quinta-feira, 31 de maio de 2018

Gasolina mais cara no Brasil desmantelado

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Da redação
Manaus – 31/05/2018

Pedro Parente continua na presidência da PETROBRAS para proteger os lucros das empresas americanas em detrimento da vida do povo brasileiro.

O governo TEMER anunciou ontem, quarta feira 30 de maio, mais um aumento do preço da gasolina. A partir de hoje (31) o preço nas refinarias subirá 0,74% e passará a ser de R$ 1,9671 por litro.

Mesmo sem solucionar a greve dos caminhoneiros, o presidente da Petrobras Pedro Parente-PSDB resolveu, na quarta-feira (30), aumentar o preço da gasolina após cinco quedas consecutivas. A partir de hoje (31/5), o preço nas refinarias subirá 0,74% e passará a ser de R$ 1,9671 por litro.

Somente no mês de maio, o preço do combustível acumula alta de 9,42%. Em 28 de abril, a gasolina nas refinarias custava R$ 1,797.

Enquanto isso, Pedro Parente-PSDB continua prestigiado por Temer na presidência da PETROBRAS para proteger os lucros das empresas americanas em detrimento da vida do povo brasileiro.
  • Pela redução do preço do diesel, da gasolina e do gás de cozinha!
  • Mudança imediata da política de preços dos combustíveis: Fora Parente!
  • Em defesa da Petrobras estatal, não à privatização!
  • Fora Temer! Por eleições livres e democráticas!

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A Direita da Desordem

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Mário Lúcio
Manaus - 31/05/2018

Brasil com os combustíveis nas alturas, importando derivados de petróleo e importando derivados de petróleo a valores exorbitantes, custo de vida totalmente incompatível aos ganhos salariais para os trabalhadores, bem como para uma casta de políticos, tudo conduzido exclusivamente pela DIREITA DO BRASIL.

No plano local, a DIREITA também impera, porém não governa, o abandono do administração pública estadual e principalmente municipal é evidente.

A nível estadual, no Amazonas, a marginalidade e as drogas ganha campo, enquanto o Estado investe milhões numa consultoria de uma empresa Norte Americana que não conhece nada de nossa realidade.

A nível municipal, em Manaus, as empresas de transportes coletivos não honram reajuste salarial de 3,5% do dissídio do ano passado e mais 3% deste ano, para forçar a greve dos rodoviários e um futuro reajuste na tarifa de ônibus. Enquanto isso temos um prefeito adormecido que não é capaz de fiscalizar o sistema e gerenciar crises locais, porque estava mais ocupado em querer ser pré-candidato à presidência do Brasil.

Enfim, precisamos intervir nestas políticas públicas conduzidas pela DIREITA que equivocadamente abandonam o interesse público e servem-se da estrutura de poder para atender seus interesses privados e privatistas!

Neste sentido, coloco-me ao lado daqueles que acreditam que a opção de esquerda, de forma autêntica e verdadeira, é o caminho para as mudanças neste cenário de desordem na administração pública.

Mario Lúcio é formado em Direito, especialista em educação e presidente do Partido Socialismo e Liberdade - PSOL em Manaus.
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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Tribunal Devolve Direitos do ex-presidente Lula

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Da redação
Manaus - 30/05/2018

Uma decisão do desembargador federal André Nagabarrete Neto do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região assegurou, despachada nesta terça-feira (29), devolveu ao ex-presidente Lula, os direitos garantidos aos ex-presidentes da República.

Em seu despacho, o magistrado considera que "A simples leitura dos dispositivos mencionados evidencia que aos ex-Presidentes da República são conferidos direitos e prerrogativas (e não benesses) decorrentes do exercício do mais alto cargo da República e que não encontram nenhuma limitação legal, o que obsta o seu afastamento pelo Poder Judiciário, sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes, eis que haveria evidente invasão da competência legislativa".

O ex-presidente, Lula tem direito a quatro servidores para segurança e apoio pessoal, dois assessores, dois motoristas e dois carros.

