quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A ideologia como tema recorrente no processo eleitoral

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Nessa hora pode ser favorável ou não, a avaliação que o eleitor faz da conduta dos candidatos no curso de sua trajetória política para Prefeitura de Manaus.

Ademir Ramos (*)

De longe os candidatos parecem todos iguais. No entanto, quando focamos nas propostas e em suas práticas políticas começamos a compreender melhor as cores ideológicas que orientam suas metas eleitorais quanto à densidade do voto.  Nesse processo, os candidatos minimizam suas opções idológicas com firme propósito de estabelecer com o eleitor uma identificação que lhe seja favorável nas urnas. Contudo, quando exagerado, o risco que os candidatos correm é temerário porque perdem o chão de sua historia passando a ser tratados como coisa, sem cor, credo e forma.

A coisificação dos candidatos é um fato muitas vezes motivado pela cultura de massa caracterizada por sua extensão, o que faz com que o eleitor não consiga diferençar um candidato do outro. Dessa feita, “tanto faz votar num como noutro” é a mesma coisa.

Nesse cenário, a ideologia como valor positivo torna-se uma marca necessária no campo da política separando o joio do trigo. O julgamento do eleitor expressa-se nas urnas, mas antes, muito antes, ele começa a “matutar”, não só sobre o discurso dos candidatos, mas, sobretudo, a respeito da vida, história, trajetória e compromisso desses políticos. Nessa hora pode ser favorável ou não, a avaliação que o eleitor faz da conduta desses atores no curso de sua trajetória política.

O eleitor comum está muito mais atento à questão moral dos candidatos do que as suas promessas. Isto significa dizer que não adianta tentar confundir o povo dizendo que agora nas eleições é uma pessoa temente a Deus, aceitou Jesus e por isso está credenciada a merecer o voto das Igrejas. Essa metamorfose ideológica é diabólica, fazendo crer que para se ganhar as eleições tudo é valido até mesmo se travesti de cordeiro entre os filhos de Deus embora sendo lobo.

O tema é recorrente, principalmente, em se tratando de um povo religioso que deposita em seus pastores tamanha confiança no direcionamento de sua formação espiritual centrada no Cristo libertador, como redentor e salvador das humanidades. Contrário e está conduta salvífica, os falsos pastores, quando embriagados pelo vício do capital além de se vender, oferecem aos seus algozes a alma do povo como objeto de troca para amealhar riqueza, poder, arrogância e vaidade.

Mas, Deus escreve certo por linhas tortas, fazendo crer que os oportunistas terão o julgamento merecido e o povo de Deus que abraçou a liberdade, rompendo com o mandonismo do Faraó no Egito, saberá também optar pelo melhor candidato para a Prefeitura de Manaus, o mais experiente, competente e habilidoso capaz de encarnar em suas propostas o pleito dos excluídos, optando a favor dos pobres contra a miséria, a desigualdade e pela eficácia da justiça social.      

(*) É professor, antropólogo e coordenador do NCPAM/UFAM.

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