sábado, 17 de março de 2012

O CAPITALISMO COMO SISTEMA, OS RATINHOS DE LABORATÓRIO E O CONFLITOS RELIGIOSOS

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Se a satisfação de nossas necessidades ou desejos não fosse dependente do dinheiro na carteira ou na conta-corrente, emprego e salário não teriam tanta importância. Eis porque, no artigo anterior, afirmei que não é o dinheiro que move o capitalismo e sim as necessidades ou desejos que dele são reféns. E ao falar de necessidades ou desejos humanos podemos classificá-los em dois grupos: os de ordem natural e os artificialmente estimulados.

Os de ordem natural podem ser de nível biológico - tais como alimento, vestuário e moradia – ou psíquico – tais como afeto e reconhecimento -, enquanto os artificialmente estimulados tem a ver com as pressões ambientais de ordem social, ou seja, do modo como a sociedade em que vivemos funciona. Ostentação de poder e culto à própria personalidade, por exemplo, são necessidades artificiais, pois a grande maioria pode ser plenamente feliz sem elas.

Eis porque, no capitalismo, o sucesso de um produto comercial não é absolutamente dependente de suas qualidades internas, mas, sobretudo, das qualidades externas que a propaganda midiática agrega ao mesmo. Coca-cola e Macdonald são marcas poderosas não apenas pela qualidade do que vendem, mas, sobretudo, pelos valores externos a elas associados, fato que, não por acaso, as torna dependentes de maçicos gastos em publicidade.

Tal como a música muitas vezes ruim que toca sem cessar na rádio e que nos faz cantarolá-la de forma robótica, consumimos coisas que não sabemos bem porque. Se assim é no aspecto do consumo privado, também o é naquilo que chamamos de comportamento "políticamente correto", ou seja, no modo como acreditamos estar transmitindo uma boa imagem para outras pessoas e isso, não tenho dúvida, é o que torna o capitalismo um sistema antihumano.

Robotizados e incoscientes de si mesmas, as pessoas acabam vivendo nos moldes dos ratinhos de laborátorio, ou seja, reagindo e sendo determinadas em face de estímulos externos que lhe são projetados. Até a religião, por incrível que isso possa parecer, tem sido gravemente afetada por esse poder. Embora tenham a missão de promover e exaltar a nossa essência interior, muitas tem deixado de lado esse enfoque para promover a importância do ter na vida do ser.

E já que falei em religião, será o acaso que está promovendo o ódio entre cristãos e muçulmanos nos dias atuais? A História, ao meu ver forjada, de fanáticos muçulmanos lançando aviões contras as torres gêmeas serviu muito bem ao propósito de invasão do Afeganistão e do Iraque pelas tropas da OTAN. E, hoje, no momento em que todas as providências para a invasão do Irã já foram tomadas, vemos a divulgação rotineira de notícias falando de massacres de cristãos por muçulmanos radicais. Terá sido esse o motivo do ato tresloucado do sargento que matou 16 civis no Afeganistão ou tudo não passa de pura coincidência?

O triste disso tudo é perceber que o próprio Maomé, durante sua vida, pregou o valor tanto de Jesus, símbolo maior do Cristianismo, quanto de Moisés, fundador da nação judaica. Se o ódio entre judeus, muculmanos e cristãos é estimulado, isso não decorre de questões doutrinárias, mas meramente de interesses excusos. Disse o próprio Jesus que não se combate o mal com o mal, de modo que a cada vez mais provável invasão do IRÃ pelos EUA ou ISRAEL não é fato pra aplaudir e sim lamentar, pois muito sangue será derramado a troco de nada, ou melhor, do acesso ao petróleo alheio.

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