A defesa de Lula alegou que a necessidade de auxílio de seus assessores é para que cuidem da manutenção de seu acervo pessoal, lhe forneçam medicamentos, roupas e outros itens necessários à sua dignidade e subsistência.

“A interpretação da lei, por fim, não pode estar sujeita às variações do ambiente político conjuntural, sob pena de se comprometer o Estado de Direito”, afirmou o desembargador.

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Quarta, 30 de maio é Dia Nacional de Luta

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Divulgação
Manaus - 30/05/2018

Pela redução do preço do gás e do combustível, Frentes convocam dia nacional de luta.

O povo brasileiro está indignado com o alto custo de vida, o valor do gás e do combustível, que já foi reajustado mais de duzentas vezes em dois anos e exige respostas imediatas.

Por isso, apoiamos a luta dos caminhoneiros em greve e dos petroleiros que iniciarão uma greve de advertência de 72h a partir de 0h do dia 30.

Nosso apoio se concretiza com solidariedade e luta! Portanto chamamos todas as pessoas a participarem do Dia de Luta em todo o país nesta quarta-feira, dia 30 de Maio.

A disparada do preço do combustível se deve à política implantada por Michel Temer e Pedro Parente que submetem o nosso país, autossuficiente em petróleo, às variações e interesses do mercado internacional.

Enquanto Temer e sua base atuam para entregar a Petrobras às empresas multinacionais, agravando o problema dos preços do gás e dos combustíveis, nós dizemos que ela é do Brasil. É patrimônio do nosso povo e vamos continuar a defendê-la. Por isso, exigimos a saída imediata do presidente da Petrobras Pedro Parente, a mudança na política de preços e o fim de qualquer tentativa de desmonte e privatização.

Está claro que o caos que o nosso país vive é fruto direto da falta de democracia e de um governo ilegítimo que está de costas para o povo. Por isso, mais do que nunca, é fundamental a garantia de eleições livres e democráticas com a participação de todas as candidaturas. A única saída dessa crise passa pela retomada da democracia e pela defesa dos direitos do povo, contra todo o tipo de injustiça, violência e repressão.

  • Pela redução do preço do diesel, da gasolina e do gás de cozinha!
  •  Mudança imediata da política de preços dos combustíveis: Fora Parente!
  • Em defesa da Petrobras estatal, não à privatização!
  •  Fora Temer! Por eleições livres e democráticas!

FRENTE POVO SEM MEDO
FRENTE BRASIL POPULAR
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terça-feira, 29 de maio de 2018

Brasil na lista suja da OIT: Nota Oficial das Centrais Sindicais

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Divulgação
Manaus-29/05/2018

A OIT - Organização Internacional do Trabalho decidiu nesta terça feira, 29 de maio, incluir o Brasil na lista dos 24 países violadores das suas convenções e normas internacionais do trabalho.

A inclusão do Brasil na lista se deu em decorrência da aprovação da Reforma Trabalhista (Lei 13.467/17) que retirou dezenas de direitos das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, violando normas fundamentais da OIT, especialmente a Convenção 98, ratificada pelo Brasil, que trata do Direito de Sindicalização e de Negociação Coletiva. A OIT avalia que a possibilidade do negociado prevalecer sobre o legislado para retirar ou reduzir direitos e de ocorrer negociação direta entre trabalhador e empregador, sem a presença do Sindicato, são dispositivos que contrariam a referida convenção.

Esta decisão da OIT, uma agência da ONU – Organização das Nações Unidas, confirma as denúncias das Centrais contra as práticas antissindicais do governo que se tornaram ainda mais graves com a tramitação do projeto da reforma no Congresso Nacional, aprovada sem diálogo com as representações de trabalhadores e trabalhadoras, neste caso, violando também a Convenção 144 da OIT.

Diante da decisão da OIT, os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros esperam agora que o governo reconheça a gravidade do erro cometido e faça a revogação imediata da reforma trabalhista.

Genebra, 29 de maio de 2018.

CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros
CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
CUT – Central Única dos Trabalhadores
FS – Força Sindical
NCST - Nova Central Sindical de Trabalhadores
UGT - União Geral dos Trabalhadores

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sábado, 26 de maio de 2018

Geraldo Sá Peixoto: navegando nas águas do rio Negro

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José Ribamar Bessa Freire
Em: 27 de Maio de 2018
Fonte: TAQUIPRATI

Dói encarar a morte quando ela leva nossos afetos, que sabemos finitos, para outra dimensão. Na tarde dessa sexta (25), foi sepultado no cemitério São João Batista, em Manaus, aos 66 anos, Geraldo Pantaleão Sá Peixoto Pinheiro, meu aluno e, ao mesmo tempo, meu professor no curso de História da Universidade do Amazonas. Fomos parceiros em várias publicações, em tantos cursos, em muitos eventos, projetos, exposições, viagens e conversas, a última em Manaus, no bar Galvez, com ele e Simara, sua fiel companheira. A cumplicidade foi tanta em torno da paixão pelos índios, pela Amazônia, pela história, pela vida, que viramos irmãos.

Conheci Geraldo em meados de 1983 quando, recém chegado da França, com um doutorado ainda sem defesa de tese, entrei numa sala de aula do velho ICHL para ministrar a disciplina História do Amazonas. Lá encontrei aquele aluno magricela e tímido, excepcionalmente brilhante, que até então nunca havia saído de Manaus, mas que conhecia a historiografia francesa melhor do que o professor vindo de Paris respaldado pelas aulas de Ruggiero Romano e Pierre Vilar. Alguns colegas mais ciosos da hierarquia ficaram escandalizados quando berrei aos quatro ventos:

- Tenho um aluno de graduação que me dá aulas e orienta minhas leituras.

Isso é raro, mas aconteceu com esse aluno que bebeu História na mamadeira, no berço, com seu pai, o mestre Geraldo Pinheiro, um sábio da Amazônia como não existe mais, de quem herdou o nome e as luzes. Compartilhava generosamente com colegas e professores a biblioteca paterna. Dessa forma, enquanto eu ministrava aulas, fui discípulo do meu aluno com quem muito aprendi. Saiu graduado pela UFAM para o mestrado na USP, mas seu orientador, o historiador Marcos Silva, o encaminhou diretamente para o doutorado, reconhecendo a densidade de seus conhecimentos.

As pesquisas

Sofríamos ambos de pedantismofobia, marcados pelo temor de que o sistema nos engolisse. Talvez, por isso, seu primeiro doutorado na USP também foi interrompido. Só muito depois, em 2012, defendeu na Universidade do Porto, em Portugal, a tese -Imprensa, Política e Etnicidade: Portugueses Letrados na Amazônia: 1885-1937, Acompanhei a elaboração de cada capítulo, da mesma forma que ele contribuiu para minha tese sobre a história das línguas na Amazônia, me apresentando Francisco Amorim, um portuga de Povoa de Varzim que chegou no Pará, aos dez anos de idade, em plena Cabanagem, aprendeu Nheengatu e virou caboco.

Geraldo aborda em sua tese o processo de construção de uma portugalidade na Amazônia, através da análise dos jornais editados por imigrantes portugueses em Belém e Manaus. Navega pela antropologia e pela história cultural para discutir a construção e a negociação da identidade luso-cabocla. Usa, entre outros, os trabalhos do historiador Marco Morel para avaliar a relação imprensa e poder. Sua pesquisa, referência nesse campo, reconhecida pela UERJ, que revalidou o diploma com louvor, originou convite para que integrasse o Conselho Científico do Museu da Emigração - Portugal e o quadro de pesquisadores da Universidade do Minho.

Antes mesmo do doutorado, compartilhamos a autoria e a organização de várias livros sobre história da Amazônia, história da Imprensa, história de Manaus. Num 24 de dezembro de 1983, à noite, com as respectivas famílias nos esperando para a ceia de natal, Geraldo e eu trabalhamos numa máquina de escrever até as 23 horas para fechar, dentro do prazo, o livro “A Amazônia Colonial: 1616-1798”. Um ano depois, na casa de dona Teresa Nóvoa, com um grupo de alunos de História, organizamos o catálogo de jornais publicado em outro livro “Cem anos de Imprensa no Amazonas (1851-1950), com material coletado anteriormente por alunos da disciplina Jornalismo Comparado.

