quarta-feira, 29 de junho de 2011

Morde e assopra nuclear

Heitor Scalambrini Costa

Heitor Scalambrini Costa
Após o trágico acidente nuclear na central japonesa de Fukushima com considerável vazamento de material radioativo, o mundo rediscute os projetos de novas usinas nucleares, e o que fazer com as já existentes. No Brasil, o governo federal age no sentido oposto.

Defensores das usinas nucleares se contradizem, apelando que o momento é de cautela, e que governo vai analisar a entrada de projetos de energia nuclear na discussão do Plano Nacional Energético 2035. Ao mesmo tempo defendem a qualquer custo, que o País não abandone os projetos nucleares com o argumento de não ficar defasado desta tecnologia no futuro, e que a construção de Angra 3 vai continuar, sem alteração do seu cronograma.

Esta nova posição (estratégia?) pode ser considerada mais moderada, se comparar com as declarações do Ministro de Minas e Energia, que chegou a anunciar publicamente que o País teria dezenas de (cerca de 50) usinas nucleares até 2050.

De fato, ocorre que mensagens estão sendo enviadas à sociedade pelo lobby nuclear, no sentido de apontar certo recuo e bom senso, tendo em vista a grandiosidade e as reais conseqüências do acidente nuclear ocorrido no Japão, com enormes prejuízos econômicos, sociais, ambientais. O objetivo é amenizar e mesmo tentar calar o movimento anti nuclear que se organiza e cresce em todo território nacional, se opondo a instalação de novas usinas, defendendo o fechamento das já existentes e a interrupção da construção de Angra 3.

Enquanto ocorrem estas declarações de técnicos funcionários públicos e representantes da indústria nuclear, permanecem as propostas contidas no Plano Nacional de Energia, e definidas pelo Conselho Nacional de Política Energética, composto por apenas 10 membros. Os dirigentes desse setor continuam priorizando a energia nuclear como fonte energética. Desconsideram todas as potencialidades e vantagens das fontes renováveis de energias abundantes no País, quando não aprovam o Projeto de Lei – PL 630/2003, denominado “Lei das Renováveis”, adormecido nas gavetas do Congresso Nacional. Também pouco se investe na conservação de energia, bastando verificar os orçamentos destinados para o Programa de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL) e suas metas pífias.

O discurso oficial atual é para amainar amplos setores da sociedade contrários ao uso da energia nuclear para produção de eletricidade. Enquanto na prática deixa claro que sua política energética prioriza as mega hidroelétricas na região Amazônica, as termoelétricas (com combustíveis fósseis), além das usinas nucleares. Prova cabal desta conduta foi à aprovação pelo BNDES, nos últimos dias de dezembro de 2010, de um financiamento de R$ 6,1 bilhões para a Eletrobrás Termonuclear S/A construir Angra III. Este valor corresponde a 55% do investimento total.

Enquanto o Banco abre “as burras” para o setor nuclear, acaba de divulgar na véspera da festa junina de São João a criação de um fundo de investimento de R$ 150 milhões, voltado exclusivamente a empresas que desenvolvem projetos de tecnologias "limpas" e estão em estágio nascente ou inicial de atividades. Ou seja, uma soma 40 vezes inferior a que foi destinada ao setor nuclear.

Também recentemente (25/05/2011), o Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória - MP 517/2010 editada no final do ano passado, nos últimos dias do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concedeu incentivos fiscais a áreas consideradas estratégicas pelo governo federal, como infra-estrutura, além de tratar de outros assuntos ligados ao setor elétrico.

Um dos assuntos que fez parte do texto da MP foi à criação do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Usinas Nucleares (Renuclear), concedendo isenção de impostos para usinas atômicas. Segundo a Eletrobras Eletronuclear, o regime reduzirá em R$ 700 milhões o custo de Angra 3 - orçada em R$ 9,9 bilhões. Portanto é o Tesouro Nacional, ou seja, nós os cidadãos e cidadãs que pagamos impostos, que continuamos financiando através do BNDES, e da isenção de impostos, a usina nuclear de Angra 3 e o Programa Nuclear.

Logo, a estratégia do governo é clara; enquanto a “poeira radioativa” da catástrofe de Fukushima não assenta, e não sai do foco da mídia nacional e internacional; atua no sentido de realizar um grande esforço de convencimento da população que ele tem cautela quanto aos destinos do projeto nuclear no Brasil. Mas nos bastidores continua priorizando esta tecnologia. Por quê? Sabe lá os motivos. Talvez tenhamos uma resposta perguntando ao “bispo de Itu”, pois os defensores das usinas nucleares continuam “enrolando” a sociedade.

