quinta-feira, 17 de novembro de 2011

SERÁ QUE VAMOS TER NOVO "PORTO DE LENHA"?

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Jornalista Carlos Costa
Jornalismo Carlos Costa - A riqueza e a miséria, historicamente, sempre caminharam lado a lado! Ou teremos que viver um novo período estagnado na economia com o “Porto de Lenha” retornando para nos amedrontar? Explicarei porque começo minha crônica assim:

Duas notícias conflitantes entre si, publicadas em um mesmo jornal “A Crítica” em Manaus, me impactaram bastante. Na capa havia a manchete: “Recordes no PIM “ e informava que a Zona Franca de Manaus arrecadava US$ 3,3 bilhões mensais. Acrescentava, ainda, que o PIM havia gerado um aumento de 15,83% no número de empregos.

Em sua página A-5, de política, a outra manchete: “O Amazonas é o 5º em pobreza” e explicava: “O Amazonas foi o Estado que apresentou a menor redução de desigualdade social e na distribuição de renda nos últimos 30 anos”. Ou seja, desde 1981 estamos andando ao contrário de nosso desenvolvimento, aumentando a desigualdade social e distribuindo a mal a riqueza produzida pelo PIM, que em nada investiu nas áreas social e muito pouco na área de educação!

Fiquei pensando comigo mesmo: será que estamos voltando à época da produção do látex, quando o Estado era rico em dinheiro e possuia mais de 80 mil nordestinos que exploravam os seringais, miseráveis? Muitos ganharam rios de dinheiro, mas parece que esse dinheiro escorreu pelos ralos dos esgotos da cidade, construídos pelos inglêses e não chegaram à população que necessitava! Como agora, no passado também investiram em pontes de ferro, aterros de igarapés, decretos municipais proibindo pobres de se fixarem na área do centro da pequena cidade de um passado não muito distante! Será que vamos ter o retorno de um filme que não desejamos assistí-lo? Será que a mesma história do nosso período ilusório de riqueza vai se repetir de novo? Será que vamos ser um novo “Porto de Lenha”, magistral música gravada por Torrinho, de autoria dos geniais e irreventes poetas Wandler Cunha e Aldísio Filgueiras?

Porto de Manaus no período áureo da borracha  
Amazonas, em seu apogeu da produção e exportação do látex pagou a metade da dívida externa brasileira em libra esterlina, ou simplesmente libra, moeda oficial do Reino Unido, quando descobriram que o látex também servia para a produção de isolantes de energia, materiais cirurgicos e pneus de carros. O dinheiro que circulava mas mãos dos chamados “barões da borracha” era tanto que se adquiria até água mineral na França e a cidade passou a ser chamada “A Paris dos Trópicos”.

Já escrevi que o Amazonas precisa encontrar seu principal modelo de desenvolvimento e esse modelo está na biotecnologia, e não funcionando apenas um apêndice de pesquisa existente hoje dentro do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Esse polo tem que funcionar verdadeiramente como um encubador de idéias e de projetos, permitindo que indústrias biotecnológicas possam se desenvolver e se implantar no PIM a partir dessa encubadeira. O Amazonas é o Estado do já teve. “Já teve látex, já teve juta, já teve sova...balata, castanha...”.

Depois dos mais 50 anos que vai durar o modelo ZFM, teremos tempo para desenvolver isso. Não desejo que no futuro, pesquisadores venham a escrever um livro dizendo o “Estado já teve Zona Franca e morreu com ela gerando milhões em arrecadações e sendo o 5º Estado em pobreza”. Só entendo o valor do dinheiro quando ele é distribuido entre todos.

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