As exposições no Museu

A presença afro na Amazônia estava dentro de seus horizontes, em grande medida motivado pelo velho Geraldo, que tornou visível a influência negra na cultura de Manaus, nos batuques, na religião, na vida citadina e na produção intelectual da cidade. O novo Geraldo publicou vários artigos sobre o tema, um deles nos Anais do VI Congresso Afro-luso-brasileiro realizado no Porto, em 2000, o outro, quando já aposentado, apresentou “A manipulação da memória oficial sobre a presença afro na Amazônia” no seminário no Dia Mundial de Combate ao Racismo, em 2017. Um ano antes, no evento pela Igualdade Religiosa, escreveu o texto Baláio da Oxum.

Mas foi a temática indígena que absorveu grande parte do seu interesse acadêmico. Guardo ainda a xerox do livro de Von Martius – Natureza, doenças, medicina e remédios dos índios Brasileiros (1844) -  registrado na biblioteca do velho Geraldo com o número 279, que o novo Geraldo me enviou com a foto do pai.

No Museu Amazônico, do qual foi diretor (1993-96), organizou a documentação colonial sobre o Grão Pará e a Capitania do Rio Negro copiada do Arquivo Histórico Ultramarino de Portugal. Viajou à Áustria, onde conheceu as coleções etnográficas do séc. XIX do Museu Etnográfico de Viena, que lhe permitiu montar a exposição Natterer: um naturalista austríaco na Amazônia. Presidiu ainda aExposição Internacional Memórias da Amazônia: Expressões de Identidade e de Afirmação Étnicacom mais de 300 peças coletadas nas comunidades indígenas do Rio Negro, no séc. XVIII, por Alexandre Rodrigues Ferreira e que estão em Portugal.

Na qualidade de curador, focou seu trabalho na Amazônia indígena.  Coordenou o projeto Ara Watasara e promoveu diversas mostras da cultura material indígena. Foram muitas: dasManufaturas em madeira aos Trançados do Amazonas, da Arte Tikuna à Cultura Tuyuka, além de uma exposição histórica sobre Manaus, modos de ver, modos de viver.

Lembro de nossa parceria na exposição itinerante As Primeiras Imagens da Conquista, com desenhos do cronista andino Poma de Ayala, do séc. XVI, realizada pela UERJ, no Rio, e acolhida pelo Museu Amazônico, assim como da mostra Escultura Tikuna – uma homenagem ao Museu Maguta, que apresentou ao público de Manaus esculturas de pássaros, peixes, quelônios, insetos, sapos, cobras e outras imagens esculpidas pelos artistas tikuna.

E os Miranha, que estavam “desaparecidos”? Nós os encontramos por acaso, em 2005, num hotel do Boulevard Amazonas, onde eu estava hospedado. Com Geraldo, entrevistamos Eunerina Marins, cacique Miranha da aldeia de Cajuhiri. Ela havia se deslocado de Coari com seus parentes para questionar a Petrobrás pelos impactos do poliduto de Urucu que atravessa suas terras. A documentação histórica trazida pelo ex-diretor do Museu Amazônico foi fundamental para municiar a reivindicação dos índios.

Cursos com os índios

Geraldo 3O conhecimento da documentação e das coleções etnográficas permitiram que juntos ministrássemos vários cursos de formação de magistério indígena. Foi o caso das aulas de História na Licenciatura Intercultural para Professores Indígenas do Alto Solimões da Universidade do Estado do Amazonas, em 2008, ministradas na Aldeia Filadélfia, em Benjamin Constant, por quatro docentes: David Leal, que havia sido aluno de Dorinete Bentes, ex-aluna de Geraldo, que havia tido aulas comigo. Éramos quatro gerações de professores a serviço dos Tikuna e Kambeba.

