terça-feira, 30 de julho de 2013

A politica hoje: crise de representatividade ou falta de alternativa?

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“Sem Partido...”, “Não nos representa...”, "O povo unido protesta sem partido" “Nem esquerda, nem direita, eu quero é ir em frente!”. São essas frases que a juventude entoa em gritos e ecoa nas ruas de todo Brasil desde junho. Todas elas têm um endereço certo, os políticos e seus Partidos.

A reação dos políticos foram as mais variadas possíveis, uns acham que é apenas uma marola que logo passa, outros tentam identificar as lideranças, mas uma coisa todos sabe, eles vão ter que se reinventar se quiserem continuar manipulando a politica nacional.

A Presidente anuncia uma coleção de pactos, Plebiscito e até convocação de uma Constituinte para fazer a tal reforma politica, o Congresso se apressa em aprovar medidas paliativas para dar uma satisfação aos manifestantes. Essa reação do governo e do Congresso, não passou de uma marolinha passageira!

Os políticos e partidos da esquerda socialista reagem participando das manifestações, repercutindo nas Casas legislativas as demandas das ruas, porém, como membro assumido dessa corrente de pensamento e militante do PSOL, acho que precisamos ir além, avançar com a garra da mocidade, é dever nosso acolher essa juventude que está debutando nas lutas populares, oferecendo a eles, um espaço saudável para o debate politico em torno de uma agenda propositiva de transformação, compreender suas diferenças e romper com o dogmatismo que cerceia muitas vezes o avanço contemporâneo das lutas que se apresenta, a missão dos partidos da esquerda socialista é organizar as massas para lutar contra tudo que os oprime e nesse momento histórico, temos que radicalizar a democracia assumindo de fato o rompimento com essa oligarquia politica que manipula há séculos a politica brasileira.

A politica no Brasil sempre foi uma coisa das elites, com a chegada do PT ao governo, pensávamos que as coisas da politica seriam mudadas, mas infelizmente o roteiro continua o mesmo, a elite manda e o PT executa, a elite solicita e o PT entrega como está fazendo com as terras pertencentes aos parentes Índios, com os Portos e Aeroportos, com o Petróleo...

Realmente esses políticos há muito tempo não nos representam porem, esses políticos que estão enraizados no Congresso Nacional desde os tempos do Brasil Colônia, ainda pensam que estão na época do pombo correio ou do telegrafo, acham que ainda podem controlar e censurar a bel prazer toda a comunicação, como faziam a época que, “a priori, somente podiam entrar no país os livros que fossem autorizados pelo reino; a censura era grande e o desejo de perpetuar a ignorância do povo da colônia também” [Eliane Martos e LÌvia Bacelar – História dos Meios de Comunicação noBrasil], eram esses os principais instrumentos de perpetuação dos mesmos na politica.

Essa pratica autoritária e restritiva, combinada com o poder econômico e um sistema politico dirigido por essa oligarquia, permanece intacto e pouco questionado, pois bem, é essa politica que impede o surgimento de novas lideranças comprometidas com as causas da maioria dos viventes do nosso país, quando por descuido surgem algumas, essa oligarquia não hesita em coopta-las como fizeram com líder sindical Lula e seu PT.

“Preparem-se políticos inertes e corruptos: o gigante acordou!”. Essa frase que inspira as manifestações de rua em todo o território brasileiro, precisa ser literalmente levada a pratica na politica, nas últimas décadas os atuais políticos ou sucedem a si próprios ou então criam clones dos seus tiques. Para impedir que eles voltem em 2014 é preciso que as pessoas de bem e éticas assumam o protagonismo que a historia está a requerer, unam-se a juventude e agite a bandeira das transformações que o Brasil precisa.

O Brasil para evoluir socialmente, precisa de uma agenda de transformações que instrumentalize a juventude para serem protagonistas na politica, nas Instituições da Sociedade Civil, na Economia e na liderança de um processo politico libertador dos que vivem das migalhas que sobram da mesa farta dos ricos e poderosos que governam esse país. Precisamos combater os déspotas com lideranças novas e comprometidas com a verdadeira agenda das transformações. Sejamos todos(as) protagonistas e alternativa para um Brasil Gigante!

Elson de Melo
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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Vereadores de Iranduba querem calar bloqueiro

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A politica de intimidação tem sido por longos anos a parceira predileta de políticos desonestos, truculentos, velhacos em todo interior brasileiro! Fiel a esse principio, um bloco de Vereadores que dão sustentação ao Prefeito de Iranduba, mandaram o Delegado do 31º Distrito de Policia, intimar o blogueiro Paulo Onofre em razão de o mesmo ter denunciado em seu blog as ‘maracutaias’ do Prefeito e seus Vereadores aliados, numa clara e evidente pratica intimidatória.

É sempre assim, primeiro tentam calar usando a Policia como instrumento de intimidação, depois atentam contra a vida, com atentados covardes, uma pratica que já matou inúmeros jornalistas e blogueiros em todo território Nacional.

Há tempos o blogueiro Paulo Onofre, vem denunciando ilícitos no poder municipal de Iranduba, recentemente ele denunciou a pratica de nepotismo na Prefeitura, onde Prefeito e Vereadores fazem uma permuta, entre eles para abrigarem parentes dentro do quadro de servidores contratados como cargos comissionados, num flagrante desleixo e afrontamento a lei que proíbe esse tipo de pratica.

