segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Indígena Guarani leva professores universitários à aldeia para defender dissertação de mestrado

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Cajetano Vera nasceu na Aldeia Pirajuí no Município de Paranhos (Mato Grosso do Sul)
Na próxima quarta-feira, dia 29, a aldeia Pirajuí, que fica no município de Paranhos, em Mato Grosso do Sul, receberá um grupo de professores e convidados a participar da defesa de dissertação do indígena, da etnia Guarani, Cajetano Vera. Esta será a segunda vez que uma comunidade indígena tem oportunidade de assistir o resultado de estudo acadêmico voltado para seus saberes tradicionais.

Cajetano formou-se em Ciências Biológicas e no mestrado em Desenvolvimento Local da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) conta com apoio do Programa de Bolsas da Fundação Ford e do projeto Rede de Saberes, financiado pela mesma. Ele trouxe para a universidade a questão do hábito do consumo de larvas de besouros entre os Guarani Ñandéva, da aldeia Pirajuí. A banca examinadora conta com os professores Drª Nádia Heusi (UFSC), Drº Eraldo Costa Neto (UEFS) e o orientador Dr. Antonio Brand (UCDB).

O mestrando desenvolveu o estudo com foco na segurança alimentar, nutricional e sustentabilidade social. Segundo suas constatações, o hábito alimentar dos indígenas mudou muito com o passar dos anos. “Em paralelo à perda de seus territórios, ocorreu o assoreamento cultural, com mudanças nos hábitos alimentares tradicionais”, explicou. No entanto, Cajetano traz em sua dissertação perspectivas para que o consumo de insetos, que são ricos em proteínas, venha a ocorrer com a mesma frequência de antes.

Em 2010, por iniciativa do Mestrado em Educação da UCDB, houve as primeiras defesas de dissertação em comunidade indígena. Os professores da etnia Terena, Maria de Lourdes e Celinho Belizário encantaram ao apresentar os trabalhos, que durante dois anos, desafiaram a eles mesmos e também aos professores do programa, por conta de sua característica intercultural. A educação escolar e a língua materna foram os temas, que os mestrandos apresentaram, usando a própria língua Terena para expor suas conclusões, na aldeia Cachoeirinha, no município de Miranda.

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