Foi um momento enriquecedor, de muita alegria na repartição de saberes. Dois anos depois, em 2010, Geraldo e eu subimos outro rio para dar o I Curso de História do Médio Rio Negro, em Barcelos, a professores e lideranças indígenas com as quais discutimos identidade étnica, valorização das línguas indígenas, trajetórias pessoais, memórias e narrativas regionais. Não precisa dizer que foi o Geraldo, com sua paixão pela história, que organizou a coletânea de documentos históricos, cujos trechos usados no curso juntos selecionamos.

Três anos depois, em 2013, subimos outra vez o rio em nova parceria no II Curso de História sobre o Médio Rio Negro, realizado na aldeia Baré de Canafé. De noite, sem luz, sem televisão, sem internet, iluminados por uma lua escandalosa, funcionavam as rodas de conversa, com Camila Sobral, Carla Dias, Lirian, Iñaki Gomez, trocando um dedo de prosa com os índios, entre os quais Braz França, ex-presidente da FOIRN e Marivelton Baré, com seu rico repertório de anedotas. Aí, Geraldo, grande contador de histórias, gozador, sacana, brincalhão, nos hipnotizava com suas narrativas.

“Guardo boas recordações de sua leveza, alegria e paixão pela história” – disse uma das organizadoras do curso, Lirian Ribeiro. Quem conviveu com esse amigo e parceiro querido pode confirmar isso.  Compartilhamos com a família enlutada a dor da perda. Na foto que Lirian postou no facebook, em que estamos nós, numa canoa, a legenda: “Nós, pelas águas do rio Negro, durante o evento em Canafé”. Lá vamos nós, navegando pelas águas do rio Negro. Boa viagem. Até breve. Hasta siempre. 

P.S. – A tese de Geraldo vai dedicada, in memoriam, ao pai e à mãe, Maria do Céo. Aos filhos Geraldo Neto, Marcelo, Danielle, Mariana e Alexandre. E “aos meus irmão em Clio, José R. Bessa Freire (Unirio, Uerj), Luís Balkar e Maria Luiza Pinheiro pelo permanente e profícuo diálogo [...] Sem eles é muito provável que o prazer do “fazer História” desta experiência fosse comprometido de forma irremediável”. Estamos todos pranteando sua partida.



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Da Vila Euclides á Greve dos Caminhoneiros