Câmara Municipal de Iranduba 
Incomodados com as denuncias os Vereadores envolvidos nessa ‘maracutaia’, ofereceram denuncia na delegacia de Iranduba onde de imediato o Delegado abriu inquérito e intimou o blogueiro para comparecer perante aquela autoridade policial no dia 22 de julho de 2013.

Esse bloco de Vereadores precisa entender que são eles que estão precisando ser investigado! Os blogueiros sejam eles jornalistas ou não, só divulgam fatos, caberia a eles que são detentores de mandatos que o povo os outorgou proceder às averiguações devidas, infelizmente, em Iranduba os Vereadores querem inverter os procedimentos, ao invés de apurar as denuncias, querem processar o denunciante!

Como os vereadores preferiram atacar o denunciante em detrimento das denuncias, cabem as pessoas de bem de Iranduba prestar solidariedade ao blogueiro Paulo Onofre, que junto com a população vão mobilizar os Movimentos Sociais, para encaminharem ao Ministério Publico Federal, um pedido de investigação, para averiguar os ilícitos praticados por esses Vereadores e o Prefeito.


Policia para quem precisa de policia!!!
Nossa solidariedade ao blogueiro Paulo Onofre!
Pela apuração das denuncias e punição aos envolvidos!

O Editores
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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Dia do Homem e o discurso final do filme "O Grande Ditador"

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Em tempo de agitações sociais, celebrar o dia do homem, é refletir um pouco sobre a nossa existência enquanto ser pensante desse imenso universo é compartilhar preocupações quanto a continuidade da humanidade na terra. Para auxiliar-nos nessa reflexão, sugerimos aos nossos leitores assistirem o Filme “O Grande Ditador” e uma criteriosa leitura do Discurso Final do filme.

Saibam que tudo depende das nossas atitudes, se aceitarmos as coisas como querem os poderosos, vamos viver eternamente dominados pela ganancia de poucos, não aceitar essas condições, significa que temos que nos unir para Lutar pela nossa emancipação só assim seremos protagonistas e dignos das nossas conquistas, essa é a missão dos homens e mulheres éticos(as) e livres!

Elson de Melo


O discurso final do filme
"O Grande Ditador"

"Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio nos aproximou. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, a união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora. Milhões de desesperados: homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que podem me ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais, que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos. Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão. Não sois máquina. Homens é que sois. E com o amor da humanidade em vossas almas. Não odieis. Só odeiam os que não se fazem amar, os que não se fazem amar e os inumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão. Lutai pela liberdade. No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou grupo de homens, mas de todos os homens. Está em vós. Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas; o poder de criar felicidade. Vós o povo tendes o poder de tornar esta vida livre e bela, de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo, um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam. Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão. Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e a prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.


Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos. Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam. Estamos saindo da treva para a luz. Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah. A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah. Ergue os olhos." 
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domingo, 14 de julho de 2013

Indignação e esperança

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No Brasil, o enfrentamento vindo das ruas fez acordar os poderes – executivo, legislativo e judiciário – com ênfase nos valores éticos republicanos, fincando posição contra a corrupção, a impunidade e a imoralidade corrosiva a contaminar as instituições democráticas, em particular, os partidos políticos.

Imagem: Leão de chácara
Ademir Ramos (*)

A química dos movimentos populares exige dos seus intérpretes capacidade de compreender não só a sua forma, mas, sobretudo, a racionalidade que opera a força em direção ao centro das disputas dos interesses em questão. Os elementos em formação quando em movimento são capazes de alterar o sistema, provocando mudanças em toda cadeia produtiva, em particular, nas estruturas orgânicas diretivas em atenção à totalidade do corpo como agente capaz de pulsar vida, indignação e esperança numa determinada conjuntura política nacional. Esta química converte-se em relação criando redes de participação a se mover numa perspectiva coletiva rumo às praças e ruas, ganhando dimensão social e adquirindo resistência no enfrentamento com os poderes instituídos. Esse corpo em combate ganha configuração variada posicionando-se estrategicamente de acordo com a Forma de Governo constitucional.

No Brasil, o enfrentamento vindo das ruas fez acordar os poderes – executivo, legislativo e judiciário – com ênfase nos valores éticos republicanos, fincando posição contra a corrupção, a impunidade e a imoralidade corrosiva a contaminar as instituições democráticas, em particular, os partidos políticos. O grito uníssono das ruas bateu forte em Brasília deixando a Presidência da República fora do chão, com discurso desconexo, com claro sintoma de transtorno político assentado na mesmice burocrática sem perspectiva de se reinventar frente às demandas populares. Mais estonteante ainda foi à postura dos partidos de oposição que sem proposta estruturante reduziram o fenômeno das ruas numa questão eleitoral, perdendo, dessa feita, uma grande oportunidade de revitalizar suas forças com o calor das ruas, mostrando o quanto estão despreparados também para dialogar com os movimentos sociais e demais atores, destacando a política não mais como mercadoria, mas, como instrumento de afirmação da plena cidadania.

O fato é que alguns políticos profissionais aliados com alguns representantes das classes dirigentes tanto do planalto como das ribeiras e planícies apostam no definhamento dos movimentos de rua, apostando que tudo não passou de “fogo de palha” , não alterando o curso da história. Significa dizer que a roubalheira vai continuar e assim sendo a corrupção e a impunidade triunfará contra a grita geral do povo nas ruas por justiça. No entanto, resta-nos transformar nossa indignação em possibilidade de mudança, participando das frentes sociais que sonham com um outro Brasil estruturado sob o Regime Parlamentarista em respeito à soberania assentada nos movimentos populares valendo-se das mídias sociais como instrumento de controle das principais reformas política e tributária, repensando o processo federativo e o reordenamento dos entes federados combatendo desigualdade regional e social.

