domingo, 18 de março de 2012

A ecologia na mira da religião, política e outras obscenidades

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Eu nunca escrevi sobre religião e espero continuar assim, então, a todos os religiosos que por ventura possam ler esse texto, entendam que não estou discutindo o fundamentalismo religioso. Mas preciso discernir sobre alguns problemas sociais que podem se tornar armas perigosas em um futuro bem próximo.
Tenho notado o contínuo crescimento de políticos religiosos no quórum administrativo do nosso país: são vereadores, deputados, senadores, prefeitos e governadores que se utilizam de um discurso religioso como álibi de caráter confiável em suas campanhas eleitorais. Não vejo qualquer problema em termos políticos religiosos, mas começo a perceber que isso já virou uma sagaz jogada para angariar votos para suas candidaturas, e isso sim é um grave problema. Parte da população está elegendo políticos corruptos, sem qualquer noção administrativa ou com baixíssima capacidade intelectual apenas por terem um “título” de pastor, padre ou qualquer outro líder religioso, sem nem preocupar-se em saber de suas pretensões sociais e políticas. Pior que isso, alguns políticos, depois de eleitos, estão se equivocando sobre seus direitos, deveres e funções dentro de seus cargos.
Essa semana eu vi um vídeo que, confesso, me deixou perplexo. Durante uma sessão oficial no Plenário Ulysses Guimarães, a Deputada Lauriete (PSC-ES) fez um agradecimento ao centenário da Igreja Assembléia de Deus e, em seguida, cantou uma música evangélica, com direito a acompanhamento de playback e tudo. Isso é um absurdo! Por dois motivos: primeiro, a constituição brasileira de 1988 assume o nosso país como um Estado Laico, ou seja, sem religião oficial, o que é bem respeitoso com uma nação criada a partir da miscigenação de etnias e religiões, como a nossa. Sendo assim, não acho justo e legítimo que manifestações religiosas tão específicas sejam feitas em unidades administrativas da federação brasileira. Isso é desrespeito com os demais cidadãos que possuem outra filosofia, seja o espiritismo, budismo, judaísmo, islamismo ou ateísmo; e, segundo, infelizmente alguns políticos estão começando a confundir filosofia pessoal com administração do Estado. Estamos imersos em um mar de pessoas que acham que fazer política é emprego e que religião é partido político.


 Certamente a essa altura você deve estar se perguntando. “Mas o que isso tem a ver com ecologia?”. Tudo! Vi esse outro vídeo acima, igualmente bizarro, do nosso atual Ministro da Pesca e Aquicultura, o Pastor Marcelo Crivella, no qual ele, durante uma sessão oficial do Senado brasileiro, discursa sobre evolução biológica darwinista e criacionismo. O que se escuta é uma sequência de afirmações absurdas que nitidamente foram criadas por homem que se quer sabe sobre o que está falando. Ele tem todo o direito de não acreditar em evolução, mas como administrador público, não pode expor suas inclinações pessoais resultantes de sua filosofia religiosa. Ainda mais se ela for antagônica à ciência que é aceita pela sociedade e que é ensinada nas escolas de todo país. Não vou discutir evolucionismo com Crivella e nem explicar os absurdos que ele disse, só vou salientar uma coisa: evolução não é mais uma teoria, é fato!
Mas esse não é o real problema, vamos mais fundo. Temos um homem administrando um Ministério que é de vital importância para a gestão ambiental e de total influência para a conservação das espécies que não sabe absolutamente nada sobre ecologia, meio ambiente ou ciência. Ele se quer acredita nisso, e assim como a maioria dos evangélicos conservadores, ele não acredita na a atual crise ambiental, potencializada pela ação humana. Agora eu pergunto: a colocação de um líder religioso na posição de ministro da pesca pode realmente ser produtivo?
A onda de políticos religiosos sem qualquer tipo de conhecimento e preparo para a administração pública está varrendo nosso atual governo e a tendência é piorar. Não quero comparar, logicamente, mas o mundo já nos deu exemplos de que religião e política não devem andar em conjunto, vide o oriente médio e o islamismo. Isso não é um pedido para não votar em religiosos, isso é um pedido para votar em propostas políticas, não importa de qual filosofia seu criador pertença.
Votar em uma pessoa só porque ela é religiosa só não é mais ingenuidade do que achar que os problemas ambientais podem ser resolvidos com reza.


Fonte: E esse tal Meio Ambiente

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