domingo, 10 de abril de 2011

O ELO PERDIDO NA PONTA DAS LAJES

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Ellza Souza (*)

O estudo dos geólogos Elena Franzinelli e Hailton Igreja encaminhado ao SIGEP – Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos nos dá um reforçado esclarecimento sobre o que é a PONTA DAS LAJES. Um lugar mágico pela beleza sem sombra de dúvida; um lugar que remonta as nossas origens também não se discute; um lugar envolvente pelo ato de bravura do guerreiro Ajuricaba o torna inolvidável. A descrição do que é o sítio Ponta das Lajes ou Encontro das Águas dos Rios Solimões e Negro segundo o estudo de Franzinelli e Igreja diz o seguinte:

“O sítio ocorre a leste da cidade de Manaus, na margem esquerda do Rio Negro, no local do encontro com o rio Solimões. Trata-se de uma saliência de rochas silicificadas da Formação Alter do Chão cretácea que se estende em direção ao centro do rio na base de uma falésia com cerca de 90 m de altura. A Ponta está localizada no nível da água no período de seca, sendo encoberta pela águas nas estações de chuva...(continua com dados científicos).A Ponta das Lajes está localizada próximo ao ponto de máxima profundidade do rio (cerca de 90m) e em frente à ilha do Careiro formada por depósitos holocênicos (época mais recente do período quaternário que tem início após o período glacial)o que evidencia a ação neotectônica no local. A Ponta das Lajes além de oferecer subsídio para a interpretação do ambiente de deposição da Formação Alter do Chão na parte central da bacia Amazônica é também ponto chave para a definição das estruturas da neotectônica que influenciou a origem da logística do Encontro das Águas”.

Reforçando e ainda segundo o estudo, a importância do lugar se deve aos seguintes aspectos: Geográfico – por sua posição em frente ao Encontro das Águas dos Rios Solimões e Negro; Geológico – devido a ocorrência de estruturas sedimentares que facilitam a interpretação do ambiente de sedimentação da formação Alter do Chão; Tectônico – ao longo do lineamento Aleixo; Histórico – tendo em vista que o primeiro núcleo da cidade de Manaus foi instalado próximo ao local. Isso já explicaria a sua inclusão como Patrimônio Mundial da Humanidade. E devemos buscar essa posição para que seja preservado para sempre, além de insanidades, o nosso Encontro das Águas.

Sabemos que a Amazônia já foi mar e ainda nem estudamos o que isso representou para nós. Nessas rochas têm tesouros históricos de nossa região que não conhecemos ainda pois estamos preocupados em desfazer o que levou milhões de anos para ser feito. Ainda não se chegou a uma definição geológica da terra pois a crosta que a envolve, as águas, a floresta se transformam num tempo acima de nosso entendimento. Não temos paciência de esperar pelo menos para entendermos essa intrincada formação de rochas e o que ela nos conta e alguns donos de um poder, o do dinheiro, que parece dominar mentes e corações já planejam uma obra hedionda que só trará sofrimento, destruição e desconstrução de nossa história.

Não sou estudiosa do assunto. Sou apenas uma curiosa e quero saber mais sobre o tema. Como amazonense não posso me calar perante tal absurdo. O pior é ver que quem deveria representar os interesses da população defendem o interesse de uma empresa que está se lixando para os descendentes de Ajuricaba como eu, do que muito me orgulho. Não podemos deixar acontecer o que aconteceu com a nossa borracha, o nosso produto que trouxe riquezas por pouco tempo e as próprias autoridades da época foram coniventes com as pessoas que levaram as sementes para outras plagas. A culpa não foi de quem levou mas de quem autorizou a saída do produto que aconteceu legalmente e que nos passam a história como se fôssemos as vítimas de um roubo de estrangeiros.

Somos sim moucos aos nossos próprios interesses e acreditamos em tudo que nos falam. A responsabilidade por esses maus atos que causam prejuízos de toda ordem em futuro próximo, é também da sociedade que não presta atenção aos aventureiros, estrangeiros ou tupiniquins que tentam nos engabelar em troca sabe lá de que.

Conclamo os estudiosos, os pesquisadores, os jornalistas, os universitários, toda a sociedade, que falem do assunto, perguntem, estudem e façam suas manifestações. Não deixem esse Porto ser construído na Ponta das Lajes ou Lages. Deixem voar essa mensagem para o mundo saber o que querem fazer, na prática, com a natureza na Amazônia. Muito diferente do que dizem nos discursos por aí. E com a conivência de algumas autoridades “sem noção”, como diz um cantor popular. E viva o Tombamento Já do Encontro das Águas e sem um centímetro a menos de sua área.

(*) É jornalista, escritora e colaboradora do NCPAM/UFAM.

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