domingo, 22 de abril de 2012

Perdemos a eleição de Tefé “Sem perder a ternura”

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Minha crônica vem descosida, com saudade do passado. Deveria ligar para meus amigos bolchevistas que sonham com socialismo de Karl Marx. Hoje acordei com saudade do tempo em que a fé era um sentimento da esquerda. Esse surto de Leninismo ainda me causa arrepios sistemáticos, como era gostoso o nosso socialismo. Hoje acordei com saudade das tardes em que o Hector Vitor, Antônio Júnior, Marcos Queiroz e eu, nos debruçávamos sobre a cartilha da Corrente Socialista dos Trabalhadores – CST no Diretório Central dos Estudantes – DCE. O Hector Victor me contava fascinado a história de Trotsky e da revolução de outubro, a primeira revolução proletária vitoriosa do globo terrestre nasceu livre. Não poderia ser de outra forma. Sem levar a liberdade a sua última consequência, uma revolução é sempre derrotada. Igualmente a cristo, Trotsky teve na palavra o seu maior poder. Comandante do exército vermelho poderia ter executado um golpe de estado que eliminasse Stalin e conduzisse-o ao poder ditatorial no nascente estado operário. Mas não o fez porque considerava que apenas a mobilização dos trabalhadores Russos poderia derrubar Stalin. Trotsky não queria o poder pelo poder, mas sim o poder para o avanço da revolução e liberdade da humanidade.

Falo dessas coisas neste momento para relembrar a última eleição que participei em Tefé ao lado do camarada Abel Alves e do poeta Alexandre Otto. Passei precisamente quinze dias no município. Assisti uma cidade destruída pelo atraso administrativo, uma cidade imóvel, fora de foco, onde a desigualdade social é a marca registrada dos governos passados, uma cidade em crise, vi as nossas crianças sem perspectivas de futuro. Assiste a cidade em meio às imagens trêmulas, riscadas, fora de foco. Vi a precariedade das famílias pobres em meio à riqueza das famílias próximas ao poder. Era um capital humano de pessoas. Confesso que foram os quinze dias para entrar para história da minha vida política.

Enfrentamos naquela eleição de peito aberto a máquina do poder federal, estadual e municipal. Fomos para o campo de batalha apenas movido pelos nossos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade. Foi à luta de Davi contra Golias.  

Perdemos a eleição e pela primeira vez chorei, não pela derrota, mas, pelo povo. Apreendi lições naquela eleição que vão me acompanhar para o resto da vida. 

Fica aqui a lembrança do comício do bairro do São José, dos companheiros do Abial, Marajó, Jutica, dos catraieiros, mototaxistas, dos feirantes, dos líderes estudantis da UEA que incorporaram nossa campanha e da população que nos abraçou de forma tão fraterna.  É esse carinho que nos mantém vivo e que nos faz lutar pelo mundo mais justo. 

Fica aqui minha homenagem ao Doutor Abel Alves que não desiste do sonho de administrar a sua cidade.  O que mais me surpreende nele é o seu entusiasmo pelas ideias em que acredita.

Há personagens com tal estatura histórica que, independente dos adjetivos e de todos os advérbios, ainda assim não conseguimos retratá-los em nada que possamos dizer ou escrever. Abel Alves é um desses personagens que tenho o prazer de conviver.

Hegel dizia que existem personagens cuja biografia não ultrapassa o plano da vida privada, enquanto outros são os personagens cósmicos, estes cujas biografias coincidem com o olho do furacão da história.

Abel é um destes personagens cósmicos. Basta olhar em sua história política e profissional e não é possível encontrar nada que possa macular sua biografia.

Para finalizar minha nostalgia descrevo Che. Perdemos aquela eleição “Sem perder a ternura”.

 “Deixa-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é feito de grandes sentimentos de amor.”

ATT,

Alex Mendes

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