sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A esperança é a última que morre

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Ellza Souza (*)

A festa de São Francisco para a Juventude na Fazenda Esperança que fica na BR-174, foi bastante concorrida com muitas atrações, orações, boas intenções e atitudes positivas. Um arraial animado com barracas de guloseimas, pescaria e venda de produtos como ovos caipiras, biscoitos, sabão artesanal, camisetas, etc. No palco apresentação de música, teatro e na capela muita gente assistia a missa.

O lugar é bonito e bem cuidado pelos jovens que procuram a instituição para se livrar de uma dependência química que tenta destruir seus sonhos e suas vidas transformando-os em joguetes abandonados e arrasados por drogas feitas somente para exterminar com os seres humanos principalmente os mais jovens que buscam novas experiencias sem medir as consequencias. Como o jovem primeiro faz e depois pensa cai como um patinho nas garras dessa prisão que é a dependencia.  E aí fica difícil sair pois o tratamento é caro e os governos não estão interessados em validar uma política pública nessa área que seria em primeiro lugar uma educação de qualidade englobando conhecimento, lazer, cultura. Os que passasem por essa “triagem” e assim mesmo buscassem qualquer tipo de substância ilícitas ou lícitas como o álcool e o cigarro, aí o governo teria os lugares apropriados para tratar dignamente quem quisesse se libertar do que se tornou um vício.

Mesmo a sociedade se fazendo de cega está na cara o aumento dos jovens envolvidos com drogas cada vez mais esquisitas e mortais. Qualquer caso de violência extrema quase sempre é movido por alguém que mata e esfola para conseguir a tal droga que o levará à sua própria morte sem nunca ter vivido satisfatoriamente nessa vida tão efêmera. Se a nossa vida é curta temos que vive-la intensamente bem sem colocar o consumismo como primeiro passo da existencia em grupo. Antes de ter precisamos zelar pelo nosso ser.

Jander, 27 anos, sorriso bonito, cara de felicidade, estava circulando na festa da Fazenda quando o abordei para lhe fazer algumas perguntas. Está ali há 7 meses. Não tem profissão e estudou até a 6ª. série do ensino fundamental. Seu pai, traficante, abandonou a família e aos 15 anos entrou de cabeça no mundo das drogas. Usou maconha, pasta de cocaína, álcool. A mãe lhe deu todo o carinho e amor que ele precisava mas o amor de um pai lhe fez muita falta na sua vida. “Não conhecia a Fazenda Esperança e a conheci através de programa de televisão”.  Aprendeu durante esses meses todos a lidar com o amor próprio, sua dignidade, auto estima e está “feliz” por reconhecer o valor da palavra amor e de Jesus.

Jander mora na zona leste de Manaus e vai ficar um ano na Fazenda Esperança. Trabalha na Casa São José que cuida da limpeza da fazenda e da roçagem. No local os jovens cuidam de tudo e fazem roça, jardinagem, pão e biscoito, artesanato e outras atividades que o tornam parte do ambiente em que vivem provisoriamente até se sentirem firmes para cuidar de suas próprias vidas.

Como Jander muitos outros já se preparam para sair fortalecidos e prontos para enfrentar o mundo de cara limpa e conscientes de seu papel na sociedade. O jovem só tem a agradecer à sua mãe que nunca desistiu de lutar por ele, apesar de ter mais cinco filhos pra criar e um marido que nada construiu apenas desperdiçou a chance na terra de fazer o bem, à sua família e ao próximo, como Jesus nos ensinou.

(*) É escritora, jornalista e articulista do NCPAM/UFAM

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