sexta-feira, 13 de abril de 2012

MANAUS, UMA CIDADE SEM RUMO

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Ellza Souza (*)

Na segunda-feira (10) o povo amanheceu sem ônibus. Não que tivesse um dia. O transporte coletivo em Manaus é vergonhoso. Não atende a nenhuma necessidade. E em entrevista a um jornal da cidade, o prefeito em exercício, o juiz mais antigo anunciou que é apenas “uma nuvem passageira”. Ouvi também de uma passageira desesperançada que voltava para casa após a manhã inteira na parada apreciando o caos na avenida que alguns moto táxis estão cobrando 10 reais para ir ao centro. Parece uma terra sem lei.

Todos os políticos querem ser prefeitos mas nenhum faz o seu papel direito. Vergonhosamente o povo (e não é só o amazonense não) se deixa levar por propagandas enganosas e vota nos mesmos sem uma reflexão, sem um espírito de renovação, de buscar melhorias reais para a sociedade. Nas vésperas das eleições a televisão entra nas casas com as promessas de sempre: viadutos, pontes, parques, aterros, arenas e isso enche os olhos da maioria.

Quem não tem nada se contenta com cimento armado. O que interessa mesmo não está em pauta: educação de qualidade, saúde, bons profissionais em todas as áreas, transporte coletivo, cuidado com o meio ambiente, calçadas para o pedestre e não para ambulantes, ruas limpas, patrimônio histórico revitalizado. Por muito menos o povo se revoltou em outros lugares.

Aqui mesmo em Manaus os estudantes já foram mais exigentes e mostravam aos governantes a sua insatisfação. Hoje, porém, somos excessivamente pacatos. Brigamos às vezes por nada e nos recolhemos no momento de manifestar a nossa indignação. E aí ficamos com os maus serviços públicos e a esculhambação geral. E tudo começa na hora de votar. Tá certo que os maus políticos confundem a opinião pública e não fornecem uma boa educação por não precisarem dela. Seus parentes estudam no exterior. Têm bolsa pra tudo. E para o eleitor bolsa esmola.

Precisamos acordar e votar nos menos ruins. Do jeito que vai vamos acabar com o planeta e com a espécie humana antes do propalado fim do mundo. Tá na cara.

Preciso ir ao centro e não tem como. De fusca o trânsito educado e sereno não permite. A pé não tem pé que agüente. Os ônibus estão parados por algum motivo. E o povo tem mil e um motivos para não votar na mesmice e acordar do sono em berço esplêndido. Acorda Manaus.

(*) É jornalista, escritora e articulista do NCPAM/UFAM.

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