados.

Em Curitiba, Rio de Janeiro, Salvador e Recife já houve reajuste em 2011, mas em todas houve grandes mobilizações de protesto contra o aumento. Nesses locais, o bom humor ficou de lado, apesar dos sistemas mais eficientes e com tarifas menores que Manaus. A situação é grave e afeta com dureza a população trabalhadora de Manaus que se vê na obrigação de reagir diante de mais uma bofetada do poder público. Nesse caso, definitivamente, RIR NÃO É O MELHOR REMÉDIO!

Fernando Lobato é professor, historiador, em 2010 foi candidato a Vice Governador pelo PSOL

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