terça-feira, 1 de maio de 2012

Comida de Alma para Fadiga e Doenças Ocupacionais

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Por: Naomi Doy 
 
Para o sociólogo José Pastore, professor de relações do trabalho da Universidade de São Paulo, Brasil, temos motivo para comemorar e lamentar o Dia do Trabalho no Brasil: houve queda visível do desemprego, a renda aumentou, a formalização do emprego avançou muito. Mas continua a haver muita desigualdade, instituições e legislações trabalhistas poucos evoluíram, 45% dos brasileiros ainda vivem na informalidade (Folha de S.Paulo, Empregos, 29/04/2012).

Dados divulgados pela rede americana CNN-Report em 28 de abril último alertam sobre a epidemia de morte de trabalhadores na Ásia, devido a doenças ocupacionais. Já em 2008, a ILO-International Labor Organisation estimava que mais de um milhão de trabalhadores asiáticos morriam a cada ano por doenças ocasionadas por ambientes insalubres, envenenamentos e falta de assistência apropriada. Ao mesmo tempo, a CBS-News informa que, pelos recentes estudos, 40 milhões de trabalhadores americanos (30% da força trabalhadora civil do país) dormem menos de seis horas por noite. Ao lado da segurança ocupacional, uma boa noite de sono e descanso ajuda a impulsionar a saúde do trabalhador. Pesquisas mostram que falta de bem dormir aumenta riscos de diabetes e obesidade.

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Canja de frango, sopas, brodos, minestrone, okayu e chicken zohsui: pratos mágicos

É sabido que estresse laboral traz sequelas nocivas para o trabalhador, em forma de moléstias físicas e emocionais como alterações cárdio-respiratório-digetivas, transtornos do sono, desmotivação e alheamento – que podem levar à morte. No Japão, a palavra karoh-shi define isso: karoh=excesso de trabalho, e shi=morte. Karoh-shi é um acontecimento fatal por sobre-esforço, considerado uma doença relacionada ao trabalho e ao estresse ocupacional, frequentemente associado a longos períodos de horas trabalhadas. Antes de atingir tal extremo, é provável que a pessoa já esteja sofrendo o que lá chamam kakure hiroh – fadiga físico-mental oculta. Tal fadiga pode ser exacerbada por problema comum em muitas ocupações: trabalhadores se sentem subvalorizados ou totalmente desprezados pelo que fazem. É o caso de donas de casa atribuladas com afazeres e filhos pequenos: sem poder contar com ajuda extra nem incentivos, desenvolvem cansaço e desmotivação inexplicáveis que levam a alheamento e tristeza profunda. 

O programa Asaichi/Morning Market da TV japonesa NHK debateu, no dia 25 de abril, as causas do hiroh e como é possível se recuperar dessa fadiga, para além de exercícios físicos de aptidão, relaxamento ou alongamentos. Pesquisadores em Tóquio estudaram os efeitos de uma enzima proteica que combate o fator fadiga (FF) que provoca cansaço, desmotivação e embotamento entre donas de casa japonesas. É o FFR (sigla em inglês para fator de recuperação da fadiga) imidazol dipeptide – fortemente presente, entre outros, na carne do peito de frango, mais concentrado no sasami, o filé mignon, parte interna do peito de frango. Na verdade, aves que voam apresentam maior concentração dessa enzima, pois o fato de movimentar as asas e os músculos peitorais incentivaria a produção do imidazol. Para tornar o peito de frango mais úmido e saboroso, chefs apresentaram diversas receitas. O segredo é passar o filé, já temperado, em farinha de trigo ou polvilho de maisena antes de fritar, grelhar ou cozer. O imidazol dipeptide é realçado se o filé do peito for cozido em ensopados, molhos, picadinhos, curry rice, strogonoff etc.. Para tirar o cheiro de frango, a dica é marinar os filés em caldo de limão e jogar em água fervente por uns dois minutos, antes do preparo. Seguindo a dieta do peito de frango, pessoas com esgotamento físico-mental recuperaram a alegria de viver em uma semana!

Bem faziam nossas avós no interior paulista: quando alguém caía de gripe ou convalescia de doença, elas caprichavam num bom caldinho de galinha e legumes, acrescido de arroz cozido ou udon, macarrãozinho, cappelletti – para levantar até defunto, diziam. As casas tinham seu poleiro no fundo de amplos quintais, galinhas ciscavam alegremente na área com seu séquito de galo e pintainhos. Estes logo viravam graciosos frangos e frangas, até recebiam nomes, adotados que eram como aves de estimação pelas crianças da família. Canja, sopa, brodo, minestra, okayu, zohsui – cada família tinha a sua receita de caldo de galinha, com sotaque caipira e tempero português, espanhol, italiano, ou japonês, para os dias de frio ou para convalescença de seus doentes. “Gallina vecchia fa buon brodo”, diziam sábias mammas de vizinhas famílias de imigrantes italianos. Mães japonesas muito aprenderam com elas.

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