domingo, 8 de julho de 2012

Os "serviçais" do povo, o tráfico e a corrupção

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Por Fernando Lobato_Historiador

A ideia central em torno da palavra DEMOCRACIA diz respeito a uma suposta inversão na histórica relação de poder entre povo e governo, ou seja, que, na contramão do passado, é o povo e não o governo que agora dá as cartas no processo político. Dessa suposta inversão vem a ideia do governo como mero serviçal do povo, ou melhor, de uma estrutura totalmente subordinada e obediente aos que a sustentam com o pagamento de tributos.

Eis porque é ingenuidade pura crer na realidade da democracia aqui ou lá fora, pois trata-se de uma casa ainda em recente construção. Alguns povos já ergueram as paredes enquanto outros mal começaram os alicerces. Mas, apesar das enormes dificuldades que a construção dessa casa exige, é fundamental que cada um procure contribuir com o assentamento de alguns tijolinhos, pois trata-se de uma obra que não avança sem que o povo assuma a sua condição de senhor.

Um termômetro do estágio avançado ou atrasado dessa obra está no nível de corrupção existente na gestão pública. E é com base nele que constatamos a nossa lamentável condição. Provas incontestes disso estão em duas reportagens da edição de 24/06 do Diário do Amazonas. Na primeira, começo destacando a seguinte frase do promotor Fábio Monteiro: "A corrupção movimenta mais dinheiro que o tráfico de drogas".

O autor da frase é o Chefe do Centro de Apoio e Combate ao Crime Organizado (CAO-Crimo) que, há quase um ano, vem realizando investigações no interior do estado. Em mais da metade dos vinte municípios já visitados foram observados fortes indícios de descarado desvio de verbas públicas, principalmente nas áreas onde o povo é mais carente, ou seja, em saúde e educação. O principal duto por onde nosso suado dinheiro some tem o seguinte nome: REPASSE DA UNIÃO.

É graças, principalmente, a esses repasses, que prefeitos fazem a festa em cima da necessidade alheia. Na segunda reportagem, o destaque fica por conta do Prefeito do Careiro da Várzea, Raimundo Nonato da Silva, que pretende torrar 5 milhões na compra de brinquedos para a criançada do município. Ressalte-se que o Careiro sofreu grandes e graves prejuízos com a enchente recorde de 2012, padece de enorme carência de recursos e, em 2010, foi um dos 52 municípios que não cumpriram o mínimo constitucional de 25% de investimentos em educação.

Infelizmente não se trata de gozação ou brincadeira do citado prefeito, pois parece que fala sério quando diz pretender fazer a felicidade da criançada local. É certo que o sorriso de uma criança não tem preço, mas, neste caso particular, trata-se de algo que soa como puro deboche. O que o "SENHOR" POVO acha do ato de seu "serviçal" prefeito? Será que ele se dirigiu ao seu senhor e chefe para pedir-lhe a opinião antes de se decidir por tão "nobre" gesto? Será que a criançada do Careiro vai mesmo conseguir brincar nos tais brinquedos? Será que alguém vai ser punido, para além do "SENHOR" POVO, se a resposta for NÃO?

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