***Heitor Scalambrini Costa é Professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco -Graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), Mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares, na Universidade Federal de Pernambuco e Doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Comissariado de Energia Atômica-França.

Mártires ambientais: acorda Brasil e olha a que ponto chegamos

Foto: Brasil Assassinato
de Dorothy Stang - por Jailson
Alguns deputados disseram nunca terem visto na história deste país um envolvimento tão grande e uma plenária tão abarrotada como foi durante a discussão sobre o Novo Código Florestal. Aí eu penso: será que essa discussão e participação acalorada de nossos excelentíssimos representantes tem a ver com a preocupação com o povo brasileiro? Tem a ver com a proteção de nossos recursos naturais? Ou será, uma vez mais, uma manobra política para beneficiar uma pequena parcela de pessoas?

O discurso é bonito: regularizar o pequeno produtor, aumentar a produção de alimento, proteger o meio ambiente. Mas devemos sempre lembrar o seguinte: essa discussão ultrapassou a esfera dos estudos e ideias – que é onde elas deveriam concentrar seus esforços e permanecer – e se contaminaram com interesses e acordos partidários, ofensas pessoais e mentiras escabrosas.

Você acredita em coincidências? Uma ou outra, talvez. Mas, e quando essas “coincidências” aparentemente não cessam e continuam acontecendo? É evidente que, mesmo não tendo ligação direta, a discussão sobre o código florestal e os assassinatos ocorridos no Pará estão conectados. Enquanto escrevia meu artigo “Novo Código Florestal: o que eu possa falar?”, onde repudiei o assassinato do casal extrativista Zé da Castanha e Maria do Espírito do Santo, que tiveram as orelhas cortadas como “prova” de que o serviço fora feito, tive um sobressalto ao ouvir a notícia de que o líder do Movimento Camponês Corumbiara, Adelino Ramos, fora assassinado com seis tiros quando ia com a família comercializar seus produtos numa feira.

José Cláudio Ribeiro da Silva
e sua esposa
Maria do Espírito Santo da Silva
No dia seguinte, mais um tapa na minha cara: o agricultor Erenilton Pereira dos Santos, de 25 anos, foi encontrado morto. Ele seria a principal testemunha no caso do assassinato do casal morto no dia 24.

E você acha que acabou, certo? E se eu lhe disser que, no dia 1º de junho, o trabalhador rural Marcos Gomes da Silva, 33 anos, foi morto a tiros numa emboscada em Eldorado do Carajás, localizada na mesma região onde o casal foi assassinado? Ele chegou a receber socorro, mas homens armados abordaram o veículo que o levava ao hospital. Ali, Marcos teve a orelha arrancada e foi degolado. Fazendo as contas, foram cinco assassinatos em menos de duas semanas. Lí num folheto, ao acaso, uma frase que me fez refletir sobre os acontecimentos. “A Paz é fruto da Justiça”. Se isto é verdade, e pensando friamente acredito que realmente seja, então quais são as reais esperanças?

A justiça é cega, mas o intuito dessa simbologia é a imparcialidade, exprimindo o desprezo pelo mundo exterior face à “luz interior”, não sendo influenciada por interesses externos, dando o veredicto que compõe, única e exclusivamente, a verdade. São Tomás de Aquino disse certa vez que “se a Lei não é justa, não deve ser obedecida como tal”.

A coordenadora da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Isolete Wichinieski, afirmou numa recente entrevista que a impunidade é a principal razão para a violência no campo. Apenas 21 mandantes de assassinatos teriam sido identificados, sendo que somente um, o assassino de irmã Dorothy, estaria preso. A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, deu uma declaração honesta ao dizer que “o governo não tem condições de garantir a segurança de todos”. Em decorrência da barbárie testemunhada, uma PL foi colocada em votação para tipificar o crime de “extermínio”. Acorda Brasil e olha a que ponto chegamos.

Veja abaixo a palestra do José Cláudio na TEDx Amazônia, em 2010. E veja que tipo de canalha tem coragem de tirar a vida de um cidadão como este.


Reunião do Grito dos excluídos/as 2011

Cartaz do Grito 2011

Salve! Salve!

Companheiros e companheiras,

“Vida em Primeiro Lugar! Pela vida grita a TERRA… Por direitos, todos nós!”

É assim que animados e animadas vamos construindo os caminhos para no dia 07/09, por direitos gritarmos todos e todas nós.

