quinta-feira, 5 de julho de 2012

Ninguém de Fora!

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“Todos somos responsáveis pela história, por ação, ou por omissão!” Estas eram as palavras de ordem do Senador Teotônio Vilela nos idos do final da década de 70, e inicio dos anos 80.

A luta pela democracia representativa teria seu desfecho, e ampla consolidação, apenas a partir do ano de 1989, com a eleição de Fernando Collor de Melo.

Naquele momento, o bipartidarismo, expresso pela Aliança Renovadora Nacional - ARENA, e pelo Movimento Democrático Brasileiro – MDB, haviam sido desfeitos e partidos de todas as matizes ideológicas como o Partido dos Trabalhadores -PT, Partido Democrático Trabalhista - PDT, Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB, Partido Popular Socialista – PPS, Partido da Frente Liberal –PFL, Partido Liberal – PL, foram surgindo no cenário politico brasileiro, em conjunto com siglas já existentes anteriormente, como o Partido Socialista Brasileiro – PSB, Partido Comunista Brasileiro– PCB, Partido Comunista do Brasil – PC do B,  e  Partido Trabalhista Brasileiro – PTB, entre outros, proporcionando um verdadeiro arejamento de ideias no seio da politica nacional, que passaram novamente a atuar como protagonistas da história e na luta por uma democracia, que embora movediça anteriormente, fora interrompida pelo golpe de 64, e pela ditadura militar,.

Entretanto, duas décadas depois o balanço não é nada positivo.
 
A proliferação de novos partidos, alcançando mais de vinte e cinco siglas partidárias, atualmente,  em muito pouco contribuiu para a ampliação de uma democracia representativa e digna deste nome. Muito pelo contrário. A ideia de que a politica é feita em nome de uma “governabilidade” ou de uma “governança”, implicando em um vale tudo para conquistar a maioria e a garantia de número de votos para a implantação de politicas do governo no Congresso Nacional, fez com que os partidos se tornassem apenas, e tão somente, moedas de trocas para os governos de plantão e, cada vez mais, se assemelhando uns aos outros, na busca incessante por cargos, e outras benesses,  onde qualquer ideologia fora deixada de lado, aumentado despudoramente os escândalos de corrupção.

Neste sentido, aqueles que anteriormente eram vistos como adversários e mesmo inimigos, passaram a andar de mãos dadas reafirmando apenas a idéia de que “brasileiro tem memória curta”. “Olhar para a frente, e não pelo retrovisor”. É a sublimação de que os antigos algozes não eram tão maus como se pensavam.

Assim, neste caminhar, começa a sobressair o desalento para com os políticos e seus partidos políticos, com as exceções de sempre, e que tem afastado milhões de cidadãos de bem do amplo debate rumo aos verdadeiros interesses nacionais.

É possível ainda crer nesta Democracia representativa onde a obrigatoriedade do voto torna este um rito apenas um cumprimento de um certo “dever cívico” ? Qual alternativa dispõe a população frente a este modelo? Como caminhar para uma democracia, de fato, participativa onde todos opinam, tem vez e votos? Como enfrentar a insuportável idéia de que somos nós que colocamos, com nossos votos, os políticos que “nos representam” e que passamos a odiar? Por que isto ocorre?

Talvez uma mudança radical seja o grande desafio da sociedade brasileira para os próximos anos e, quiçá, para as próximas décadas.

Como paliativos e contraponto a ideia da democracia participativa surgem propostas de um Controle Social e da Transparência na gestão pública. Ledo engano! Embora iniciativas como a da lei de projetos de iniciativas popular e a Lei de Acesso a Informação sejam um inicio, apenas representam migalhas frente ao desejo verdadeiro de se deter o controle das ações dos governos em todas as esferas de poder; onde aplicar o dinheiro que é de todos, quais as prioridades da população neste momento em que a educação encontra-se deplorável, que as filas na saúde são quilométricas, as estradas são uma lastima, a distribuição de renda é horrível, apesar do engodo da Bolsa Família, entre tantos outros problemas que assolam a maioria da população em todos os estados e municípios do país.

Frente a todas estas situações coloco-me uma indagação que insiste em me consumir quase que cotidianamente: A sociedade brasileira, cada homem e mulher, de fato, querem mudança? Me recordo de uma frase de Milton Santos que disse certa vez: “a classe média brasileira não quer direitos, quer sim privilégios”.

Não serão pela manutenção destes privilégios que tornam a concepção de democracia participativa algo que soa distante e quase impossível? Por onde andam os intelectuais que outrora detinham papel de fundamental importância para pensar o país? Por onde andam os sindicatos que sempre estiveram a frente de inúmeras lutas? Por onde andam os mais diversos movimentos sociais, antigas vanguardas de mudanças verdadeiras? Foram cooptados por este sistema que a todos e a tudo engole?

Creio que somente uma verdadeira e ampla democracia participativa possibilite não deixar “Ninguém de Fora” na construção desta sociedade que alvejamos e pela qual sonhamos um dia.

Como diria Darcy Ribeiro: “já passo sentir na pontinha dos dedos esta utopia se concretizando”. Basta querermos. Mas, de fato, queremos todos?

São Gabriel da Cachoeira- AM, Julho de 2012

Carlos Augusto Santos
UBE 3782

Peço apenas que leiam, reflitam e divulguem!

1 comentários:

Carlos Costa disse...

Fantástica análise política você fez, Carlos Augusto Santos. Na verdade, o excesso de partidos políticos causou, também, o excesso de escândalos políticos. Não estou defendendo o tempo em que meu sogro, o advogado Francisco Guedes de Queiroz, exerceu por 26 anos o mandato parlamentar consecutivamente e morreu pobre embora fosse advogado, ter exercido interinamente a vice-governança, assumido a presidência da assembléia, depois nomeado para o Tribunal de Contas dos Municípios, enfim. O que ele deixou? Nada! A casa que ele admitiu pelo SFH foi quitada com sua morte. Hoje, faz-se conchavos mesmo antes de se chegar ao poder, infelizmente. Está podre a nossa política e não vejo qualquer remédio para curá-la porque o voto continua sendo obrigatório e não do livre convencimento do eleitor! Uma pena!

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