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José Luiz Fevereiro
Em: 26 de maio de 2018
A greve dos caminhoneiros, hoje no seu sexto dia, abriu forte debate na esquerda. Greve ou Lockout? afinal autônomos, pequenos e grandes empresários tinham uma mesma pauta , resultado de uma politica de preços insana da administração da Petrobrás.
O ajuste quase que diário dos preços nas refinarias de um insumo estratégico para a economia, resultou em 12 aumentos só no mês de maio. Pressionados pela redução da demanda por fretes em função da devastadora recessão, uma categoria já em crise e com acentuada queda de renda, sofre os reajustes quase diários porque o cambio subiu, porque o petróleo subiu, porque afinal os acionistas da Petrobras precisam maximizar seus lucros.
A justeza da pauta que se choca frontalmente com a agenda neo liberal já é razão bastante para que a esquerda não titubeasse no seu apoio á greve. Mesmo que fosse o caso, que não é, dos empresários do setor serem os grandes beneficiados de uma eventual derrota do governo. Se empresários se contrapõem á gestão privatista da Petrobras e sua politica de preços, ótimo.
Acontece que a categoria dos caminhoneiros historicamente é hegemonizada ideologicamente pelo conservadorismo. A própria natureza da atividade, descentralizada, individual, onde a renda de cada um depende de seu desempenho pessoal, não estimula lutas coletivas nem a formação de espaços coletivos de debate, o que torna o terreno mais difícil para a esquerda. Por outro lado a crise precarizou enormemente a categoria e a levou á confrontação com a agenda liberal do governo.
A extrema direita percebeu o potencial politico do movimento e trabalhou organizadamente para colar a sua agenda nesta luta. Faixas produzidas de forma industrial com as palavras de ordem do fascismo não caíram do céu nem apareceram espontaneamente nos bloqueios. A esquerda demorou a reagir mas acertadamente acabou por tomar o lado certo no apoio á greve. Se não disputarmos deixaremos o terreno livre para a extrema direita que como todo o movimento de características fascistas se tornou no Brasil um movimento de massas, muito organizado, e com real capacidade de mobilização.
A crescente desindustrialização do Brasil e o processo de reestruturação produtiva reduziram enormemente o peso do operariado e de categorias organizadas onde tradicionalmente a esquerda tem força. Significativo notar que as 3 principais mobilizações grevistas ocorridas nesta década no Rio de Janeiro, que tiveram forte impacto na sociedade e que ganharam adesão popular tenham sido a dos bombeiros em 2011, as dos garis em 2014 e agora a dos caminhoneiros. Luta social do precariado. As intermináveis greves de professores não logram nem repercussão nem maior solidariedade. Esses, por duros que sejam, são os fatos.
Não teremos mais Vila Euclides e a histórica greve dos metalúrgicos do ABC. Hoje quem move a historia é o bloqueio no trevo de Manilha. E lá a disputa é com a extrema direita também anti liberal. Esse cenário chegou para ficar. Quem na esquerda não estiver preparado para disputar politica de massas com o Bolsonarismo nas ruas, sugiro preparar passaporte e emigrar talvez para a Groenlândia. Ou assumir seu papel de comentarista da luta de classes.
Em 2011 os bombeiros mobilizaram todo o estado na sua luta contra Cabral. Eles fazem parte de uma corporação militarizada, são na sua maioria evangélicos e ideologicamente hegemonizados pela extrema direita e suas pautas. Mas foi importante a esquerda ter apoiado a sua luta em 2011. Hoje há uma liderança de esquerda na corporação, a ABMERJ, sempre presente e solidaria nas lutas sindicais de outras categorias e que cumpre um importante papel. Toda a liderança do movimento dos garis de 2014 está na esquerda.
E agora? vamos deixar o fascismo representar os caminhoneiros sem disputa?"

Fonte: José Luiz Fevereiro Facebook 
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quarta-feira, 23 de maio de 2018

