sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ENCONTRO DAS ÁGUAS: Beleza natural que o caboclo vigia e aprecia de seu próprio quintal.

4 comentários

Valter Calheiros (*)

Na margem direita dos Rios Negro e Solimões estão localizadas as comunidades ribeirinhas do Catalão e Terra Nova. Situadas no entorno do Encontro das Águas, distantes aproximadamente 30 minutos da agitada vida urbana de Manaus, distância vencida diariamente por seus moradores que são transportados em pequenas canoas e barcos regionais que realizam a travessia do Porto da Ceasa até a outra margem.

Aos manauaras e turistas que visitam este espaço amazônico único, recomenda-se levar um boné ou chapéu para se proteger do sol. Mas, o equipamento obrigatório é sem duvida nenhuma a máquina fotográfica ou filmadora, pois a exuberância do espetáculo proporcionado pela natureza é famoso em todo o mundo.

A expectativa de o encontro ser inesquecível transforma o espaço em cenário mágico, onde a natureza dita as normas e o homem com o auxílio da tecnologia registra através das lentes de suas máquinas a grandeza do encontro das águas de dois rios que não se misturam, mas proporciona a união da natureza com os povos ribeirinhos que habitam este espaço privilegiado da Amazônia brasileira.

Ao olhar da outra margem do rio, nem sempre percebemos que o poder econômico, político e o silêncio de parte da sociedade, almejam construir um terminal portuário que irá alterar de forma criminosa a paisagem, a cultura e o ritmo de vida de populações que historicamente se relacionam de forma afetiva e harmoniosa com a natureza. Espaço que podemos considerar uma grande sala de aula a céu aberto com a presença de uma riqueza imensurável de águas e florestas e mais recentemente em outubro de 2010, os registros de gravuras rupestres em rochas submersas no Sítio Arqueológico das Lajes.

Os caboclos das comunidades do entorno do Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões, até então, vigiaram de seus próprios quintais este espaço onde o fenômeno natural mais conhecido da Amazônia se apresenta. Esta relação de cumplicidade e pertença em favor da preservação da natureza é uma resposta viva da aliança firmada entre o homem amazônico e o Deus Criador de todas as coisas.

É por tudo isso e pela possibilidade que ainda temos de recuperar e conhecer a história de tantos povos que habitaram aquelas paragens, que de cabeça erguida grande parte da sociedade amazonense posiciona-se contrária a construção de um Terminal Portuário de propriedade da Empresa Vale do Rio Doce em consorcio com a Log-In Intermodal, Lajes Logística S/A, Juma Participações, dentre outras. A contenda jurídica se encontra desde maio de 2012 para decisão na Suprema Corte do País.

A abundância de vida e natureza que eclode a cada amanhecer no entorno do Encontro das Águas nos convida a assumir compromissos de luta em favor de pescadores e agricultores, crianças e jovens que habitam nas comunidades desde o Marapatá, Mauazinho, Ilha do Xiborena, Catalão, Lago do Aleixo, Colônia Antonio Aleixo, Igarapé da Lenha, Igarapé da Castanheira, Puraquequara, Terra Nova, Careiro Castanho, Lago dos Reis, Jatuarana e tantas outras.

As reivindicações da sociedade manauara, amazonense e brasileira estão pautadas na defesa deste rico ambiente reconhecido como patrimônio cultural de alta relevância, tombado em outubro de 2010 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, em razão do seu elevado valor arqueológico, etnográfico e paisagístico, ato que deve se consolidar com a homologação do tombamento do Encontro das Águas, ação que se encontra nas gavetas do Ministério da Cultura aguardando pelo bom senso e espírito publico de nossos governantes.

A beleza natural que o caboclo vigia e aprecia de seu próprio quintal, deve ser motivo de incansável defesa, assim, ao termino de mais um ano o Movimento Socioambiental SOS Encontro das Águas quer renovar seus compromissos de remar nas águas negras e barrentas de nossos rios, acendendo nos corações a Luz do Cristo Ressuscitado, firmando com a sociedade o propósito de lutar contra o poder econômico e político que não conseguem enxergar que a beleza da vida está na relação intima que o espaço natural nos proporciona, transformando o encontro em um ato humano, social, transcendente e divino!

Feliz Natal e um abençoado ano de 2013!

(*) Educador Salesiano, pesquisador e fotografo do Movimento Socioambiental SOS Encontro das Águas. Pós-Graduado em Pesquisa e Ação Social pela Faculdade Tahirih – Manaus / Amazonas

4 comentários:

Ellza Souza disse...

Valter ainda bem que temos pessoas com o seu olhar em Manaus. Não consigo imaginar um Terminal Portuário nessas águas. Imagino sim muita vida nas comunidades e nos seres que habitam o rio Negro e o Solimões. Que viva o Encontro das Águas imaginado e criado por Deus e que o homem não tem o direito de destruir sob pena de sua auto destruição.

lidiane.candido disse...

Concordo plenamente com Valter e Elza. Mas acredito que todos nós podemos de alguma maneira endossar a luta em defesa do Encontro das Águas. Porto algum nos ligará mais intimamente conosco mesmo como esse encontro natural nos proporciona. Divulguemos e endossemos a luta em defesa da vida, da cultura, da natureza e da não usurpação de mais uma beleza natural pelo capital na nossa amazonia!

Anônimo disse...

naylane_dutra
Encontro das Águas nossa riqueza natural que não devemos permitir ser destruída, sem a minima necessidade, ou de modo pior, somente para a necessidade humana, e principalmente, para a necessidade econômica.É um bem de todos e para todos e enquanto houver quem lute em favor da sua conservação e preservação ela se manterá bela como é.

Cleusa Mello. Estudante de Geografia /Ufam disse...

O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões é uma das maravilhas naturais da Amazônia, do Brasil e do mundo.
Esse lugar é simplesmente incrivel, uma paisagem
belissíma é, de tirar o folêgo.Este ícone é reconhecido como patrimônio local da humanidade, devendo ser preservado para que os povos da Amazônia no presente e no futuro desfrutem das riquezas naturais e humanas dessa paisagem.Parabéns Prof. Valter Calheiros pelo trabalho.

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