quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Nasce uma estrela

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“Em 1959, quando seu programa na TV Record se chamava ‘Só para mulheres’ Hebe Camargo recebeu José Maria de Alckmin, ministro da Fazenda de Juscelino Kubstschek, com uma pergunta à queima-roupa:
- Como vai a UDN?
- Desculpe-me, d. Hebe, mas não trato da casa dos outros – respondeu o ministro, que era mineiro e pertencia a outro partido, o PSD.
- Eles brigam muito; Lacerda contra Magalhães, Juracy contra Lacerda... Alckmin encerrou o assunto com uma de suas melhores frases:
- D. Hebe, em briga de marido com mulher, nem marido deve entrar!”
(Puder sem Pudor, Claudio Humberto,2001).

Ellza Souza (*)

Dizem que ela sabia que estava chegando a hora. Aí alguém fala maldosamente: Ela estava com câncer claro que ela sabia. Nem sempre é assim. Tem muita gente por aí que tem e se acha imorrível. Mas escrevo esse texto para manifestar que quando me disseram por telefone eu fiquei chocada e larguei o aparelho bruscamente. Apesar da doença, apesar da idade, apesar de que todos nós vamos uma hora dessas, fiquei profundamente triste com a “partida” da Hebe. Parece até que ela era uma pessoa de perto, uma parente minha. Tá certo que a televisão proporciona isso. Mas não é só por isso. A pessoa bem intencionada que ela nos passava com suas atitudes positivas ao longo de uma carreira de trabalho, de otimismo, de boas gargalhadas, de uma voz exuberante, deixou em todos ou quase todos, um vazio e um sentimento grande de perda, de saudade.

Pessoas com personalidade assim, encantadoras, são cada vez mais raras principalmente na televisão atacada pelo mau gosto, pela falta de criatividade, pela incompetência, pela vulgaridade de mulheres com a mesma cara e o mesmo bumbum.

O que mais me encantava nessa artista de verdade  era a sua jovialidade, a sua cara de felicidade, a sua vitalidade. Aos invejosos digo que quem nos dera chegar até o fim da vida com a sua vontade de trabalhar, de criar, de passar a sua mensagem de alegria e fazendo o seu papel de apresentadora com personalidade, com exuberância, com amor.

Hebe atravessou décadas com muita graça e fazendo graça. Agradou a todos os públicos e emissoras de televisão. Ninguém se recusou a falar de Hebe. Cada um contou a sua história ao lado da estrela. E foram tantas as histórias que eu como apreciadora das histórias alheias, passei a admirar mais ainda essa mulher que deveria ser um exemplo para as que querem ser uma estrela de verdade e não conseguem nem ser a sombra do que foi Hebe. Porque Hebe além da competência tinha o brilho próprio dado a poucas. Daqui já construia a sua trajetória para a eternidade sem nem sequer mencionar a palavra morte. Vida era só o que ela queria. Na terra ou no céu ou em qualquer canto do infinito, a Hebe preenche o seu corpo e a sua alma com muita fé em Nossa Senhora, a mãe de Jesus e muita vontade de viver eternamente.

Hebe partiu inesperadamente mas como estrela não morrerá jamais. E em nossos corações efêmeros viverá para sempre.

(*) É escritora, jornalista e articulista do NCPAM/UFAM.

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