No jequitibá, sonhando com Sônia Guajajara

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José Bessa Freire
Em: 20 de maio de 2018
Fonte: TAQUIPRATI 
Vanuire: esse é o seu nome. Franzina, de idade indefinida, trabalhou como escrava em uma fazenda, onde o então coronel Rondon, criador do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), foi buscá-la para apaziguar os Kaingang do vale do Rio Feio, invadido pelas obras da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Ela sonhou com a paz. Subiu numa árvore de jequitibá e, lá do alto, começou a cantar em língua kaingang, de manhã, de tarde e de noite, durante dias, até que um acordo de paz foi assinado. Morreu em 1918 e está sepultada em um mausoléu em Tupã (SP), onde existe um museu com seu nome. Conquistou a paz, cantando. 
Cem anos depois, Sônia Bone Guajajara, 44 anos, da aldeia Lagoa Quieta, na Terra Indígena Arariboia (MA), sonha um Brasil avançando pelo “caminho iluminado” da justiça social. Seu jequitibá é o PSOL, que apresentou sua candidatura a vice-presidente da República, na chapa com Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). De lá, como primeira indígena numa chapa presidencial, ela já começou a cantar, consciente de que a paz social se conquista com muita luta e não depondo as armas da mobilização e da organização.
A trajetória de Sônia
A vida de Sônia Guajajara é feita de constante luta. Dos 10 aos 14 anos, cursou o antigo ginásio na cidade de Amarante (MA), enquanto trabalhava como doméstica e babá para manter seus estudos. Depois, com apoio da Funai, cursou o Ensino Médio na cidade de Esmeraldas, em Minais Gerais. Lá, participou ativamente das atividades do Grêmio Estudantil da Fundação Caio Martins e de apresentações teatrais. Aprovada com as melhores notas, retornou ao Maranhão para cursar Letras e Enfermagem e, depois, uma pós-graduação em Educação Especial na Universidade Estadual (UEMA). 
Mesmo depois de casada, mãe de três filhos – Mahkai, Yaponã e Y’wara – Sônia continuou politicamente ativa. Participou de muitas frentes de luta e foi se firmando como liderança reconhecida dentro e fora do movimento indígena. Durante seis anos, dirigiu a Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (COAPIMA), depois foi vice-presidente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), sediada em Manaus. Finalmente, se tornou a líder da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).
Nesta condição, viajou por todo o Brasil, participou de caravanas à Brasília para pressionar o Congresso Nacional reivindicando terra, qualidade de vida, meio ambiente sadio, saúde e educação, enquanto trabalhava na Funai como auxiliar de enfermagem nas aldeias Canudal e Zutiw’a. Na APAE cuidou de crianças excepcionais, sendo aprovada em concurso público, primeiro como auxiliar de enfermagem, e depois como professora.
Todos os grandes eventos protagonizados pelo movimento indígena nos últimos vinte anos contaram com a participação decidida de Sônia Guajajara. Ela estava presente na Marcha para discutir o Estatuto dos Povos Indígenas, o primeiro evento nacional em Luiziânia (GO), em 2001, e nas assembleias da COIAB em Manaus. “Fui crescendo e aprendendo na luta” - ela diz, relatando sua atuação nos encontros estaduais indígenas do Maranhão, no movimento de ocupação da FUNASA, na interdição da Ferrovia Carajás-Vale, em 2005.
Sônia foi ovacionada, em dezembro de 2015, por cerca de 1.500 índios, de 139 etnias, participantes da I Conferência Nacional de Política Indigenista (CNPI) realizada no Centro Internacional de Convenções de Brasília, quando cobrou, com sucesso, da então presidente Dilma, uma posição contra a Proposta de Emenda Constitucional que inviabilizava a demarcação de terras indígenas, a famígerada PEC 215, defendida pela ministra da Agricultura Kátia Abreu. Três anos antes, sob pressão dos índios, Dilma havia assinado o decreto da Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial em terras indígenas.
Miss Motosserra
Depois de ganhar projeção nacional, Sônia começou a ser conhecida em outras partes do mundo. Em 2008 participou do Forum Permanente da ONU, em Nova Iorque, onde defendeu que “o centro do mundo é a Amazônia, pois se acabarem com as nossas matas, riquezas naturais, não haverá Estados Unidos ou Nova Iorque que sobreviva”.

Teve participação em diversos eventos internacionais. O mais conhecido deles ocorreu em 2010, em Cancun, no México, quando pessoalmente entregou o Prêmio Motosserra de Ouro à senadora Katia Abreu, que era a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), acusada por ambientalistas de querer acabar com o Código Florestal.

É essa Sônia Guajajara que se apresenta ao eleitor brasileiro como candidata a vice presidente da República pelo PSOL, ao qual se filiou em 2011, depois de sair do PT, por discordar da aliança feita localmente com Roseana Sarney e nacionalmente com o pai da dita cuja. Ela é conhecida fora do Brasil pela sua luta em defesa do meio ambiente, contra o desmatamento e a poluição dos rios. Sua voz se fez ouvida no Conselho de Direitos Humanos da ONU e nas Conferências Mundiais do Clima (COP) de 2009 a 2017, além do Parlamento Europeu, entre outros órgãos e instâncias internacionais.
Sônia Guajajara acredita que é possível fazer política de forma ética e honesta, mas para isso é importante que as pessoas de bem, com tais qualidades, ocupem o espaço da vida política, hoje propriedade de quadrilhas, seja votando, seja sendo votado.
A candidata a vice-presidente já recebeu várias comendas e honrarias, como o Prêmio Ordem do Mérito Cultural, em 2015, concedido pelo Ministério da Cultura e a Medalha 18 de Janeiro conferida pelo Centro de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos Padre Josimo. Ela vem manifestando sua preocupação com o que denomina de “pacote do veneno”, o projeto de lei apresentado pelo atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que facilita o uso de agrotóxicos e elimina controles de órgão da saúde e do ambiente.
Já estou em campanha, vestido com a camisa de Sônia Guajajara e Guilherme Boulos, com a esperança de que consigam trazer para o debate nacional as reivindicações dos índios, dos sem-teto, dos sem-terra e de toda a população lascada do Brasil. O povo Guajajara/Tentehar, como os Guarani, sabem muito bem que os sonhos, como parte das tradições, trazem revelações – omoexakã  - capazes de guiar cada passo no processo de construção deste imenso Tekoa que é hoje o Brasil. De Vanuire à Sônia, um longo caminho de sonhos. 