Sendo assim no dia 07/07 – as 18:horas no Cefam –Avenida Joaquim Nabuco, 1023, estaremos reunidos/as para pensarmos, articularmos, mobilizarmos nossa gente para com faixas, panelas, bandeiras, apitos e muita paz levarmos nossos gritos, nossas bandeiras de luta. Sem parar, sem vacilar, respeitando as diferenças, buscando cultivar a cultura da luta e da PAZ.

Aguardamos vocês!

Francy Junior
Educadora da RECID-AM

A esquerda orgânica e as manifestações de rua

Internacional
Milton Temer

Milton Temer
A esquerda mundial tem que tirar consequências do que está ocorrendo na Grécia. O povo assalariado, junto aos setores progressistas da sociedade civil organizada, ocupa as praças diante de um parlamento que não se vexa em se submeter aos ditames da dupla conservadora - Sarkozy e Merkel -, porta-voz da indústria financeira da Europa continental (com o apoio dos reacionários do outro lado do Canal da Mancha).

Esse parlamento não tem maioria de direita. Pelo contrário. É formado uma maioria Pasok - dita socialdemocrata - que derrotou o governo reacionário, responsável por fraudes nas contas públicas, distorcendo dados oficiais, e ocultando dívidas contratadas por segmentos privilegiados do grande capital, com ônus repassados ao setor público.

Essa maioria socialdemocrata, ao invés de denunciar o caráter lesivo dos acordos anteriores, a ele se submete, reproduzindo práticas que outrora necessitavam de golpes militares, torturas e assassinatos de opositores para garantir a privatização do lucro, com a socialização do prejuízo - modelo muito bem definido por Noam Chomsky como "socialismo dos ricos".

Hoje, a BBC informa que, cinicamente, Sarkozy e Merkel chamam o povo grego à "unidade nacional" em torno do garrote vil financeiro que impuseram ao país (http://www.bbc.co.uk/news/business-13902794). Cinismo duplo porque, num primeiro momento, Merkel havia tido uma posição distinta. Saída de uma brutal derrota eleitoral, não queria impor ao eleitorado alemão a participação no sacrifício grego. Operou para que os bancos privados credores se organizassem num processo de alongamento, bancando eles a quota principal do risco em que haviam mergulhado por operações especulativas. Mas qual o quê!? Não durou muito. Bastou o presidente do Deutsche Bank - maior potência germânica - estrilar, para que ela recuasse e se juntasse às bandalheiras de Sarkozy.

O Banco Central Europeu, com o dinheiro dos cidadãos comuns, emprestaria o que a Grécia viesse a necessitar para manter compromissos assumidos, não pelo povo grego, mas pelos cúmplices locais da especulação globalizada, de modo a que os balanços dessas "humanísticas instituições" se mantivessem sanados.

Nesse contexto, e como já havia sido provado na Espanha e em Portugal, a manifestação de rua não tem se mostrado suficientemente eficaz para a rendição dos parlamentos - corrompidos e covardes diante dos poderosos de fora, mas arrogantes diante de seu próprio povo -. Rendição aos interesses da parte majoritária do povo. Da parte que trabalha e produz, que vive de salários, e que não tem nada a ver com as especulações do crime organizado que se deserolam nas bolsas do chamado "livre mercado".

É aí que as forças da esquerda organizada têm que abrir um espaço de reflexão. Têm forças para um processo de insurreição que leve de roldão essas "instituições", como sonhamos nas décadas de 60 e 70 do século passado? Se têm, vale seguir no "que se vayan todos", sem esquecer de trazer uma boa parte das forças armadas, também carcomidas em seus salários, para o seu lado.

Mas, mesmo tendo, não podem abdicar da disputa desses parlamentos. Levando a sério um trabalho permanente de mobilização pol[itico-eleitoral consistente, sem os arroubos generalizados contra os partidos políticos. O "movimentismo", em si, é alvo vulnerável pela fragmentação das demandas corporativas e setoriais que comporta. O partido político, não. Ainda é o único instrumento capaz de universalizar, de politizar, essas demandas. E o partido, por mais classista e revolucionário que se pretenda, tem que aceitar a necessidade de se organizar para a disputa no seio do Estado burguês, se realmente pretende desconstrui-lo. Nessa luta, muitos se acomodam, se vendem e se rendem a esse Estado burguês. Mas nem todos. E quanto mais desses todos conseguirmos colocar nos parlamentos burgueses, mais possibilidades terão de impedir que eles continuem a serviço da burguesia.

Miltonn Temer é jornalista

Crise terminal do capitalismo?

