segunda-feira, 8 de outubro de 2012

As raposas das Academias

1 comentários
O silêncio ensurdecedor dos intelectuais do Amazonas

Ademir Ramos (*)

No passado recente, os intelectuais transformaram as academias em palanques defendendo um novo ordenamento político, em sustentação ao processo de democratização do País. Foram às ruas e praças, escreveram teses, livros e manifestos participando diretamente das lutas sociais. Nessas eleições de 2012, particularmente em Manaus, onde se concentra mais de 10 Universidades, com destaque para Universidade Federal e a própria Universidade Estadual do Amazonas, o silencio impera, os pensadores estão na “moita” como as raposas, esperando o momento para saírem de suas tocas sorrindo e abanando os rabos como gesto de satisfação para os agraciados nas urnas, tentando justificar suas omissões nesse processo.

Tal comportamento não deve ser definido como mera alienação porque esses profissionais estão inseridos no contexto de disputa e como formadores e formuladores de políticas públicas, necessariamente, lidam com o fato político e com seus agentes. Refugiar-se em seus laboratórios amparados por uma visão tecnicista não justifica omissão e muito menos sua responsabilidade intelectual com a coisa pública.

Trata-se talvez de cretinice ou conveniência aliadas com irresponsabilidade. Contudo, quem melhor pode avaliar estas condutas são os próprios alunos que lidam diretamente com esses profissionais e a própria sociedade manauara. 

No entanto, se tratando de formadores exige-se deles atitudes reflexivas capazes de contribuir para a avaliação do quadro político local, rompendo com as neutralidades em favor da coletividade.

No entanto, o chamamento está feito e ainda é tempo dos intelectuais quebrarem o silencio e manifestarem suas forças, afirmando suas opções e justificando as razões que mobilizaram os ânimos em favor de um determinado projeto político e quem sabe venham qualificar os debates e contribuir também para a melhor opção nas urnas, negando quem sabe, toda e qualquer juízo de valor quanto às condutas em debates.

(*) É professor, antropólogo, coordenador do projeto jaraqui e do NCPAM/UFAM.                       

1 comentários:

Fernando Lobato disse...

Meu apoio incondicional ao que diz o Professor Ademir Ramos....esse silêncio ensurdecedor já passou dos limites....a covardia e a omissão não são aceitáveis e muitos menos admissíveis no seio da intelectualidade...

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