sábado, 10 de março de 2012

O NOME DA ROSA, A QUESTÃO AMBIENTAL E A INSANIDADE CRESCENTE DA DIREITA REACIONÁRIA

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Por Fernando Lobato_Historiador

Quem assistiu ao primoroso filme "O Nome da Rosa" de Umberto Eco, em que Sean Conery faz o papel de um monge franciscano, percebe a insanidade crescente daqueles que não aceitam ou não admitem uma realidade diferente daquela que defendem e que desejam ver perpetuada. Para impedir que os membros da Igreja se "contaminassem" com conhecimentos "impuros" ou "interditos" aos simples mortais, o líder do mosteiro envenenava as páginas dos livros que mostravam um mundo diferente daquele que a Igreja Católica então pregava.

É fato que isso tem sido comum na História, pois, em momentos de ruptura com o passado, instituições, então poderosas e gravemente ameaçadas por novas idéias e tendências, reagem instintivamente, muitas vezes insanamente, tentando barrar aquilo que as pertuba. Para a Reforma de Lutero e dissidentes, a Igreja promoveu a Contra Reforma. Para a crescente impopularidade dos reis, fruto da Revolução Francesa, houve o Congresso de Viena, que reforçou o poder dos monarcas para barrar os movimentos constitucionalistas da época. É assim também hoje na campanha que a direita reacionária promove contra os que denunciam a insanidade neoliberal do desenvolvimento econômico contínuo e ilimitado.

Contra os cientistas que denunciam o aquecimento global, formou-se um grupo rival que busca negá-los e desacreditá-los de todas as formas. Tal fato é interessante porque, pela primeira vez na História, a tal "objetividade" da comunidade científica é colocada em dúvida. Ambos os lados se acusam de manipulação em favor de objetivos políticos, como se antes a Ciência tivesse sido apolítica, ou seja, sem nenhuma relação com os interesses de estado. É bem possível que o grupo do aquecimento esteja dourando demais a pílula para obter status e acesso a verbas destinadas a tais pesquisas, mas isso não significa dizer que o problema por eles levantado não existe e que, em face disso, não há motivos para reduzir os níveis de industrialização e emissão de CO2 em todo o mundo.

Tudo leva a crer que esse novo grupo está a serviço das grandes potências industriais do planeta, não por acaso as mais poluidoras. Por influência da Direita reacionária vinculada aos interesses estratégicos desses países (EUA, CHINA, ÍNDIA e outros) tentam fazer crer que se trata de uma discussão ideológica entre direitistas e esquerdistas, como se a sobrevivência e o bem estar da humanidade nesse planeta pudesse assumir um determinado polo político. Esta postura insana e esquizofrência está bem de acordo com o caráter dessa Direita reacionária que, nos anos 20 e 30, levou ao poder MUSSOLINI, HITLER e outros ditadores fascistas. Diante do cada vez mais evidente conflito entre CONSUMISMO CAPITALISTA X PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, bem como em face de sua recusa em assinar qualquer compromisso com a redução industrial, tentam negar aquilo que é inegável, acreditando que, dessa forma, o assunto se esgota e morre.

Essa recusa está relacionada a um fato óbvio: A REDUÇÃO DA ESCALADA DESENVOLVIMENTISTA força uma rediscussão que essa direita queria ver sepultada após o colapso da EX-URSS, ou seja, da racionalidade, justiça social e sustentabilidade do modelo civilizatório capitalista, cada vez mais encurralado por questões como DEMOCRACIA, DIREITOS HUMANOS, DIREITOS SOCIAIS, RESPEITO AO MEIO AMBIENTE, ETC. Eis porque esses reacionários são hoje os grandes inimigos da humanidade. Para manter a locomotiva capitalista dentro dos trilhos, eles podem ser capazes de insanidades ainda maiores que os campos de concentração de HITLER. Eis porque a defesa da democracia é tão importante, pois é contra ela que essa direita irá inevitavelmente se insurgir. Na China, a democracia nunca existiu, nos EUA está cada vez mais limitada, apesar do teatralismo das convenções republicana e democrata. Na Grécia e na Itália foram suspensas por prazo indeterminado. A onda avança e contra ela é preciso resistir.

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