terça-feira, 1 de novembro de 2011

Marcelo Freixo nunca mais será um

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Chico Alencar
Por Leandro Uchoas

“A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.”
(Mahatma Gandhi)

Deputado Marcelo Freixo PSOL/RJ
O que me fascina é saber que ele vai voltar. Que vai resistir, brigar, enfrentar, combater, até o fim. Saber que os facínoras, escondidos nos ambientes escuros e manchados de covardia, ainda o ameaçarão – e ele, com a coragem irreprimível dos homens de bem, não arredará um passo. Fascina saber que, do seu lado, estaremos os justos, os que não têm medo, os que querem doar tudo de si para transformar essa insanidade em um país. E estaremos mais fortes, porque a dor une as famílias, e já faz algum tempo que nos tornamos irmãos. O que me conforta, portanto, é a certeza disso. Marcelo Freixo nunca mais será um. Somos todos.

Um deputado, na cidade que há de abrigar Olimpíada e final de Copa, deixou o país, ameaçado de morte por uma máfia. Isolada, essa afirmativa já seria trágica. Mais ainda se torna tratando-se de um parlamentar da qualidade de Marcelo Freixo. Mais ainda se torna tratando-se de um amigo. Defendê-lo, hoje, é defender o Brasil, a democracia e a liberdade. Isso é o que todos precisam entender. Não clamamos apenas por um homem, embora também o seja.

Sabe qual é o segredo dessa gente? É uma faisquinha que têm dentro de si, chamada popularmente de “sonho”. Vista de longe, essa faisquinha parece inofensiva, até infantil. Mas é capaz de mover o mundo inteiro, e rechear de grandeza uma história de vida. E todos nós, se procurarmos, a encontraremos dentro de nós. Marcelo Freixo não é um herói. Apenas cumpre seu compromisso público, tecendo seu caminho desta faisquinha, o sonho.

Em meio a seus seguranças, ou viajando forçosamente pela Europa, Marcelo é mais livre do que os ridículos tiranos que atentam contra sua vida. Porque não é livre aquele que depende do poder da violência, ou da potência enganosa do dinheiro. Livre de verdade é o que pinta sua vida com o pincel mágico dos idealistas, e o que a constrói como um mosaico de sonhos, e dedica cada segundo às coisinhas simples em que crê. Por acreditar nisso, Marcelo deu um passo além. Não são todos os que conseguem fazer da política uma poesia.

Nesse momento, Marcelo Freixo está voando pra longe. Eu acho que ele foi buscar futuro. Estava mesmo precisando. A flor que hoje enfeita sua casa não é bela, mas segue sendo uma flor. Ele deixou claro, desde o início, que vai retornar, porque tem uma linda história de amor com a vida. Quando voltar, eu e tantos outros estaremos ao seu lado, sem personalismos ou mistificações, mas lutando pelas mesmas causas, arando a mesma terra, buscando os mesmos frutos, enfrentando os mesmos tiranos. Em verdade, ele jamais voltará a ser um. Agora, todos somos Marcelo Freixo. Nenhuma bala nos calará.


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