domingo, 23 de setembro de 2012

O fim dos aventureiros da política

0 comentários

A dúvida e a crítica social são excelentes instrumentos para despertar no eleitor(a) a garantia dos seus direitos fundamentais,

Ademir Ramos (*)

A dúvida é um excelente instrumento para se comparar, avaliar e decidir o que fazer. Nas eleições, em particular, esta decisão a ser tomada sofre diversas formas de influências, tentando de todo jeito, fazer com que o eleitor (a) perca a noção do presente achando que todos os candidatos são corruptos e por isso tanto faz votar neste ou na naquela, tudo é a mesma coisa. Para isso, os que assim pensam comportam-se como verdadeiros aventureiros tais como os mágicos que transformam o macaco em mulher barbuda.

Nesse jogo de espelho, estando o eleitor (a) em cena, preso pela situação, passa a acreditar nas promessas mirabolantes de certas candidaturas como se fossem verdadeiros fatos. Preso nessa trama, o eleitor (a) torna-se refém dos marqueteiros e das candidaturas e passam a acreditam “na mulher barbuda” com se fosse a Tereza de Calcutá, dos igarapés de Manaus.

Esse encantamento é uma das manifestações do processo de massificação, que converte muitas vezes o eleitor (a) em massa de manobra capaz de dominar a sua alma, fazendo crer que ele é o que os marqueteiros e as candidaturas querem que ele seja. Esse homem e essa mulher tiveram suas vontades expropriadas e por isso perderam sua capacidade de pensar, decidir e se comportam como ovelhas perseguidas pelos lobos para serem sacrificadas no altar das coligações dos oportunistas, que além de manipular concentram em si toda força, negando as diferenças e apoderando-se do que é mais sagrado, que é a liberdade de escolha sob o taco da dominação e exploração do povo.

Outras situações qualificam o eleitor (a) nas redes de relações. No entanto, não há mal que dure para sempre e o espelho é quebrado e a farsa da “mulher barbuda” é desmascarada pelos homens e mulheres que passam a conceber o mundo e as coisas numa perspectiva da liberdade, a optar pelos candidatos que assentam suas propostas no respeito e na vontade popular.

Esta é a dinâmica dos eleitores responsáveis, transformando a omissão em participação e a passividade em mobilidade. Para esse fim, a dúvida e a crítica social são excelentes instrumentos para despertar no eleitor (a) a garantia dos seus direitos fundamentais, criando, dessa feita, as condições necessárias para o desenvolvimento das crianças e jovens de Manaus de forma justa e sustentável.


(*) É professor, antropólogo e coordenador do NCPAM/UFAM.        

0 comentários:

Postar um comentário