segunda-feira, 18 de junho de 2012

NESCAU DA MAMÃE - MEMÓRIAS DE UM PASSADO!

1 comentários

Estátua do Pequeno Jornaleiro, no Rio de Janeiro, inaugurada em 1933 pelo prefeito Pedro Ernesto
Por Jornalismo Carlos Costa
- Faz só morno, mãe! – dizia eu para mãe Josefa, que acordava sempre comigo!

Um copo de Nescau morno, um sanduiche de pão com ovo, ingerido sempre apressado, alguns minutos antes da caminhada até a parada e o deslocamento em um ônibus de madeira da empresa Ana Cássia, era tudo o que eu precisava para deixar minha casa e  vender jornais nas ruas de Manaus no final da década de 70 e início da de 80.

Do bairro da Betânia, eu tinha que sair cedo para “apanhar”  exempllares nas sedes das redações os jornais A CRÍTICA, na Rua Lobo D’Almada, JORNAL DO COMÉRCIO, na Avenida Eduardo Ribeiro e A NOTÍCIA, na Praça Tenreira Aranha, para vendê-los. Colocava-os embaixo do braço e seguia para a Rua Marechal Deodoro, onde os espalhava no chão, em frente à sede dos Correios e atendia aos fregueses.

Acordava sempre às 4 horas da manhã para pegar o primeiro ônibus. Caminhava pelas ruas de um bairro que estava surgindo fruto de um loteamento, em meio aos pés de cajus e areia, muita areia branca! Não tinha nada: água, luz, asfalto. O ônibus que pegava fazia sua estação em frente ao Batuque da “Mãe Zulmira”, no Bairro Morro da Liberdade. Era um pouco distante e fazia o percurso a pé.

De madrugada, ouvia minha mãe sempre dizendo: “Vá com Deus” e “Deus te abençoe, meu filho”. Eu respondia: “Fique com Deus a senhora também, mãe”, mas não sei se ouvia.  E ela me deixava à porta de casa até que eu seguisse caminhando pela Avenida  Adalberto Valle, onde morava no número 68, subisse a ladeira que se iniciava no chamado “Buraco da Vovó”, que terminava quase em frente ao Batuque da “Mãe Zulmira”, já no Bairro Morro da Liberdade.

Conduzido por um motorista sonolento e eu também, tirava cochilos vez ou outra, tombando de um lado para o outro em cada curva e tomando sustos a cada freada. Costumava sentar nas últimas cadeiras de madeira do ônibus, até que conheci uma moça que trabalhava no Supermercado Agromar e passei a sentar-me ao lado dela só para conversar e  “espantar meu sono”.  Ela sentava sempre um pouco mais à frente.

Tinha a sorte de sempre pegar o coletivo de um motorista que tinha o nome João não sei do quê. Ele sentava sempre meio de lado no banco do motorista, era forte e diziam que tinha sido policial, mas estava aposentado e, para sobreviver, dirigia coletivos. Mas nunca soube se isso era verdade.

O certo é que depois dos solavancos que levava no desconfortável ônibus de madeira, descia em uma parada na Rua Luiz Antony todo serelepe, de bermuda apenas, rumava até a Rua Lobo D’Almada para “pegar” o Jornal A CRÍTICA, por uma pequena janela que existia, aberta só para esse fim, das mãos de uma pessoa que atendia pelo sugestivo nome de “Buraco”, talvez porque ele entregasse os jornais por uma espécie de buraco mesmo, na parede de cimento e tijolo do jornal, aberto só para esse fim!

Também nunca tive coragem de perguntar como era o nome do “Buraco” porque todos os jornaleiros mais antigos do que eu, o chamavam assim e eu passei a chamá-lo também pelo mesmo apelido.  O “Buraco” ainda está vivo e é motorista na Prefeitura Municipal de Manaus!

Depois, caminhava à Avenida Eduardo Ribeiro e pegava poucos exemplares do JORNAL DO COMÉRCIO que, embora fosse muito bom na época, vendia pouco, mas vendia bem aos domingos, mas não sei explicar a razão ou por quais motivos isso ocorria.

Depois descia até a Praça Tenreiro Aranha e apanhava exemplares do Jornal A NOTÍCIA, sobre o qual, diziam que “se espremesse saía sangue”. Tudo se devia às manchetes alarmantes que o genial jornalista Bianor Garcia, conseguia escrever na sua primeira página.

Tanto os jornais A CRÍTICA e A NOTÍCIA, disputavam a preferência dos leitores daquela pacata Manaus do final dos anos 70 e início dos 80. Os jornais A CRÍTICA e A NOTÍCIA se rivalizaram por longos anos na preferência dos leitores de Manaus, mas, como jornaleiro  sempre vendia bem igualmente aos dois!

Era essa a vida do jornaleiro Carlos Costa, hoje jornalista, assistente social e professor universitário aposentado por invalidez aos 49 anos  de idade!

1 comentários:

Anônimo disse...

muito bom companheiro Elson...Carlão Costa é um verdadeiro herói da nossa epoca....assim como todos nós que vivemos naquela Manaus morena dos ano 70 e 80...leitura boa, mande mAIS OU RECOMENDE O TITULO DESSE RELATO.
DÁRIO ALVES

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