O enfrentamento nesse campo é político e suprapartidário. Contudo, temos pela frente um processo eleitoral a ser considerado. E tudo indica que as regras não deverão mudar a contento, exigindo dos eleitores e, principalmente, dos ativistas sociais uma seleção criteriosa dos candidatos a serem escolhidos nas urnas. Para esse fim, é necessário combater as coligações partidárias, criminalizar os partidos políticos e exigir o cumprimento da Lei da ficha limpa. Enfim, esse é o bom combate que qualquer cidadão (ã) de bem deve participar em garantia do presente e do futuro do Brasil.


(*) É professor, antropólogo, coordenador do Jaraqui e do NCPAM/UFAM.
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O PAPA, O PAI-NOSSO E A FADA TUPI

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José Ribamar Bessa Freire

Na próxima semana, no Rio, o papa rezará o pai-nosso traduzido em 26 idiomas. É uma forma de a Igreja Católica prestigiar cada um deles. Na lista não consta, porém, nenhuma das mais de 180 línguas indígenas faladas hoje no Brasil. Acontece que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) adotou como oficiais somente línguas indo-europeias - inglês, francês, alemão, espanhol, português, italiano e polonês, que serão usados na catequese juntamente com outros 19 idiomas "paroquiais", entre os quais o coreano, o russo, o croata, o letão, o árabe e até o turco. Das línguas daqui nem sequer o guarani, que é falado em três municípios do Rio de Janeiro, fará parte do evento.

Se o papa não reza em guarani não é por falta de ave-maria. Basta que ele desça ao Arquivo Secreto do Vaticano - um bunker de concreto no subsolo perto da Capela Sistina com milhões de documentos em 43 quilômetros de prateleiras. Lá ele encontrará versões do pai-nosso em diversas línguas ameríndias, incluindo a Língua Geral de base tupi, que já foi a língua da catequese, além de catecismos, sermões, hinos e orações em guarani, idioma falado hoje em dez estados do Brasil, no Paraguai, na Argentina, na Bolívia e até mesmo no Uruguai, onde o Estado finge que não existe.

Por sua importância, por ser um ponto de união entre os países da América do Sul, o guarani foi declarado, em novembro de 2006, idioma oficial do Mercosul, "em igualdade de condições com o português e o espanhol". Tal decisão, aprovada na XXIII Reunião do Mercosul Cultural, obriga a tradução dos documentos para o Guarani, que dois anos antes já havia sido declarado idioma oficial alternativo da Província Argentina de Corrientes, sendo adotado depois, em 2010, como segunda língua oficial nos municípios de Tacuru e Paranhos, ambos em Mato Grosso do Sul.

Oré Ubá

Mesmo assim, os milhares de peregrinos vindos de todos os continentes, que serão distribuídos pelas paróquias do Rio, sairão do Brasil sem saber que visitaram um país diverso e multilíngue, porque a operação logística montada pela organização da JMJ, que contempla tradutores e aplicativos de tradução sonora com ajuda de smartphones para comunicação em línguas estrangeiras, deixou de fora as línguas nacionais. É nessa hora que a gente sente saudades do Policarpo Quaresma.

A tradução de orações para línguas indígenas tem uma história complicada. Por isso, se o papa Francisco, que é da Argentina onde se fala guarani, fosse rezar nessa língua, teria que evitar as primeiras versões do pai-nosso feitas por alguns de seus confrades que cometeram erros quase "folclóricos". Pai-nosso, por exemplo, foi traduzido como oré ubá, o que obrigou os índios a excluir do seu convívio a figura de um Deus Pai, cuja paternidade era questionável, e de um Deus Filho para sempre incompreendido. Tanto o oré como o ubá são inadequados - dizem os especialistas.

Oré, efetivamente, é nosso. Mas ali onde a língua portuguesa tem apenas uma forma para o possessivo, o tupi antigo possui duas: quando o 'nosso' inclui a pessoa com quem estou falando, tenho que usar iandé ou nhandé. Já quando excluo o interlocutor, uso oré. O tupi parece mais adequado a um discurso de transparência. No caso, por exemplo, das emendas orçamentárias, na hora de pedir verba seus autores usariam o inclusivo nhandé: a verba pública é nossa (minha e tua). Mas na hora de aplicá-la e embolsá-la, seriam obrigados a usar o exclusivo oré, pois o nosso aqui é o do Mateus: primeiro o meu, depois os teus.

Usar o oré no pai-nosso não permite que quem reza junto compartilhe o mesmo pai. Se o papa rezar em guarani dessa forma, estará dizendo aos índios "pai nosso que não é de vocês", o que pensando bem talvez seja o mais correto, afinal o tradutor pode ter escrito certo por linhas tortas. A voracidade com a qual o agronegócio abocanha as terras indígenas com a cumplicidade do poder político permite que os índios duvidem se compartilham o mesmo pai com a senadora Kátia Abreu, católica fervorosa.

Anga e Ceiuci

Além disso, quando na Oração do Senhor o papa chamar pai de ubá, a confusão vai aumentar, porque a estrutura de parentesco tupi obedece a princípios diferentes dos nossos, como esclarece o padre Lemos Barbosa em seu Curso de Tupi Antigo, oferecido na PUC/RJ nos anos 1950. Ele diz que ubánão tem correspondente preciso em português, porque denomina tanto o paicomo o irmão do pai, da mesma forma que filho não tem equivalente em tupi, pois ayra ou rayra significa tambémfilho do irmão, ou seja sobrinho paterno.

