quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Quando as bruxas enganam o eleitor

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Ademir Ramos (*)

Os intérpretes da sociedade valem-se dos variados recursos para ler, compreender e definir os fatos sociais, analisando seus determinantes conceituais para acreditar que determinados fenômenos são verdadeiros quando se trata da política e suas relações de poder. Mas, somente isso ainda não basta para creditar aos fatos a objetividade das análises. É preciso conferir legitimidade contextualizando-os em seu tempo e na teia de relações que foram construídos, quebrando dessa feita o encantamento, em defesa do realismo quando a disputa se faz por meio eleitoral.

Ao contrário, Shakespeare, em Macbeth, na tragédia do poder, faz das bruxas as videntes conselheiras capazes de seduzir o protagonista principal a acreditar que a sua versão é a única verdade e nada, absolutamente nada, fará desistir da voracidade sangrenta de matar, vencer e mandar. Na conjuntura eleitoral, onde o poder disputa-se no voto, as bruxas dominam a cena e querem porque querem contagiar também o eleitor fazendo acreditar que o seu feitiço é o bálsamo para resolver todos os problema da cidade e que somente elas em legião ou isoladamente são capazes de apresentar soluções plausíveis para as comunas que sofrem do abandono institucional.

A bruxaria moderna vale-se do processo de massificação para reduzir a compreensão do eleitor quanto às candidaturas em pauta. Esse fenômeno, isoladamente ganha proporções fantásticas divorciando o eleitor de sua realidade histórica, redirecionando para a fogueira da vaidade, arrogância e petulância, promovendo o vale tudo para apropriação do poder popular.

O fato é que as bruxas e os fantasmas são criados para amedrontar o povo, fazendo crer piamente que sem eles e suas representações mágicas o povo não avança. As bruxas em legião ou isoladamente disfarçadas entre os seus geram a discórdia em nome da mudança ideal para satisfazer a voracidade dos seus seguidores abocanhando a melhor parte para a satisfação de seus apetites, deixando ao povo as sobras do banquete se assim aceitarem a condição de coisa em vez de se afirmar como cidadão eleitor na forma plena do Estado de Direito Democrático, condenando a bruxaria dos fantasmas palacianos à condenação advinda das urnas. 

(*) É professor, antropólogo e coordenador do projeto Jaraqui e o NCPAM/UFAM.

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