sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Infância destruída por uma cesta básica!

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Maria Benedita da Silva, do Estado do Pará, enquanto chora a morte de sua filha de 11 anos em troca de uma cesta básica, lembra da promessa que os assassinos lhe fizeram: “vou comprar uma cesta básica e levar para a senhora. Sua filha vai estudar...”.

Não estudou e nem estudará a filha de Maria Benedita da Silva,  pois do cemitério aonde passou a residir até a escola em que a menina estudaria é uma distância eterna e a garota tem medo de fantasma de outros mortos vivos iguais ou piores do que seus patrões!

Por que morreu a filha de Maria Benedita da Silva? Por que ela não fora matriculada na Escola? Por que ela teve que trabalhar cuidando de outra criança como ela, tão cheia de sonhos...? Culpar a mãe? Nunca! Culpar o Estado do Pará? Culpar a quem, então?

Ninguém tem culpa diretamente pela morte da filha de Maria Benedita da Silva, mas a sociedade e o Governo são indiretamente culpados pelo crime! A sociedade, porque aceita passivamente as migalhas em forma de bolsas e o Governo por não ter criado bolsa funerária que ampare pobres pais de famílias como a de Maria Benedita da Silva e muitas outras crianças.

Enquanto só no Estado do Pará ainda existem 11 mil crianças e adolescentes trabalhando e sonhando ter profissão de médico, engenheiro, advogado, dentista, assistente social, jornalista ou outras, o Governo não oferece cursos profissionalizantes aos pais ou um tipo de bolsa que seja direcionada aos pais dessas 11 mil crianças e adolescentes que trabalham para que ingressem no mercado de trabalho formal.

Enquanto os pais sem empregos deixam crianças e adolescentes perderem suas infâncias trabalhando como domésticas ou babás, situação considerada normal por quem precisa e entregam suas crianças para famílias da capital em troca de promessas de cestas básicas e educação, o Governo deixa de criar a bolsa pelo menos funerária para apoiá-los...

Dona Maria Benedita, se os patrões de sua filha deixarem a cadeia, não forem julgados ou forem absolvidos, o que não será difícil nos dias da Justiça de hoje, e ainda forem cumprir a promessa de lhe oferecer cesta básica, não a receba porque ela estará manchada com o sangue de sua filha, por mais que  a fome se faça presente!

O Governo, que tem tanta bolsa para transferência de renda, ainda não criou a bolsa transferência de renda para a morte de sua e de outras crianças que também são enganadas com promessas e morrem. O pior de tudo isso, dona Maria Benedita, é que o Governo ainda lucrou com a morte de sua filha cobrando impostos sobre o caixão, vela, flores e outras coisas necessárias ao enterro de sua criança. Hoje, dona Maria Benedita, sua filha não vai para a Escola porque está morta; a escola fica muito longe e ela ainda tem medo de fantasma de pessoas vivas que maltratam, espancam e até matam outras crianças em nome de uma ilusão, sonho e promessas...!!!

E ainda há quem acredite na idéia da Organização Internacional do Trabalho que será possível erradicar até 2015 o trabalho do menor de 5 a 9 anos que trabalha, como a filha de dona Maria Benedita, do Pará, que morreu aos 11 anos de idade, cuidando de crianças de seus patrões.

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