Quando se trata do filho de Deus, então, a questão se complica ainda mais, por envolver valores morais, tabus e preconceitos. Posto que a palavra rayra ou ayra significa também sêmen, ela foi omitida na tradução de ‘imagem do filho de Deus’, substituída por "Tupã tay raangaba",segundo avaliação de Teodoro Sampaio (1885-1937), um engenheiro baiano, filho de uma escrava, que estudou a toponímia tupi na geografia nacional.

Por não conseguirem transferir toda a carga de significados de uma cultura a outra, reduziram e deformaram a diversidade cultural e ambiental. O papa Francisco teria dificuldades com a tradução de palavras como alma (anga), céu (ybaka), yasy (lua), ara (dia ou tempo), mano (morrer), etc, como observa o padre Lemos:

"Os dicionários podem dizer que anga significa alma. Mas o conceito de alma é diferente do de anga, tanto em compreensão como em extensão. Nós atribuímos à alma características (por exemplo, a imaterialidade) que não cabem no conceito indígena de anga. Por outro lado, um índio animista falará na anga do vento".

Como guardar o sentido da palavra deputado numa língua indígena? Couto de Magalhães usou "homens de governo da nossa pátria" ao traduzir para o Nheengatu a certidão de batismo do neto de Dom Pedro II. Mas discordou do termo "fada indígena", usado para designar a figura lendária de Ceiuci - uma velha gulosa que vivia perseguida por eterna fome - na narrativa coletada no Tocantins, em 1865, com um tuxaua Anambé. Para ele, também a versão do pai-nosso que circulava na Amazônia era uma fada tupi, isto é, um monte de palavras desconexas que não expressavam o seu significado original.

O papa perderá uma boa oportunidade de fazer um gesto simbólico e de celebrar o guarani, reconhecido e valorizado quando usado em outros espaços sociais. Afinal, como diz um jesuíta amigo dos índios, Bartomeu Meliá, “también la historia de América es la historia de sus lenguas, que tenemos que lamentar cuando ya muertas, que tenemos que visitar y cuidar cuando enfermas, que podemos celebrar con alegres cantos de vida cuando son habladas”.  

Mas diante de tantas dificuldades, talvez seja melhor mesmo, pelo menos para os índios, que o Papa não reze em guarani. Bem ali, ao lado da aldeia Maracanã onde funcionou o antigo Museu do Índio, na paróquia do Divino Espírito Santo, peregrinos chineses rezarão em mandarim e cantonês. Longe dali, distante da Jornada Mundial da Juventude,os jovens guarani, abençoados por Nhanderu, cantarão seus cânticos sagrados tradicionais dentro da Opy, em suas aldeias.


P.S. A ilustração do nosso parceirinho Fernando Assaz Atroz
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sábado, 13 de julho de 2013

Dia Nacional de Lutas: o choque de realidade para o Movimento Sindical Brasileiro

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A fraca participação dos trabalhadores no Dia Nacional de Lutas realizado na quinta feira (11/07/2013), onde apenas a cúpula do Movimento Sindical Brasileiro compareceu nas manifestações convocada pelas Centrais Sindicais, é o reflexo da inercia desse movimento diante das demandas reais da classe trabalhadora do nosso país.

O vexame só não foi maior, por que o Movimento Passe Livre-MPL aderiu as mobilizações, participando ativamente das articulações para viabilizar os atos, e graças ao empresariado do setor de transporte coletivo que resolveu dar uma mãozinha e atendeu a convocação do governo permitindo que a maioria de sua frota não saísse das garagens, foi uma espécie de locaute com recomendação oficial!!!

A greve geral anunciada pelas Centrais, não aconteceu de fato, apenas algumas categorias ligado ao Serviço Publico e ao setor de Serviços paralisaram suas atividades, já no setor da Indústria onde a CUT e a Força Sindical é homogênea, o índice de paralisação não chegou 0,01%. O que ocorreu na verdade foram bloqueios de estradas por Dirigentes Sindicais e de alguns outros Movimentos Sociais, por outro lado, como era de se esperar, a Presidente Dilma viajou sem dar a menor importância a Pauta das Centrais, pareceu que tudo não passou de mera encenação.

O Dia Nacional de Luta do dia 11 de julho de 2013 convocado pelas Centrais Sindicais, tendo a frente a CUT/PT e a CTB/PCdoB, teve a chancela do Palácio do Planalto e do governo Dilma/PT, a configuração está na Liminar obtida pela Advocacia Geral da União – AGU, que proibia o bloqueio de Estradas, onde figuravam como réus a Foça Sindical e UGT, Centrais sem ligação direta com o PT e PCdoB, uma constatação que confirma nossa desconfiança quando questionamos os objetivos desse evento na publicação anterior intitulada “11 de julho Dia Nacional de Lutas ou Operação salva Dilma?”.

Não é a primeira vez que fatos dessa natureza já ocorreram nessa relação Governo e Movimento Sindical Brasileiro, podemos destacar as Greves Gerais de 1961 organizadas pelo Comando Geral dos Trabalhadores – CGT para garantir a posse de João Goulart, que o mesmo sancionasse a lei do 13º Salario e pela marcação do Plebiscito para que o povo decidisse por Presidencialismo ou Parlamentarismo, qualquer semelhança não é mera coincidência!