Ecologia
Leonardo Boff

Leonardo Boff
Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX, Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal, 12% no pais, e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentitentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

As ruas de vários países europeus e árabes, os "indignados" que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhois gritam: "não é crise, é ladroagem". Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumo-sacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da super-exploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

Leonardo Boff é teólogo e escritor, autor do livro "Proteger a Terra – cuidar da vida: como evitar o fim do mundo" (Record 2010).

terça-feira, 28 de junho de 2011

Esquivel publica carta aberta a Barack Obama, questionando suas ações contra a Paz

Adolfo Pérez Esquivel
Premio Nobel de la Paz
Caro Barack,

Dirijo-me a você fraternalmente, e ao mesmo tempo, para expressar minha preocupação e indignação pela destruição e morte semeada em tantos países em nome da "liberdade e democracia", duas palavras que foram abusados ​​e despojados de sentido. Acabam justificando o assassinato, que é aclamado como se fosse um evento esportivo.

Indignação com a atitude de algumas partes da população dos EUA, de chefes de Estado na Europa e outros países que saíram em apoio do assassinato de Bin Laden, e por sua complacência em nome de uma suposta justiça. Não houve esforço para deter e julgá-lo por seus supostos crimes, o que gera mais dúvidas. O objetivo era assassiná-lo.

Os mortos não falam, eo medo de que o acusado poderia revelar verdades inconvenientes para os EUA foi transformada em assassinato, a fim de garantir que a "morte do cão poria fim à loucura", sem considerar que você tem apenas aumentou o.

Quando foi concedido o Prêmio Nobel, da qual somos titulares, enviei-lhe uma carta que dizia: "Barack, eu fiquei muito surpreso por você ter sido agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, mas agora que você tem, você deve usá-lo a serviço da paz entre os povos. Você tem toda a possibilidade de fazê-lo, para acabar com as guerras e começar a corrigir as graves crises em seu próprio país e do mundo ".

Infelizmente, porém, tem aumentado o ódio e traído os princípios assumidos durante sua campanha eleitoral antes do seu povo, como o fim das guerras no Afeganistão e no Iraque, o fechamento das prisões em Guantánamo, Cuba, e Abu Ghraib no Iraque. Pelo contrário, você decidiu começar outra guerra contra a Líbia, apoiada pela NATO e com a vergonhosa resolução da ONU para apoiá-lo. Esta organização elevado, diminuído e incapaz de pensar por si mesma, perdeu sua direção e é subjugado aos caprichos e interesses das potências dominantes.

A premissa básica da ONU é a defesa ea promoção de paz e dignidade entre os povos. Seu Preâmbulo começa por dizer: "Nós, os povos do mundo ...", agora ausente deste organismo.

Eu gostaria de lembrar um professor místico e que teve uma grande influência na minha vida: monge trapista Thomas Merton da Abadia de Getsêmani, em Kentucky.Merton certa vez escreveu que "A maior necessidade do nosso tempo é para limpar a enorme massa de lixo mental e emocional que atravancam as nossas mentes e faz de toda a vida política e social de uma doença em massa. Sem esta faxina, não podemos começar a ver. A menos que nós vemos, não podemos pensar ".

Barack, você era muito jovem, durante a guerra do Vietnã e talvez você não se lembra a luta de pessoas em todo os Estados Unidos na oposição a essa guerra.Tenho compartilhado com e acompanhou o veteranos da guerra do Vietnã, em particular, Brian Wilson e seus companheiros que também foram vítimas dessa guerra e de todas as guerras.

Thomas Merton, analisando um carimbo que tinha acabado de chegar, que disse: "O Exército dos EUA: chave para a paz", escreveu: "Nenhum exército é a chave para a paz ... Nenhuma nação 'grande' tem a chave para qualquer coisa, mas a guerra Power não tem nada. a ver com paz. Os homens mais construir o poder militar, mais eles violam a paz e destruí-lo. "

Devemos proteger a vida para deixar as futuras gerações uma sociedade mais justa e fraterna, re-estabelecer o equilíbrio com a Mãe Terra. Se não reagir para mudar a situação atual da arrogância suicida em que os povos estão sendo arrastada para baixo, será muito difícil escapar e ver a luz. A humanidade merece um destino melhor.

Você sabe, a esperança é como a flor de lótus que cresce no lodo e flores em todo seu esplendor, mostrando sua beleza. Leopoldo Marechal, um grande escritor argentino, disse que: "você sair do labirinto de cima".