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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Mensagem do Lula ao Povo Brasileiro no Dia do Trabalhador

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A Lucta Social
Manaus - 02/05/2018

"A esperança que retomamos neste 1.º de Maio unificado não é apenas um desejo, é algo que buscamos em nossa luta democrática em todos os dias. Ela nos fortalece para superarmos o triste momento presente e para construir um futuro de paz e prosperidade."

(...) Lula - 1º de maio de 2018

Em carta lida pela senadora Gleisi Hoffimann no Ato Unificado das Centrais Sindicais realizado nesta terça-feira – 1º de maio – Dia dos Trabalhadores, o ex-presidente Lula enviou uma mensagem ao povo brasileiro e aos trabalhadores fazendo uma reflexão sobre as condições da classe trabalhadora, reafirmando a esperança de paz e prosperidade para o povo brasileiro. Lia a carta de Lula na integra.

Mensagem ao Povo Brasileiro no Dia do Trabalhador

Meus amigos, minhas amigas, o Brasil vive esse 1º de maio com tristeza, mas com esperança.

É com tristeza que vivemos um momento onde a nossa democracia está incompleta, com um presidente que não foi eleito pelo povo no poder. O desemprego cresce e humilha o pai de família e a dona de casa. Em uma força de trabalho superior a 100 milhões de pessoas, apenas 33 milhões têm carteira assinada, o número mais baixo em 6 anos.

Uma multidão de mais de 13 milhões está desempregada e outros tantos milhões em subempregos ou na informalidade. O país sofreu com a reforma do governo Temer o mais duro golpe nos direitos conquistados pelos trabalhadores ao longo do século XX.

É com tristeza que vemos a economia patinar, conquistas democráticas serem revogadas e a maioria da população fazendo sacrifícios diariamente. O direito ao trabalho, a proteção da lei, ao estudo, ao lazer tem sido cada vez mais restritos. A mesa já não é farta, e até para cozinhar o pouco que tem muitas famílias catam lenha porque não podem mais pagar o bujão de gás. Crianças e jovens perdem o futuro que lhes garantimos e a porta de acesso ao ensino superior que tiveram nos governos nos quais servimos em benefício daqueles que mais precisavam.

Vocês se lembram da prosperidade do Brasil naqueles tempos. Quando o Brasil ia bem e parte da imprensa reclamava o tempo inteiro.

Agora o Brasil vai mal e os mesmos falam em “retomada da economia”. A sabedoria popular contra essa propaganda massiva, em especial das Organizações Globo, que controlam a maior parte das comunicações desse país, revela-se nas pesquisas, onde o povo mostra que sabe o caminho para voltar a ter um Brasil melhor, com mais inclusão social, democracia e felicidade.

Um Brasil onde os trabalhadores tenham direito a ter direitos. Onde os trabalhadores possam ter uma vida digna. Onde as crianças possam ter uma boa educação. Onde nenhum menino ou menina passe fome ou fique pedindo esmola em um farol. Onde o filho do pedreiro possa fazer uma faculdade e virar doutor. Um país do qual possamos ter orgulho.

Sabemos que esse Brasil é possível. Mais do que isso, já vivemos nesse Brasil há muito pouco tempo atrás.

Por isso a esperança! A esperança que retomamos neste 1.º de Maio unificado não é apenas um desejo, é algo que buscamos em nossa luta democrática em todos os dias. Ela nos fortalece para superarmos o triste momento presente e para construir um futuro de paz e prosperidade.

Viva o Dia dos Trabalhadores!
Viva os trabalhadores brasileiros!
Viva o Brasil!

Luiz Inácio Lula da Silva

Curitiba, 1 de maio de 2018
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