segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A CHINALIZAÇÃO PIORADA DO LULOPETISMO

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Por Fernando Lobato - Historiador

Crise sistêmica ou reengenharia estrutural do capitalismo? Qual das duas perspectivas melhor explica o drama histórico da atualidade? Independentemente da resposta, uma coisa é certa: o pouco de democracia que se afirmou no século XX está agora sob o fogo cerrado das elites reacionárias do mundo. Para elas, é vital a manutenção da supremacia do estado - sob seu controle - sobre a sociedade civil. Para atingir essa meta, um progressivo processo de enfraquecimento do poder coletivo está em curso em vários níveis e este tem dois pilares fundamentais: promoção da alienação geral e desmoralização do sistema político vigente.

Tal como no entregueras (1918-1938), é forte o odor fascista no ar europeu e norte-americano, com tendência de expansão mundo afora. Nesse quadro, quem é socialista de verdade não pode se desviar da defesa radical dos valores democráticos. A democracia é a nossa grande barricada seja como espaço de resistência seja como espaço a partir do qual é possível uma contraofensiva anti-reacionária. O casamento do lulopetismo com o megaempresariado evidencia a opção por um tipo piorado de chinalização de nosso país, ou seja, de uma modernização com forte viés autoritário agravada pelo seu suporte conservador e oligárquico.

A corrupção, condenada no discurso, funciona como moeda de troca na cooptação tanto das siglas partidárias de longa data quanto das recentemente criadas para dividir e enfraquecer ainda mais a oposição. Nesse sentido, tudo leva a crer que o PSD nasce com a missão de dividir e confundir o eleitorado da trinca PSDB, DEM e PPS e o PPL com a mesma função em relação a trinca mais à esquerda (PSOL, PSTU e PCB). Pela tática empregada, é nitido o maquiavelismo despudorado e sem escrúpulos dos estrategistas governamentais, bem como o viés totalitário que os orienta e que os encoraja a promover a volta triunfal de Zé Dirceu, Genoíno, Delúbio e cia.

Nesse processo de chinalização piorada, a classe média é expropriada para que as migalhas caiam na mesa dos pobres e miseráveis. Através de fraudes estatísticas vendem a idéia de uma revolução social acontecendo no país. A julgar pela propaganda e estatísticas oficiais, em poucos anos, não teremos miseráveis e pobres, pois todos serão classe média, visto que, nesse jogo, a classe média real é empurrada bem pra baixo e as que estão mais abaixo são empurradas um pouquinho pra cima. Enquanto isso, continua tudo como dantes no quartel dos serviços públicos oferecidos à população, principalmente na educação e na saúde, que volta a servir de pretexto para o aumento de uma carga tributária exorbitante que já ultrapassa 1/3 do PIB e confisca cerca de 40% da renda de toda a classe trabalhadora. É hora de erguer as barricadas da democracia contra o avanço dos reacionários de ontem e de hoje.

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