domingo, 15 de abril de 2012

Réquiem para um lusíada amigo

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Foto: Blog do Rogelio CasadoArmando e sua esposa Sr.a. Lurdes
Por Alexandre Otto(*)

Vai português 100% brasileiro, Armando velho de guerra, vai para o céu onde Camões e Fernando Pessoa estão, pois eras um gajo lusitano de bom coração, à todos tratavas com a mesma doçura democrática em teu bar inumerável de espuma e amizade, eras assim com todos, rude com quem faltava com o respeito ao ambiente e dócil com aqueles mesmos que tentavam passar um fiado incidental no teu lucro geladíssimo.

A turma toda gostava de ti e de tua esposa, que também dava resposta crua na ponta da língua, aliás essa senhora, Armando, me lembra Inês de Castro, aquela que foi rainha mesmo depois de morta, e que em vida enfrentou o Rei de Portugal, pedindo clemência para seus filhinhos, coisa que não foi ouvida pelo avô, e a morte da linda Inês e das crianças, é um bacalhau afiado que nos corta a alma até hoje.

Por que ser tão duro até com os inocentes? Infelizmente isso está escrito nos Lusíadas, um dos mais belos poemas da literatura universal.

Certamente, Armando, irás te encontrar no céu com a doce e linda Inês de Castro, que representa para nós, brasileiros, um sopro de esperança na alma de nossas mulheres, aliás que são descendentes épicas da alma feminina portuguesa.

Tudo isso, Armando, e mais o sabor das viagens de Vasco da Gama, encontrávamos no teu bar, envolto sempre em neblinas ,mágicas de cevada e pernis suínos talvez servidos somente num Olimpo de tamancos navegando na história, como disse certa vez um escritor nosso de cada dia.

Tu, português, eras todo o Portugal presente ali no teu bar de fama internacional, do sanduíche a peixeira que cortava o leitão assado e que também servia para coçar a tua costa que temperava com amor salgado aquela delicia que nos servia gentilmente. E ninguém reclamava de nada, Armando, sabe por que Amigo? por que eu, Ademir Ramos, Paulo Onofre, Palheta, Ameci, Stones Machado, Américo Madrugada, Marquinhos, Marcão, Alex Mendes, Elson Melo, Serafim, Rinaldo Buzaglo, Rocha, Toscano, Pacheco, Deco e tantos outros inumeráveis biqueiros, te amamos.

(*) Alexandre Otto é poeta, membrodo Clube da Madrugada.

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