Assistindo o balanço do Dia Nacional de Luta feito pelos Presidentes das principais Centrais na sede da Força Sindical em São Paulo na seta feira (12/07/2013), observamos que as declarações foram todas no sentido de atenuar o fracasso e até justificar suspeitas de contratação de pessoas para atuarem como ativista sindical nas diversas manifestações que ocorreram, nesse particular, não é a primeira vez que fatos dessa natureza são denunciados pela imprensa, verdade ou não, o certo, é que, o Sindicalismo Brasileiro precisa urgentemente de um “choque de realidade” e fazer uma autocritica no sentido de rever suas praticas.

O Movimento Sindical Brasileiro costuma avaliar suas ações observando apenas o momento em que realizou determinado evento, essa pratica reflete a natureza desse movimento, cujas ações são em grande maioria circunstanciais e visam apenas dar respostas imediatas e pontuais aos fatos que se apresentam.

Se observarmos a historia, vamos constatar que a luta operária no Brasil, só avança quando surgem novas lideranças dispostas a romper com a estrutura sindical que atrela os Sindicatos ao Estado e os transforma em instituições de colaboração com esse Estado autoritário, perdulário e excessivamente controlador. Foi com a bandeira da ruptura com estrutura sindical vigente mais a liberdade e autonomia sindical diante do Estado e dos patrões, que o PT e a CUT se firmaram e consagraram Lula como a grande esperança do povo brasileiro, grifo nosso.

A luta operária chegou ao Brasil atravessando o Atlântico nos porões dos navios que conduziam militantes anarquistas expulsos de suas pátrias por se rebelarem contra a exploração e os maltrato sofridos no chão de fabrica na Europa.

A industrialização brasileira foi alicerçada na exploração desses grandes camaradas, que reagiam organizando suas lutas em associações de ajuda mutua e depois em Sindicatos tendo como principio a Solidariedade a luta de classe e como objetivos de luta a redução da jornada de trabalho, melhores salários, melhorias nas condições de trabalho e liberdade de organização dos trabalhadores diante do Estado e dos Patrões..

Com a revolução Russa em 1917, muitos desses camaradas anarquistas, juntaram-se com outros operários e organizaram o Partido Comunista no Brasil, desde então, estabeleceu-se uma disputa pela hegemonia do movimento operário envolvendo anarquistas e comunistas, só a partir de 1946 o PCB assume a hegemonia do Sindicalismo no Brasil perdurando até 1964 quando houve o golpe militar que desarticulou o Sindicalismo em nosso país.

A disputa pela hegemonia do Sindicalismo no Brasil está desde a década de trinta (30) dividido em duas frentes e já sofreram diversas colorações: sindicalismo revolucionário versos sindicalismo amarelo, sindicalismo combativos versos sindicalismo pelegos..., hoje com a criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT e a legalização das Centrais Sindicais num total de seis (06), predomina a hegemonia do sindicalismo de colaboração com o Estado (peleguismo), esse seguimento está representado pelas Centrais Sindicais, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CGTB, que são subvencionados pelo Governo, já o sindicalismo combativo é muito minoritário e estão representados nos projetos de Centrais Sindicais CSP-Conlutas e ITERSINDICAL, porém, esse seguimento não tem uma proposta clara de rompimento com a estrutura sindical vigente e com o sindicalismo Colaborador com o Estado, e o que é pior, mantem certo atrelamento a Partidos Políticos, isso dificulta o entendimento dos trabalhadores quanto a liberdade e autonomia sindical e a relação com o Estado.

Se compararmos o Dia Nacional de Lutas com as outras manifestações promovidas por grupos juvenis ligados as redes sociais, podemos concluir que o monopólio dos velhos dirigentes sindicais a cada dia está ruindo, mostra um desgaste dessas Instituições, desnuda sua representatividade e os desqualificam como interlocutores legítimos dos anseios da classe trabalhadora.

"Sindicalismo tenta buscar espaço perdido em protestos"


Nas manifestações promovidas pela juventude, o entusiasmo era contagiante, o objetivo coletivo ou individual estava estampado nos cartazes, mas podíamos identificar em cada rosto, em cada olhar, em cada grito, no choro e até no caminhar das pessoas, o sentimento de indignação e o clamor por justiça e mais respeito pelas demandas populares, já nas manifestações do Dia Nacional de Luta das Centrais Sindicais, pairava sobre as pessoas a suspeita se o que estava sendo feito ali, era uma manifestação de protesto ou alguma coisa que faltava ser entendido, em Manaus, a resposta veio quando um dirigente da CUT, usou da palavra e bradou, “sou da GUT, sou do PT e apoio a Presidente Dilma!!!”, a ração dos presentes não foram de entusiasmo, mas de total apatia, numa demonstração clara que a partir daquele momento, não haviam mais duvidas que se tratava de uma manifestação ‘chapa branca’.  

O Movimento Sindical, tanto quanto os Partidos Políticos, precisam urgentemente de novas lideranças, de transparências, de atitude, de austeridade, de decência, de um choque de realidade! Os novos operários precisam assumir suas entidades de classe e construírem uma nova forma de fazer sindicalismo, o apelo popular que estamos vendo nas ruas cobrando dos governos mais compromisso com a educação, saúde, transporte, habitação, esporte, lazer, entretenimento, recreação, segurança..., precisa chegar aos Sindicatos e cobrar das Diretorias que as mesmas estejam realmente a serviço dos Trabalhadores.


Elson de Melo
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E a Celpe, hein?

