segunda-feira, 2 de abril de 2012

AMAZÔNIA SAQUEADA

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O Greenpeace passa ao largo da devastação do Encontro das Águas e cala diante da tentativa de construção do porto nas Lajes pretendido pela Vale do Rio Doce e a Coca Cola. Também não se posiciona em relação ao tombamento desse patrimônio contestado pelo Governo do Amazonas!
Ademir Ramos (*)

Passam-se luas e mais luas, o povo da Amazônia continua sendo saqueado em seus direitos fundamentais. Este processo decorre de uma série de atitude e comportamento tanto dos políticos como também daquelas instituições que arrogam para si a defesa dos interesses do verde, em alusão a uma floresta idealizada sem cheiro, gosto e rosto. Navegam nas águas deste mundo em seus barcos a prova de gente, vendo de longe, à distância, a sofridão das pessoas que reclamam sustentabilidade frente às ameaças que pairam contra a vida e o seu modo de viver nas ribeiras do Amazonas e no interior das florestas com hálito de vida sob as ameaças da sombra da morte.

Dos governantes e políticos pouco ou quase nada tem se beneficiado, quando muito uma promessa mirabolante de um programa inventado onde o fim é nebuloso, mas a mídia é miraculosa, pintando um cenário surreal, servindo unicamente para alimentar os apetites de alguns políticos oportunistas, que em conluio com representantes de ONGs nacional e internacional tramam contra o Direito do povo da nossa Amazônia em favor de interesses que violam a soberania popular.

Para esse fim organizam-se Fóruns, Conferências e outros eventos, muito mais para consenso dos seus ideólogos do que para formulação de políticas públicas que correspondam às demandas das populações desta região quanto às questões básicas de saúde, educação, infraestrutura, trabalho e renda. O descompasso das políticas instituídas é de caso pensado, quando não, conta-se com a inoperância da bancada parlamentar em Brasília, que joga muito mais a favor dos megaprojetos, contrariando os benefícios que poderiam ser distribuídos junto à nossa população.

A avaliação da bancada parlamentar da Amazônia em Brasília deveria passar por uma profunda discussão para se saber, conhecer o que cada parlamentar tem feito e o que juntos têm defendido em benefícios das populações dos seus estados, Identificando os atores e os megaprojetos que trituram tanto o meio ambiente de forma corrosivo e danoso como também os sonhos e esperanças de milhões de brasileiros que vivem e moram na Amazônia brasileira.

Por sua vez, é conveniente também que se faça uma profícua discussão sobre as funções das Universidades, Escolas, Institutos e Agências de desenvolvimento que tem por fim promover a produção da ciência, tecnologia e de um capital intelectual capaz de ser criativo e inovador. No entanto, parte deste capital encontra-se perdido nos vícios acadêmicos incapaz de interagir com as políticas públicas em atenção ao desenvolvimento sustentável de nossa gente, estando de costa para as demandas dos movimentos sociais e centrados unicamente nos interesses corporativos da carreira acadêmica, consumado na letra morta das dissertações e teses que traduzem pouco ou nada da realidade local, navegando também numa floresta de papel sem cheiro, gosto e rosto.

(*) É professor, antropólogo e coordenador do NCPAM/UFAM.

Fonte: NCPAM

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