quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Escândalos de corrupção Parlamentar que abalaram o Brasil!

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Jornalismo Carlos Costa

Dois escândalos recentes envolvendo parlamentares, no Governo Collor e no governo Lula, envergonharam o Brasil e abalaram a ainda frágil democracia da “republiqueta de bananas”!

Ah, que saudades sinto dos chamados “anões do orçamento”, episódio ocorrido em 1993 que, em CPI presidida pelo deputado  Roberto Magalhães (PFL-PE) que apurou o envolvimento de  37 “representantes do povo” dos quais pediu a cassação de 18  parlamentares da Comissão de Orçamento do Congresso Nacional envolvidos em corrupção de 100 milhões na época. Era parecido com o atual esquema do “mensalão”, mas menos sofisticado. A investigação na CPI resultou em seis cassações por fraudes, seis renúncias e seis absolvições em plenário. 

Ah, que saudades de meu personagem Eleutério que dizia que política era coisa para pobre metido a esperto ou rico metido a besta! Perto das corrupções que já se registraram em nossa “republiqueta já quase de banana”, a que desejava fazer meu personagem se fosse eleito teria sido uma vergonha e poderia literalmente ter ficado no chinelo! Jamais meu personagem teria pensado em um esquema de corrupção tão bem montado como foram os promovidos pelos “anões do orçamento” e com o “mensalão”, descoberto só depois da denúncia de um deputado federal à época.

Em 1993, o relatório final de Roberto Magalhães (PFL-PE) que apurou a denúncia contra 37 parlamentares, pediu a cassação de 18 deles, mas apenas seis perderam o mandato pelo plenário: Carlos Benevides (PMDB-CE), Fábio Raunhetti (PTB-RJ), Feres Nader (PTB-RJ), Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), Raquel Cândido (PTB-RO) e José Geraldo (PMDB-MG). Quatro renunciaram antes: o chefe do bando, João Alves (sem partido-BA), Manoel Moreira (PMDB-SP), Genebaldo Correia (PMDB-BA) e Cid Carvalho (PMDB-MA). Oito foram absolvidos: Ricardo Fiúza (PFL-PE), Ézio Ferreira (PFL-AM), Ronaldo Aragão (PMDB-RO), Daniel Silva (PPR-RS), Aníbal Teixeira (PTB-MG), Flávio Derzi (PP-MS), Paulo Portugal (PP-RJ) e João de Deus (PPR-RS).

O deputado federal João Alves, já falecido, integrante da Comissão do Orçamento do Congresso desde 1972, foi atribuída toda a responsabilidade pela sofisticada corrupção na época.  A empresa fantasma Seval, de propriedade de João Alves que, para justificar sua fortuna declarou que não tinha culpa de jogar e ganhar na loteria esportiva toda semana, cobrava uma taxa para executar os serviços. A partir de Constituição de 1988, os poderes da Comissão de Orçamento foram ampliados, resultando na formação do grupo dos “sete anões”, comandada pelo economista e Assessor Técnico do Orçamento, José Carlos Alves dos Santos - preso mais tarde por suspeita de ter assassinado sua mulher Ana Elizabeth - promovia os ajustes nos projetos para incorporar as emendas dos congressistas e financiar campanhas políticas com subvenções sociais dos Ministérios e “entidades fantasmas” registradas no Conselho Nacional do Serviço Social e controladas pelos próprios parlamentares que elaboravam as emendas. De 1989 a 1992, cresceu em quase três mil por cento o número de emendas parlamentares destinando recursos para “entidades sociais fantasmas”.

Em entrevista à época (Revista Veja/20/10/1993 – Edição 1.310), José Carlos Alves dos Santos acusou os então governadores Edison Lobão, do Maranhão, e Joaquim Roriz, do Distrito Federal e a então Ministra da Ação Social, Margarida Procópio, com quem João Alves mantinha brigas homéricas “porque ela era sua conhecida de infância e era gananciosa”. Nem Edison Lobão, Joaquim Roriz e Margarida Procópio, foram investigados pelas denúncias até os dias de hoje.

Os “anões do orçamento” e os envolvidos no “mensalão” estão envergonhando meu personagem Eleutério, criado na década de 80, candidato a vereador analfabeto, casado com uma socióloga, que declarava que política era “para pobre esperto ou burro rico”.  Será que ele tinha razão? Nunca mais surgiu candidato de caráter, honradez e princípios éticos, no cenário político do Brasil, com poucas exceções como o foram os senadores Arthur Virgílio Filho e Álvaro Maia; os deputados federais Ulisses Guimarães e Pedro Simon e os políticos Sá Peixoto, Homero de Miranda Leão, Francisco Queiroz, Djalma Batista, Efigênio Sales, João Valério e tantos outros que exerciam outras profissões, mas como políticos eram irrepreensíveis!

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