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Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

A privatização da Celpe em fevereiro de 2000 foi um verdadeiro engodo. A justificativa dada à população por aqueles que estavam no poder na época, e que são oposição hoje; e por aqueles que eram oposição na época e que estão no poder hoje, para a transferência da companhia para o setor privado, foi de que a tarifa da energia cairia, e o serviço oferecido seria de melhor qualidade. Além, de propagandearem que os recursos obtidos pela venda seriam aplicados para benefício da população. Pois bem, nem se viu a redução das tarifas, ao contrário aumentaram vertiginosamente, e a qualidade do serviço deteriorou, conforme atestam os indicadores medidos pela própria Agencia Nacional de Energia Elétrica (Aneel). E nem, claramente a população viu os resultados concretos da aplicação dos 1,7 bilhões de reais apurados com a venda da empresa.

Enfim, o que se constatou ao longo destes 13 anos desde a privatização, foram mostrados nos balancetes anuais divulgados pela companhia. Os lucros líquidos subirem de elevador, muitos além dos aumentos salariais e da realidade econômica do Estado. O que foi suficiente para após 5 a 6 anos da privatização, a soma dos lucros anuais suplantarem o valor pago no leilão da venda, em que um único interessado participou. Recorde mundial de retorno do investimento neste tipo de empreendimento.

Enquanto os lucros aumentavam ano a ano, os consumidores cativos desta empresa viram a qualidade dos serviços se deteriorarem, o que acabou fazendo com que a empresa ficasse conhecida pela população como “empresa vagalume”. O órgão que deveria fiscalizar esta ação danosa e ilegal praticada contra os consumidores, a Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe), uma autarquia especial vinculada ao Gabinete do Governador, não cumpriu sua missão, prevaricando. Por anos seguidos o Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou para o governo estadual as inúmeras deficiências deste órgão. Mas nada foi feito. O governo estadual prevaricou.

Enquanto o poder público se exime de suas responsabilidades. A população pernambucana de uma forma geral (não somente os consumidores) sofre as mazelas de uma empresa privada que obteve a concessão de explorar um serviço essencial por 30 anos, com regras contratuais definidas, o fornecimento de energia elétrica.

No mês de junho último no Recife, a morte de um cidadão de classe média eletrocutado por um fio energizado que se desprendeu de um poste de propriedade da Celpe, por mais de uma semana, conforme relatos da vizinhança onde ocorreu à tragédia, mais uma vez mostrou o completo desrespeito desta empresa com a população pernambucana. Não somente pela falta de reparos na instalação, o que poderia ter evitado a tragédia, mas pelas declarações oficiais da empresa diante do ocorrido, e pelas suas atitudes, demonstrando o quanto se considera acima da lei, e impune aos atos que comete.

Em seguida a este ocorrido, e diante da indignação e dos protestos, a Arpe, querendo mostrar serviço justificando sua existência, e de se livrar da pecha de incompetente e de cúmplice da Celpe, anunciou que a morte do cidadão em questão, não era a única, e que somente em 2012, 31 pessoas no Estado tinham morrido eletrocutadas.

Diante deste anúncio, a Celpe passou para as páginas policiais. Todavia nada de concreto, nem judicialmente, nem criminalmente e nem administrativamente ocorreu. O que vimos foi um conjunto de ações desacreditadas pela opinião pública. Uma CPI foi convocada pela Câmara Municipal, entre tantas outras audiências publicas, debates, etc, já realizados naquela Casa nos últimos anos, sobre os péssimos serviços prestados, e que não resultou em NADA. Uma multa foi aplicada pela Arpe/Aneel contra a empresa, das tantas outras já aplicadas, e que as brechas na legislação permitem que os advogados da companhia protelem “ad infinitum” o pagamento. Também foi convocado pela Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal, os diretores da empresa para as devidas explicações. Que como sabemos também, não resultará em grande coisa para a mudança da conduta da empresa frente as suas obrigações contratuais.

Portanto, é previsível afirmar que “tudo continuará como Dante no quartel de Abrantes”. Mas, existe um caminho que poderá mudar este quadro que é o da mobilização, da pressão popular. Não se iluda, pois este é o caminho para que sejamos respeitados, como cidadãos/consumidores. É o que as manifestações de rua hoje em todo Brasil exigem: melhoria nos serviços públicos oferecidos a população, na saúde, na educação, no transporte e no fornecimento de energia.


É daí que pode sair à solução do problema, pois o povo não se deixará enrolar.
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quarta-feira, 10 de julho de 2013

11 de julho Dia Nacional de Lutas ou Operação salva Dilma?

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Dilma com a cúpula das centrais governistas: CUT, Força Sindical, CTB, NCST, UGT, CGTB e CSP-Conlutas
Depois de uma reunião no final de junho (26/06/2013) com a Presidente Dilma, as Centrais – CSB, Força Sindical, CUT, NCST, UGT, CTB, CGTB, CSP Conlutas, mais o MST e a UNE, convocaram para o dia 11 de julho um Dia de Lutas com Greves e Mobilização, a iniciativa visa buscar legitimidade dessas Instituições para assumirem a interlocução com o Governo, para tentar por fim as manifestações de Rua que eclodiu em todo o país no mês passado.

A motivação encontrada foi a Pauta entregue a Presidente Dilma no dia 06 de março de 2013 por ocasião da 7ª Marcha das Centrais Sindicais que reuniu mais de 50 mil pessoas em Brasília.

