sábado, 16 de fevereiro de 2013

Por uma nova ordem social

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Ademir Ramos (*)

A banalização da política cria no cidadão comum à indiferença, justificando, inclusive, a corrupção de alguns cartolas que metem a mão no dinheiro público, fazendo acontecer obras faraônicas que pontificam os Rios e Mares, gerando uma expectativa de “desenvolvimento” voltada mais para os céus do que para a terra, onde vive mora e sofre o povo dessas localidades, particularmente, no norte e nordeste do Brasil. Não satisfeitos, pelo desencanto da política e pela alienação vivenciada, essa gente chega ao ponto de dizer que “todos os políticos são iguais”, em outras palavras “todos são corruptos” e, portanto, é melhor um ladrão amigo do que um estranho no comando do orçamento do Município ou do Estado.

O cinismo é contagiante, principalmente, quando se trata de uma prática governamental em atenção à perversa desigualdade presente na organização da sociedade. Esses agentes públicos agem de forma messiânica, aptos a oferecer benesses e a obrar milagres aos excluídos prometendo mundos e fundos. No entanto, a política é maior do que eles e por força de suas determinações encontra-se acima da vontade dos poderosos, suscitando, no primeiro momento, estranheza frente aos fatos e em seguida gerando indignação que se traduz na repulsa em direção à construção de uma República Social fundada na redistribuição de renda, em confronto as práticas da acumulação, que cria entre as classes sociais um abismo quase intransponível mitigado às vezes por políticas compensatórias formatadas em bolsas, em vez de assentadas nas políticas sociais sustentáveis fincadas em postos de trabalho com acesso à cultura, educação, ciência e cidadania.

Essa condição existencial é reparada no processo de conscientização, quando homens e mulheres passam a problematizar suas relações de trabalho se perguntando por que ele tem e eu não tenho se eu trabalho tanto quanto ele e, às vezes, em condições mais complexas. Pois é, quando acordamos do pesadelo da alienação os questionamentos se multiplicam buscando respostas que às vezes não somos capazes de responder imediatamente, mas, no curso de nossas lutas vamos montando o quebra cabeça e dando corpo a verdade dos fatos.

Esse processo é doloroso, sofrível e podem custar perdas irreparáveis. Requer coragem, determinação e profunda capacidade de associar os fatos à história, atentando para as contradições manifestas ente o dito (aparente) e aquilo que é. Parece óbvio, mas requer coragem, discernimento e aptidão para mudança. Às vezes nos encontramos em desvantagem e por uma situação estratégica temos que “engolir sapo” enquanto nos potencializamos, agregando força e criando condições matérias para que possamos avançar em favor do coletivo e do social. Nesse contexto, é importante que saibamos fazer uma avaliação da situação, definindo com clareza os caminhos a trilhar, as armas para lutar e rumos a tomar.

Esses ensinamentos não se aprendem nas Escolas e muito menos nas Universidades. É claro que o domínio desses conhecimentos ajuda, mas, não bastam. É preciso que façamos uma opção social e comecemos a trabalhar no fortalecimento de plataformas capazes de garantir determinados eixos na política, na sociedade, no comércio, nas corporações industriais, nas academias, nos movimentos populares, nos meios de comunicação social presentes e virtuais e demais segmentos que julgamos estratégicos para a construção de um projeto político solidário que transpasse o modelo partidário inaugurado pelos partidos instituídos tal como o PMDB, o PT, o PSDB e outros.

É hora de se reinventar novas regras e formas da Democracia pautada no controle social, na participação e na soberania popular, descentralizando o poder pela força dos movimentos sociais na perspectiva de garantir os interesses republicanos assentados num novo reordenamento estruturante que seja socialmente justo e economicamente sustentável, combatendo as desigualdades regionais e a extrema pobreza reinante no Brasil.                      

(*) É professor, antropólogo e coordenador do Jaraqui e do NCPAM/UFAM.     

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