quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Allegro natalino

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Ademir Ramos (*)

Recorro à música para expressar a minha alegria neste natal. O andamento musical bate no ritmo de nossos corações, comungando sonhos e projetos, na perspectiva de agregar força contra a corrupção, impunidade e a desigualdade social. Ainda mais, que a esperança seja semeada e brote na pátria brasileira em formato de movimento solidário, justo e sustentável, despertando nos filhos desta terra, o sentimento de pertença e que acreditem, sobretudo, na força de sua vontade capaz de promover mudanças nas estruturas sociais e políticas em favor do bem e da justiça social.

A liturgia do Natal soma-se com a expectativa do Ano Novo e a irreverência do Carnaval, onde as pessoas brincam de rei e rainha, de deuses, sem perder de vista, a certeza que são mortais e por isso reclamam de seus governantes e dos agentes públicas acesso às políticas públicas de qualidade que satisfaçam as necessidades básicas de nossa população tanto nas cidades como nos campos. A alegria natalina se expressa em múltiplas linguagens e gestos regidos pelo amor, em forma das relações fraternas cultivando a amizade, respeito e a confiança no outro pactuado pelas relações afins mediado pelos debates, discussões, encontros e diálogos que focam luzes para compreensão dos fatos, fazendo-nos crer que estamos aptos a participar desse mutirão da cidadania em defesa da felicidade como direito garantido a todos (as).

É Natal, momento de profunda reflexão em torno do nascimento do Deus-menino, “aquele que se fez homem para redimir os pecados do mundo.” Palavra de ordem que faz a pessoa acordar para a justiça, para salvação, nada mais do que a garantia do trabalho, terra e pão para todos, vivendo assim do “suor do seu trabalho” na dignidade e decência capaz de alimentar os seus e, de forma gratuita, partilhar o pão e os sonhos na eucaristia da esperança regada pelas lutas sociais como evento capaz de mobilizar, agregar e transformar o mundo em equilíbrio com as demais criaturas que constituem o meio ambiente.

A “redenção do mundo” faz-se pela sustentabilidade de suas comunidades se assim quiser viver na justiça e na paz. A ganância, a miséria e a mentira, embrutecem a todos reduzindo as pessoas em coisas. O reparo da justiça dá-se pela inteligência da recomposição da ordem tal como a unidade de uma sinfônica, que por natureza reuni variados instrumentos, mas sob-regência se faz uníssona tocando nos corações e mentes em direção à luz que lumia novos caminhos para realização dos nossos sonhos e projetos com sede de justiça e sabor de muito esperança.

Este ágape fraterno vivenciamos quando compartilhamos com os professores, estudantes e pais de alunos, o calor das lutas pela melhoria de nossa educação. Da mesma forma, compartilhamos com a Comuna Jaraqui, movimento de rua, que fazemos todos os sábados na República Livre do Pina, no Centro Histórico de Manaus, na Praça Helidoro Balbi. A Comuna é uma tribuna livre, onde o cidadão participa expondo problemas, debatendo e encaminhando questões sociais fazendo valer os interesses coletivos, contrapondo-se a corrupção, a impunidade e a injustiça. Pelo momento, a Comuna Jaraqui encerrou os seus trabalhos no sábado (22), devendo voltar no próximo ano com a mesma determinação e coragem.

Allegro, alegríssimo, saúdo a todos (as) amigos e colaboradores que fortalecem a nossa luta pela justiça na academia, nas fronteiras do movimento social e ambiental, nas tribunas populares, nas mídias presentes e virtuais, botando a boca no trombone contra os malfeitores e oportunistas que pretendem se apropriar dos direitos dos cidadãos em benefício próprio. Natal é luz a clarear caminhos para novas conquistas. Por isso, desejo a todos (as) Feliz Natal e um Próspero Ano com pão, terra e trabalho.                                

(*) É professor, antropólogo, coordenador do Jaraqui e do NCPAM/UFAM.

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