Da Pauta constam as seguintes reivindicações: 40 horas semanais sem redução de salário; Fim do fator previdenciário; Igualdade de oportunidade entre homens e mulheres; Política de valorização dos aposentados; 10% do Produto Interno bruto (PIB) para a educação; 10% do orçamento da União para a saúde; Correção da tabela do Imposto de Renda; Ratificação da Convenção 158/OIT; Regulamentação da Convenção da 151/ OIT; Transporte Publico e de qualidade; Ampliação do investimento público. Reforma Agraria; Mudança nos leilões da Petrobrás; Rechaço ao PL 4330 sobre Terceirização.

A programação para o dia 11 começa as zero hora com as categorias de Trabalhadores nas Industrias paralisando suas atividades (Greve), pela manhã haverá manifestações em frente Aas unidades do INSS, Secretárias de Saúde e Educação dos Estados e Municípios, em Brasília em frente aos Ministérios da Previdência Social, Trabalho e Emprego, Saúde, Educação, Planejamento, Administração, as 15:00 horas será dado inicio ao grande Ato Publico nas Praças principais das Cidades e nas Ruas e Avenidas.

É uma programação arrojada e digna de uma grande investida para assumir o comando das negociações com o Governo e o Congresso Nacional, é uma espécie de operação salva Dilma!

Aproveitando a programação das Centrais Sindicais, os Manifestantes que a quase um mês ocupam as Praças, Ruas e Avenidas do Brasil, vão as ruas para dar continuidade as mobilizações em torno da Pauta que originou as mobilizações que tem levado milhões de brasileiros as Ruas como “nunca antes visto em nossa historia”.

Esperamos que tudo ocorra na mais perfeita paz, no entanto é bom tomar muito cuidado em relação as provocações, uma vez que dentre as Entidades que estão organizando o Dia de Luta, está a CUT e MST as duas Instituições ligadas organicamente ao PT, a CTB e UNE braço sindical e estudantil do PCdoB, a Força Sindical vinculada ao PDT, Partidos que dão sustentação ao Governo Dilma.

A preocupação faz sentido pela constatação que o Governo já tentou nos Atos do dia 20/06, assumir o comando das manifestações usando para tanto, as Entidades estudantis UNE, UBEs, UMEs e não conseguiu domar o movimento, agora essas o Governo tenta com as Centrais Sindicais, ocorre que os Sindicalistas ligados a tais Centrais, são pessoas muito despreparadas para o dialogo com a juventude e os novos manifestantes, são autoritários, intolerantes e arrogantes, isso pode ser um prato cheio para os provocadores que já agrediram militantes dos Partidos Políticos e até os Estudantes ligados a UNE.

O momento é delicado e requer muito dialogo com a multidão que está diariamente nas ruas protestando contra alguma coisa de errado que a Presidente Dilma faz questão de ignorar, e o que é pior, tenta desviar o foco da crise politica do seu governo, preocupa-se apenas em dar respostas aos investidores que começam bater em retirada, voltando a se estabelecer na economia dos Estados Unidos que aponta sinais positivos de recomposição elevando o valor do dólar, isso acirra a especulação financeira que em breve vai consumir todas as reservas cambiais do Banco Central do Brasil.

Por outro lado, o Ministro da Justiça mandou a Policia Federal investigar se o Movimento dos Caminhoneiro tem ligação patronal para caracterizar como locaute, é preciso ficar atento com os acontecimentos do dia 11/07, uma vez que as Centrais ligadas ao governo, poderão articular-se com os empresários e assim promoverem um locaute com os olhares complacentes do Planalto. Será que o Ministro da Justiça vai mandar apurar os locautes que as Centrais ligadas ao PT/PCdoB/PDT, vão apresentar com o nome de Greve?

Participem das mobilizações, mas fiquem atentos com as manobras governamentais que as Centrais CUT, CTB e a UNE, Instituições ligadas ao PT/PCdoB, estão tentando fazer e se apropriarem das Manifestações para traírem e venderem a LUTA do Povo Brasileiro!

Elson de Melo
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Voando com Evo

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José Ribamar Bessa Freire
07/07/2013 - Diário do Amazonas

