segunda-feira, 2 de maio de 2011

VIAS PÚBLICAS PRIVATIZADAS

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Cidade
Ellza Souza (*)
É o maior dos absurdos. Só num país como o nosso, desgovernado, acontece dessas coisas. Hoje, as vias públicas, mais conhecidas como ruas, estão todas privatizadas, principalmente as centrais. Os donos chegam como quem não quer nada e vão se estabelecendo sem nenhuma burocracia. É o vendedor de produtos piratas, é o vendedor de roupas íntimas, é o churrasqueiro que se apossa do melhor pedaço: o que fica próximo ao bueiro fedorento, é o vendedor de pastel, o de frutas, o de cadernos, o de remédios “importados”, há quem faça logo um “puxadinho” de sua loja e espalhe suas tranqueiras calçada afora. Sem falar é claro no experiente e “escovado” flanela, flanelinha ou flanelão sei lá.

Em qualquer rua que você precise estacionar aparece o dono para assegurar que seu veículo não será roubado. Às vezes some o dono, some objetos, some o carro até. Tem que pagar senão...O constrangido cidadão não tem a quem recorrer. Alguns dizem que “são trabalhadores, têm família e não têm emprego”. Realmente emprego falta pra todo mundo. Já pensou se todo mundo fosse para a via pública chamada rua. As autoridades com certeza não andam no centro “histórico” da cidade, quando muito dão umas voltinhas no Largo São Sebastião que ali ninguém tasca.

Mesmo assim o Teatro Amazonas que faz parte desse conjunto arquitetônico, está “caidinho” com ar de que faz tempo não vê uma boa faxina. É de chorar de raiva e tristeza ao mesmo tempo ver tanta barraquinha de lona enfeando a nossa outrora “cidade sorriso”.

Para o centro de Manaus ainda existe saída. Quem quiser vender suas tranqueiras que o faça nas suas comunidades, claro, pois todos que “descem” para o centro vêm de longe e não precisava se os vendedores ambulantes se concentrassem, organizados, em seus bairros. Acho que umas barraquinhas, se tivesse um gestor de planejamento, nas esquinas de algumas ruas daria até um certo charme ao centro e seria legal mesmo.

O vendedor de rua faz parte de nossa cultura. Não esse auê mas barraquinhas brancas e cadastradas que vendessem as nossas frutas e produtos tipo biscoitos de sabores diversos desde que bem embalados. E só. O resto que vá plantar coquinho que cd pirata ninguém come. Para sustentar famílias de verdade o ser humano precisa é de dignidade e não de ocupar espaços que não são seus.

Gostaria de saber para que serve um prefeito mas ultimamente os políticos entram já se gabando de não saber nada mas prometendo fazer e acontecer. É o que dá não estudar, não ler nada, não saber fazer um cálculo, um planejamento ou pelo menos lavar uma louça em sua casa. Fazer algo bem feito pela sociedade é algo impossível. Não conseguem acertar o ponto. Eles, desculpe, os excelentíssimos, só querem moleza e para isso não precisa de nada, só levar a população no papo, ter boa conversa.

Depois que são eleitos fogem do povo como o diabo da cruz. Mas o povo esquece e vemos aí o resultado: o caos urbano em todos os sentidos. Nem uma calçadinha básica temos para o pedestre, eleitor, cidadão. Sustentamos os políticos e quem nos sustenta está no céu.

(*) É jornalista, escritora e articulista do NCPAM/UFAM.


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