quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Nota de solidariedade ao deputado estadual Marcelo Freixo

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PSTU/RIO DE JANEIRO
Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ


É com muita indignação que o PSTU acompanha a viagem forçada à Europa do deputado Marcelo Freixo. Após receber sucessivas ameaças de morte e não poder contar com o poder público para garantir sua proteção e de sua família, o deputado viu-se obrigado a aceitar o convite da Anistia Internacional e refugiar-se longe daqui para acumular forças e reorganizar seu esquema de segurança. Apenas em outubro foram descobertos sete planos das milícias para colocar fim a vida de Marcelo.

Em 2008 o deputado presidiu na Assembleia Legislativa a “CPI das Milícias”, na qual indiciou mais de 200 pessoas, entre elas policiais, políticos e bandidos de todo tipo. Mesmo após a comprovação da veracidade das ameaças, a Secretaria de Segurança nada fez para reforçar a segurança do parlamentar, apesar dos apelos reiterados de Freixo. Para agravar ainda mais a situação, os milicianos que fizeram as ameaças fugiram da prisão e estão livres para executar seu plano maligno.

A rede de influências e a trama na qual está inserido o deputado é de extrema complexidade. Não se trata simplesmente de uma luta do poder público, ou do “Estado democrático de direito”, contra grupos armados independentes, que aterrorizam a nossa cidade. Se assim fosse, a solução seria mais fácil. O problema é que as milícias estão por fora, mas, sobretudo, por dentro do aparato de Estado. Elas são impulsionadas pelos baixíssimos salários dos policiais e incentivadas por políticos ligados a setores marginais da burguesia carioca.

Não se trata de um problema isolado ou de ordem pessoal do deputado. O Rio de Janeiro vem passando por uma reforma de higienização e de criminalização da pobreza. As remoções de comunidades carentes como a da Favela do Metrô, estão a serviço de um plano de obras para favorecer grandes empreiteiras como a Delta e Odebrech.

Atrás de toda a festa entorno da Copa do Mundo e das Olimpíadas existe uma política de repressão contra os pobres e um farto banquete para os ricos. Enquanto os bombeiros, profissionais da educação e o pessoal da saúde recebem um salário indigno e humilhante, o senhor governador Sérgio Cabral viaja de helicóptero para se confraternizar com seu amigo Eike Batista.

O que está em jogo é mais do que a vida individual do valente deputado. O que está em jogo é o futuro da esquerda, dos lutadores sociais, de cada militante que não se intimida e nem abaixa a sua bandeira.

A cidade do Rio de Janeiro precisa de uma alternativa frente à política opressora, exploradora e racista de Cabral e Paes. O PSTU chama a construção de uma Frente de Esquerda Classista e Socialista para as eleições municipais de 2012. Aqueles que lutam juntos nas ruas, também devem se unir nessas eleições. Essa frente deve ser encabeçada pelo deputado do PSOL Marcelo Freixo, e composta também pelo PSTU e PCB, respeitando seus respectivos lastros sociais.

Em nada fortalece a esquerda e o combate aos ricos e poderosos a aliança com partidos inimigos como o PV de Gabeira, Zequinha Sarney, Sirkis e companhia. No entanto, foi essa a decisão do Congresso Estadual do PSOL, que infelizmente foi levada adiante por Marcelo Freixo em suas conversas com Gabeira.

Para quem não se lembra, o PV esteve na gestão César Maia (DEM), que promoveu a mesma política de higienização social e perseguição aos trabalhadores camelôs.

A militância do PSOL pode contar com o PSTU para seguir na luta pela Frente de Esquerda sem PV e sem patrões.

1 comentários:

Anônimo disse...

O governo atual está hipnotizando a todos com a tal copa do mundo e olimpíadas.O governo, como sempre, jogando para o "futuro" a melhoria de nossas vidas (e ela nunca chega).
Quando me perguntam se esses dois eventos vão melhoras, de fato, a vida dos brasileiros... eu respondo: em 2017 terá sua resposta, quando observarmos que a corrupção continua, que a desigualdade continua, que ainda existe uma má distribuição de renda, ou seja, que o Brasil continua sendo como sempre foi.
Devemos nos perguntar: o que todo o levante do mundo árabe significa, ou mesmo, em menor escala, os movimentos estudantis chilenos? O povo brasileiro precisa perceber que "tomamos na cabeça" todos os dias, igual aos árabes, o problema é que vivemos em uma pseudo-democracia.

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