Diga lá: quem informou aos americanos que Edward Snowden estava no avião de Evo Morales? Descobrimos, enfim, o mistério que tanto intrigou a opinião pública internacional. Mora em Manaus, no bairro D. Pedro, o blogueiro que fez essa denúncia. Esse é um furo que dou aqui no Diário do Amazonas, passando a perna no The Guardian e no The New York Times.
Tudo começou no Brasil, quando Glenn Greenwald, jornalista americano, residente na Gávea, Rio de Janeiro, entrevistou Edward Snowden, que revelou como a CIA controla diretamente a internet e as redes sociais em todo o planeta. A entrevista, feita há um mês em Hong Kong, teve repercussão na mídia do mundo inteiro.
Edward Snowden, 29 anos, ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA) subordinada ao Pentágono e vinculada à CIA, é hoje o homem mais caçado do planeta. Ele denunciou corajosamente o governo americano, que criou um programa chamado PRISM para bisbilhotar a vida de qualquer cidadão em todos os recantos da terra. Esse esquema de vigilância monitora, além das contas telefônicas, informações do Yahoo, Microsoft, Google, AOL, YouTube, Apple, Skype, PalTakl, Facebook e The devil on four, ou seja, o diabo a quatro.
Foi justamente xeretando uma mensagem no facebook que os serviços de espionagem dos EUA tomaram conhecimento de que Snowden, estava no avião do Evo. Conto como foi. A coisa funciona assim. Uma simples mensagem familiar, como a que postei ontem, pode ser lida pelo Obama na Casa Branca. Escrevi: "Pão Molhado, não faz terrorismo com a Giza". A palavra "terrorismo" foi o suficiente para alertar os espiões que capturaram a postagem e, em um milionésimo de segundo, sabiam o que meu sobrinho, conhecido pela CIA como Wet Bread,fazia com sua esposa.
Um micropaís
Foi uma dessas mensagens, postada no facebook pelo paraense de Santarém, Onildo Elias Castro Lima, ex-Secretário Municipal de Finanças de Manaus, que alertou a CIA sobre a presença de Snowden. Ele escreveu:
"A Bolívia com seus "cocaleros" têm suas ações internacionais sob suspeição há muito tempo! Um país que exerce práticas produtivas à margem da legalidade pode exigir respeito de alguém?"
Os espiões americanos desconfiaram. Eles descobriram, bisbilhotando, que o economista Onildo é sócio proprietário na empresa Instituto de Consultoria e Pesquisa S/C Ltda - CEAG. Oferece consultoria na área de gestão empresarial como ele mesmo diz no seu perfil do face:
"Coloco-me à disposição dos organismos nacionais e internacionais com minha experiência profissional com mais de 30 anos na área da Micro e Pequena Empresa".
Ora, a CIA acredita que a Bolívia é um micropaís e, portanto, que Onildo tem legitimidade para opinar sobre o tema. Aproveitou a consultoria oferecida por Onildo, com mais de trinta anos de experiência, cruzando-a com outra informação proporcionada por Vicente Pinheiro, também do Amazonas, que postou colocando a mãe de Deus no meio da história:
"Mas não adianta. O Brasil não é, e nem NUNCA VAI SER mais uma republiqueta bolivariana, como a pobre Venezuela chavista, a Bolivia do índio cocalero e o Equador, assim que Deus e Nossa Senhora Aparecida continuem nos protegendo e livrando das garras desse pessoal.
A CIA matou a charada. O "índio cocalero" Evo Morales estava na Rússia, em uma reunião para celebrar um acordo bilateral com o presidente Vladimir Putin. Acontece que Snowden, caçado como ratazana pela CIA, por "pura coincidência" estava também no aeroporto de Moscou. Depois da reunião, o avião de Evo Morales decolou para a Bolívia. É evidente que Snowden entrou no avião do "cocalero à margem da legalidade".
Opinião hedionda
A partir daí aconteceu o que foi noticiado. Os americanos deram a ordem e os governos europeus, apesar de serem também vítimas da espionagem, botaram o rabinho entre as pernas e obedeceram. O avião de Evo, que precisava reabastecer para cruzar o Atlântico, não teve a permissão para aterrissar na França, em Portugal, na Itália, nem na Espanha, colocando em risco a vida do presidente da Bolívia e de seus colaboradores. Só não aconteceu uma tragédia, porque a Áustria concedeu um "pouso vigiado" da comitiva presidencial.Vasculharam o avião e Snowden havia se derretido.
A opinião pública internacional ficou indignada. A presidenta Dilma, em uma nota oficial, se solidarizou com Evo Morales e expressou "repúdio e indignação ao constrangimento imposto ao presidente. Considerou que a ação dos europeus "compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações".
O que faltou dizer é que esses americanos são mesmo uns abestalhados. Gastam bilhões de dólares com serviço de espionagem e contra-espionagem para nada. São uns incompetentes. Dá vontade de rir na cara deles e gritar: - Otários, babacas! Também quem manda acreditar no Onildo e no Vicente.
Ora, o que Onildo entende do assunto, se Evo não é uma micro ou pequena empresa? O que é que ele sabe sobre a coca? De coca, só mesmo a cola, como consumidor, mas com o Evo não cola. Recentemente, Evo subiu à tribuna da Comissão de Estupefacientes das Nações Unidas, em Viena, com folhas de coca na mão e com amostras de vários produtos:
“Peço a todos os países, a todas as organizações internacionais que corrijam um erro histórico” - disse Evo Morales, apelando para excluir a coca da lista de entorpecentes proibidos: “Fabricantes de folhas de coca não são narcotraficantes, consumidores de folhas de coca não são viciados em drogas, e a folha de coca no seu estado natural não é cocaína”.
A coca vem sendo utilizada há milênios como planta sagrada, milagrosa, alimento cuja folha representa a força, a vida e que é oferecida aos deuses fazendo a ponte entre os homens e a divindade. De qual legalidade fala Onildo? Quem extraiu a cocaína da planta não foram os bolivianos, quem produz e consome cocaína também não são os bolivianos. Cocaleros são os outros.
O Senado, que aprovou projeto transformando a corrupção em crime hediondo, devia classificar algumas opiniões como "opinião hedionda, sórdida, nauseabunda",  como essa manifestada em relação a um presidente de uma nação soberana eleito pelo voto popular.
Como escreveu uma historiadora, em outra postagem: "Evo Morales tem que ser recebido porque é o presidente eleito de um país no caso a Bolívia. A Itália, a Áustria e a França faltaram com respeito ao povo boliviano. Criaram um problema diplomático. Em vez de se orgulharem de receber um Aymara que chegou a presidência do seu país ficam com preconceito. Isso é coisa de americanos que querem se meter na vida de todos os países. Por isso não consigo ter pena quando acontece alguma reação contra os EUA".
 P.S. - Ilustração do nosso parceirinho Fernando Assaz Atroz


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