terça-feira, 19 de abril de 2011

A tragédia de Realengo e a Saúde Mental no território

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Saúde
Núcleo Estadual do Movimento da Luta Antimanicomial /Rio de Janeiro

Escola Estadual Tasso da SilveiraEscola Estadual Tasso da Silveira
Carta Aberta ao Governador Sérgio Cabral e ao Prefeito Eduardo Paes

Vimos a público dizer e afirmar que este episódio trágico tem a ver com o nosso campo de militância, que é o da Saúde Mental.

A tragédia ocorrida na Escola Estadual Tasso da Silveira em Realengo nos envolve em tristeza e dor pela perda da vida das crianças atingidas, vítimas de um gesto extremo, e pelas suas famílias agora destinadas a conviver com uma dor irreparável pela violência da experiência de terem suas filhas e filhos ceifados da vida tão precocemente.

Todo gesto de solidariedade devemos a estas famílias, e todos nós estamos empenhados em não tornar como mera fatalidade, fora do nosso alcance de intervenção, este acontecimento extremado em violência e dor ocorrido em Realengo.

Assim, é necessário que possamos reunir esforços, convocar as autoridades públicas, que possamos garantir uma rede efetiva de saúde mental, que possamos instituir uma política pública de saúde mental no município do Rio de Janeiro capaz de acolher e cuidar das demandas da população.

Infelizmente, é neste mesmo território de Realengo que os serviços de saúde mental vão sofrendo de forma crônica de escassez de recursos de toda ordem. Todos sabemos que o CAPSi, unidade de saúde mental justamente voltado para infância e juventude com grave adoecimento psíquico, há cerca de 9 meses encontra-se sem sede própria, ocupando de forma provisória e precária uma área inadequada de um posto de saúde do local.

O CAPS para adultos sofre de problemas semelhantes, localizado em uma casa alugada de dois andares, não atende de forma adequada os seus mais de 300 pacientes e suas famílias vinculadas ao serviço. Um número pequeno de profissionais que leva de forma resistente e ética um trabalho que deveria no mínimo ser compartilhado por mais três unidades de CAPS naquele território.

Nós do Movimento da Luta Antimanicomial não entendemos porque o Rio de Janeiro, cidade de referência para a Saúde Mental, é uma das cidades brasileiras com um dos menores índices de cobertura de serviços tipo CAPS. A quem devemos responsabilizar por esta falta de determinação política para cumprir o que deve ser cumprido? A Saúde Mental precisa de profissionais e unidades de serviço com estrutura adequada para cuidar da população.

Por que a razão de tamanho descaso com as políticas públicas de saúde mental já instituídas na legislação, nas portarias, e num ideário de transformação social?

Queremos nos juntar à dor destas famílias de Realengo, queremos nos colocar à disposição da Escola Tasso da Silveira, queremos nos humanizar diante desta tragédia, e queremos também humanizar os gestores públicos, fazê-los saber que não garantir o cuidado em saúde mental da população é expô-la a um sofrimento sem reparação.

Núcleo Estadual do Movimento da Luta Antimanicomial /Rio de Janeiro

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