quinta-feira, 9 de junho de 2011

A nova queda de Palocci

0 comentários
De Auditoria Cidadã da Dívida

Os jornais noticiam a recente queda do Ministro Antonio Palocci, que desde 2003 coordenou a política econômica do governo Lula, aprofundando o ajuste fiscal do governo FHC e implementando reformas neoliberais ainda mais severas, como a da Previdência, que possibilitou a criação de fundos de pensão (que significam PRIVATIZAÇÃO) e taxou servidores públicos que já se encontravam aposentados; medidas que nenhum outro governo foi capaz de implementar.

Em 2006, deixou o Ministério da Fazenda por força de denúncias de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, tendo sido depois eleito deputado federal, para o mandato de 2007 a 2010. Em 2010 coordenou a campanha presidencial de Dilma e em 2011 assumiu o Ministério da Casa Civil. Mais uma vez deixa o cargo, agora sob fortes denúncias de enriquecimento ilícito.

Segundo os jornais, nos 4 anos em que foi deputado federal, Palocci multiplicou seu patrimônio por 20, ou seja, apresentou um crescimento de 2.000% no período, devido à prestação de serviços de consultoria a diversas empresas, inclusive bancos que tiveram os maiores lucros do mundo e de toda a história desde o início do governo Lula, principalmente em decorrência dos altíssimos juros da dívida pública praticados desde os anos de FHC, e que continuaram com Palocci.

Em recente nota, o ex-ministro justificou seu enriquecimento:

“No mercado de capitais e em outros setores, a passagem por Ministério da Fazenda, BNDES ou Banco Central proporciona uma experiência única que dá enorme valor a estes profissionais mo mercado. Não por outra razão, muitos se tornaram em poucos anos, banqueiros como os ex-presidentes do BC e BNDES Pérsio Arida e André Lara Rezende, diretores de instituições financeiras como o ex-ministro Pedro Malan ou consultores de prestígio como ex-ministro Mailson da Nóbrega.”

Nessa nota Palocci reconhece explicitamente que a experiência em cargos públicos na área econômica permite que pessoas ganhem enorme valor no “mercado”, a ponto até de alguns terem se tornado banqueiros.

É importante relembrar que Pedro Malan (ex-Ministro da Fazenda) e Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central) participaram das obscuras negociações da dívida externa, tendo participado da Comissão que transformou dívida externa pública e principalmente privada - que havia sido transferida para o Banco Central na década de 80, com fortes indícios de ilegalidade e nulidade - nos denominados bônus Brady em 1994. Tais bônus depois serviram para comprar nossas empresas estatais estratégicas e lucrativas no processo de Privatizações a partir de 1996.

Criminalização de movimentos sociais

Os jornais também noticiam a infame prisão de 439 bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, por terem se revoltado contra os baixos salários, os menores do país. Permanece paralisada na Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300, que prevê um piso salarial nacional para os policiais e bombeiros dos estados. Pela proposta, a União ajudaria financeiramente os governadores a pagar tal piso, mas a base do governo na Câmara impediu a aprovação da PEC, alegando que isto seria incompatível com as metas de “superávit primário”, ou seja, o pagamento da dívida pública. A base governista ainda impôs que a PEC fosse mutilada, retirando-se da mesma a previsão do valor do piso salarial de trabalhadores que dedicam suas vidas para proteger a sociedade.

Pela proposta imposta pelo governo, o valor do piso para os bombeiros seria definido apenas posteriormente, em um projeto de lei a ser enviado pelo Executivo ao Congresso em até 180 dias após a aprovação da PEC. Além desse longo adiamento, existe o risco de tal projeto não ser aprovado, perpetuando a situação de remuneração baixa e incompatível com as exigências e riscos das atividades exercidas pelos policiais e bombeiros estaduais.

Nunca é demais lembrar que neste ano de 2011, os juros brasileiros - que já são os maiores do mundo há muito tempo - subiram 3 vezes, por simples ditame do COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que age livremente, sem passar pelo Congresso Nacional. E a sociedade paga a conta dos juros e amortizações da dívida pública, que já consomem quase a metade do orçamento federal.

0 comentários:

Postar um comentário