terça-feira, 3 de julho de 2012

O perfil dos candidatos e o comportamento eleitoral

2 comentários

Ademir Ramos (*)

As eleições reclamam dos candidatos investimentos de diversas ordens.  De início espera-se que o candidato tenha algum lastro de conhecimento vinculado a um determinado trabalho social ou situação de comprometimento que justifique a sua candidatura. Ao contrário, pode também ser um “candidato proveta” bancado financeiramente por grupos empresariais que visam, sobretudo, se apropriar da máquina do Estado a serviço de interesses privados.

No passado, os candidatos consultavam os oráculos, os terreiros, os templos com propósito de ler e compreender os sinais que afirmavam ou não suas lideranças na perspectiva da conquista do poder em questão. A narrativa desses fatos ganha visibilidade ainda mais na história do império Romano. 

Atualmente, os candidatos recorrem a leituras menos obscuras, valendo-se das ciências sociais para avaliar, analisar e definir estratégias eleitorais frente ao comportamento dos eleitores. Nesse campo, a Sociologia torna-se uma das principais ferramentas para se compreender o fato social e político, recorrendo às estatísticas para quantificar e qualificar a manifestação dos eleitores. Somado a estas questões formulam-se novos gradientes metodológicos visando compreender a política como “fato social total” amparada nas condições materiais que determinam as opções individuais ou de massa.

Muito antes da Sociologia, Maquiavel, em particular, já destacava o valor das aparências na prática do poder, enaltecendo a política não mais como serviçal da doutrina eclesiástica, mas com protagonista dos interesses em disputa garantindo espaço e domínio sobre território a ser conquistado.

O risco das consultorias políticas muitas vezes é não saber conjugar a política no campo qualitativo, reduzindo suas pesquisas nos índices estatísticos, ignorando o pântano que é o universo das culturas de massa, induzindo os candidatos a erros primários, que resultam em perdas irreparáveis no universo eleitoral. Desse modo, os marqueteiros desavisados, que não ampliarem seus diálogos com as ciências sociais – política, cultura, psicologia, sociedade – não prosperarão nesse campo porque a compreensão do fato é mais importante do que o ocorrido. Assim sendo, faz-se necessário tipificar o voto e trabalhar em diversas frentes sob o foco do realismo político considerando a perversa desigualdade social que nos bate a porta.

Nesse contexto, as lideranças messiânicas são capazes de prosperar se forem contempladas com tempo razoável no rádio e televisão. O perfil desses candidatos nota-se pelas promessas fantásticas, de fala fácil, dizendo que tudo fazem e resolvem porque só eles são capazes de resolver o problema do povo. O poder de persuasão desses iluminados soma-se com a cultura de massa, despersonalizando o voto e reduzindo o eleitorado num rebanho de ovelhas convencidos que o matadouro é o melhor caminho para se alcançar o paraíso e que tais candidatos são identificados como o “pai ou mãe dos pobres”, principalmente, em se tratando de um povo que vive em extrema pobreza. 

O voto por conveniência é outra tipificação que denuncia o comportamento do eleitor que se deixa seduzir por interesses familiares e patrimoniais. Neste segmento os eleitores manifestam-se por demandas imediatas, individuais e particulares, possibilitando ganho direto para seus familiares, exigindo dos candidatos forma de retribuição. A manipulação do voto e a promessa do eleitorado são feitas a todos os candidatos que se apresentarem nesse território. O corporativismo nesse meio é uma das marcas dessa fração social bem ao molde do perfil do servidor público obtuso e de outras representações sociais oportunistas, que de forma viciada trafegam na política para ostentar e afrontar aqueles que realmente reclamam pelo Direito.

O voto por opção é bem diferente podendo ser compreendido tanto de forma objetiva como subjetiva. Isto é, o eleitor sustenta certa identificação com o candidato tendo por referência as propostas apresentadas. Embora tenha discordância, sua decisão respalda-se na trajetória política dos candidatos traduzindo confiança e credibilidade.  Nessa circunstância, o eleitor é convocado a avaliar, analisar e optar por um nome, partido e propostas que respondam as indagações que se faz quanto à empregabilidade, juventude, saúde, educação, meio ambiente, cultura, responsabilidade e outras questões sociais e políticas que exigem da sociedade e dos Agentes Público posicionamento firme na formulação de política pública que propiciem o acesso e a oportunidade para todos. A opção é um ato de escolha que requer do eleitor responsabilidade e cidadania exaltando a política como instrumento de luta para garantir Direitos com Justiça Social.

(*) É professor, antropólogo e coordenador do NCPAM/UFAM.

2 comentários:

Carlos Costa disse...

Perfeita sua análise política, companheiro Ademir.

ELIANDRO BRUNO OLIVEIRA disse...

É isso mesmo!

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