quarta-feira, 27 de junho de 2012

Democracia ameaçada na América Latina

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"Hoje, não é Fernando Lugo que recebe um golpe, não é Fernando Lugo que é destituído; é a história paraguaia, sua democracia"

Por Jornalismo Carlos Costa – A destituição quase sumária do bispo e presidente do Paraguai, acusado de ser mulherengo, Fernando Lugo, é um péssimo exemplo para a frágil e ainda não consolidada democracia da América Latina!

A história política do Paraguai, diz que ele descoberto por Aleixo Garcia e Sebastião Coboto, em 1524, sob as ordens da Espanha teve sua capital Asunción fundada por Juan de Salazar y Espinosa, natural de Espinosa de los Monteros, sendo mais tarde consolidada por Juan de Ayolas. Mas  sempre alternou momentos de ditadura com poucos momentos de uma frágil democracia. Colonizado desde seu início, o Paraguai só conseguiu a independência da Espanha em 1811.

Depois, passou por 35 anos sob a ditadura militar de Alfredo Stroessner, e após 1989 foi se sucedendo politicamente entre  democracia política e ditaduras militares, marcado por lutas políticas internas nos últimos anos.

Mas a destituição do presidente Fernando Lugo, em menos de 24 horas pelo Congresso Nacional Paraguaio, colocou em risco toda a frágil democracia na América Latina, definição  dada pela primeira vez em 1856, pelo filósofo chileno Francisco Bilbao e repetida no ano seguinte pelo escritor colombiano José Maria Torres Caicedo.

Contudo, com história bem recente de ditaduras militares na Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Colombia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela, vivendo sob uma ditadura às avessas, além de outros onze territórios que não são considerados países, mas, ainda, assim, são independentes, a destituição do presidente Lugo parece ser um “golpe branco”, embora esse argumento tenha sido rejeitado pela Suprema Corte do Paraguai, que considerou legítima sua destituição, a substituição de seu vice, que até já convocou novas eleições.

Não que Fernando Lugo seja um santo em sua totalidade, pois foi denunciado por ter um filho com a ex-coordenadora da Resistencia Ciudadana (“Resistência Cidadã“), Damiana Morán (quando ele ainda estava oficialmente ligado à Igreja Católica) que conheceu em 2003, e começou um romance com o bispo Lugo em 2006 e também com mais duas outras mulheres, Viviana Carrillo e Benigna Leguizamón.

As duas também denunciaram Fernando Lugo por não ter cumprido o celibato, em face de terem denunciado ter filhos com o bispo-presidente, mas o povo o elegeu.

Destituído pelos Senadores, quase sem direito de defesa e formando um governo paralelo, coloca em risco toda a frágil democracia na América Latina, porque expõe lembranças de períodos negros da história recente de alguns países.

O bispo Fernando Lugo foi eleito com 40% dos votos da população paraguaia, há pouco mais de um ano e decidiu não renunciar, mas foi destituído pelo seu Congresso. Não discuto a destituição, porque o Congresso tem esse poder, mas a forma como se deu é que estou questionando. Está certo que o Paraguai é um país de maioria católica, mas o Congresso deveria ter respeitado a eleição de um bispo católico, esperando uma mudança para melhor. Mas os erros do presidente que é bispo católico, mais parecem um castigo imputado pelo Congresso, que não perdoou seus “pecados”.  O Congresso deveria ter, ao menos, respeitado aos votos que ele teve nas urnas.

Acuado pelas denúncias de mortes de campesinos e policiais,  atormentado pelo passado, o presidente continua negando qualquer envolvimento com as mulheres, mas pediu perdão dizendo-se “um ser humano, portanto, nada humano me é alheio. Assumirei todas as responsabilidades presentes e futuras”, disse o presidente. Mesmo assim, foi cassado pelos senadores de seu país.

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