Eu acredito, Barack, que depois de seguir os seus caminhos errantes, encontra-se em um labirinto, incapaz de encontrar a saída. Você está enterrando-se cada vez mais na violência, devorado por o poder de dominar. Você acha que possui o poder de fazer qualquer coisa e que o mundo está aos pés dos EUA. Tão grande são as atrocidades cometidas pelos diferentes governos dos EUA no mundo ... É uma realidade triste, mas há também a resistência dos povos que não capitular diante dos poderosos.

Bin Laden, suposto autor do ataque às Torres Gêmeas, foi feito o diabo encarnado que aterrorizou o mundo. Ele foi identificado como o "eixo do mal" e isso tem servido os EUA para travar as guerras que a necessidade militar industrial complexo, a fim de colocar os seus produtos de morte.

Você certamente não deve ignorar que os pesquisadores em 11 de setembro tragédia ter declarado que os ataques têm muitas marcas de ter sido auto-infligidas, como a queda de um avião contra o Pentágono e de evacuação antes de escritórios nas torres. O ataque deu um motivo para lançar a guerra contra o Iraque e Afeganistão, e agora contra a Líbia, argumentando enganosamente que tudo está sendo feito para salvar o povo em nome da "liberdade e defesa da democracia".Com um cinismo total, é dito que as mortes de mulheres e crianças são "danos colaterais".

Palavras estão sendo esvaziadas de valores e significado. Você assassinato dub para ser a "morte" e, finalmente, os EUA têm "matou" Bin Laden. Não estou de forma alguma defender Bin Laden. Eu sou contra o terrorismo, seja por tais grupos armados ou o tipo de terrorismo de estado que exerce o seu país em várias partes do mundo, apoiando ditadores, impondo bases militares e as intervenções armadas, usando a violência para se manter através do terror no centro do mundode energia. Existe apenas um "eixo do mal"?

A paz é uma dinâmica de vida nas relações entre pessoas e entre os povos, é um desafio para a consciência da humanidade. Seu caminho é difícil, diariamente, e esperançoso, é onde as pessoas constroem suas próprias vidas e sua própria história. A paz não pode ser dado a qualquer pessoa, deve ser construída. E é isso que você está faltando coragem rapaz, para assumir sua responsabilidade histórica com o seu próprio povo e com a humanidade.

Você não pode viver no labirinto de medo e de controle, ignorando os tratados internacionais, Pactos e Protocolos, que são assinados e, em seguida, transgrediu uma e outra vez. Como você pode falar de paz se você não quer nada de honra, exceto os interesses do seu país?

Como você pode falar de liberdade quando você manter as pessoas inocentes presos em Guantánamo, nos EUA, no Iraque e no Afeganistão?

Como você pode falar de direitos humanos e da dignidade dos povos quando você perpetuamente violá-los e bloqueio aqueles que não compartilham sua ideologia e deve suportar o abuso?

Como você pode enviar forças militares para o Haiti depois que um terremoto devastador, em vez de ajuda humanitária para que pessoas que sofrem?

Como você pode falar de liberdade se você massacre dos povos do Oriente Médio e do conflito que sangra sem fim promover os palestinos e israelenses?

Barack: tentar olhar para fora de seu labirinto, você pode encontrar a estrela que orienta você, mesmo sabendo que nunca poderá alcançá-lo, como Eduardo Galeano disse tão bem.

Tente ser coerente entre o que você diz eo que você faz, é a única maneira de não perder o seu curso. É um desafio da vida. O Prêmio Nobel da Paz é uma ferramenta a serviço dos povos, nunca por vaidade pessoal.

Desejo-lhe muita força e esperança.

Você venha a ter a coragem de corrigir o seu caminho e encontrar a sabedoria e paz.

Buenos aires, 05 de maio de 2011

Adolfo Pérez Esquivel Premio Nobel de la Paz

P.S. Em um dia como hoje há 34 anos, voltei à vida, eu estava em um vôo para a morte durante a ditadura militar apoiada pelos EUA, na Argentina. Graças a Deus eu sobrevivi. Eu tive que encontrar meu caminho para sair do labirinto pelo aumento acima do meu desespero e descobrindo nas estrelas o caminho a ser capaz de dizer como o profeta: "a hora mais escura é imediatamente antes do amanhecer".

Politica Compensatória da Norte Energia S/A



"Cerca de 150 famílias oriundas de bairros que serão alagados pela construção da Usina de Belo Monte foram despejadas violentamente nesta quarta, 22, de um terreno ocupado no inicio da semana em Altamira. Sem mandado de reintegração de posse, as polícias Civil e Militar usaram balas de borracha e bombas de gás para despejar os ocupantes. 40 pessoas foram detidas e levadas a delegacia - entre elas, três menores de idade. "

Fonte: http://peledaterra.blogspot.com

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