quarta-feira, 17 de julho de 2019

Glorificação da Ignorância

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Marcos Bagno um dos mais importantes linguistas do Brasil

A Lucta Social - O contundente discurso de Marcos Bagno um dos mais importantes linguistas do Brasil no encerramento do Congresso Nacional da Abralin (Associação Brasileira de Linguística), é um discurso que ecoa hoje e para toda a posteridade, é um desabafo, um clamor sem lamentar, mas de encorajar todas e todos lutadoras e lutadoras sociais e o povo oprimido a lutar contra a tirania, a irracionalidade absoluta, a bestialidade desenfreada, movida e guiada pelo governo elitista, preconceituoso, insano que tem no seu DNA a marca da destruição, não só das conquistas sociais do povo, mas de toda a rede de proteção social, econômica e política da população brasileira.  Leia o discurso na integra.

Marcos Bagno
"Maceió, 8 de maio de 2019:
 
“Fui solicitado a falar neste momento em defesa da ciência brasileira. E de fato, nós, que trabalhamos com a pesquisa, com a produção de conhecimento e com a educação, nos vemos agora numa situação que eu só consigo designar como apocalíptica.

Em 2016, forças políticas e econômicas derrubaram o governo democraticamente eleito da presidenta Dilma Rousseff por meio de uma farsa grotesca que foi de fato um golpe de Estado e abriram o caminho para que se instalasse no poder essa bestialidade desenfreada, movida por uma irracionalidade absoluta guiada por um único objetivo: destruir.

Destruir o ar que respiramos, destruir a água que bebemos, destruir o chão que pisamos, destruir tudo e absolutamente tudo, a começar pela destruição de milhares de vidas humanas. É um projeto de terra arrasada. O Brasil é um dos países mais desiguais e injustos do planeta, nossos indicadores sociais são apavorantes, mas essa quadrilha que assaltou o poder não está satisfeita: é preciso assassinar mais jovens negros, é preciso exterminar o pouco que ainda resta de populações indígenas, não basta uma mulher assassinada a cada hora e meia, não é suficiente ser o campeão de assassinatos de lésbicas, gays e transexuais, nem ser o país mais perigoso para os defensores do meio ambiente.

É uma pulsão de morte que move cada ato desse desgoverno, é uma perversidade sádica, é o elogio da insanidade, do obscurantismo, é a glorificação da ignorância e a consequente criminalização de todas e de todos que promovam minimamente a liberdade de pensamento, o debate sadio das ideias, o avanço social e cultural por meio do conhecimento, da arte, da cultura, da ciência.

Aqueles grupos sociais que são chamados tradicionalmente de “grupos de risco” ou de “camadas vulneráveis da população” agora abarcam nada menos que a imensa maioria do nosso povo. Se você não é homem branco de classe média ou alta e heterossexual, você está na mira daqueles que odeiam tudo o que não é igual a eles.

Se você é nordestina ou nordestino, também é alvo desse ódio porque o chefe supremo do descalabro declarou: “não sou o presidente deles”. Essa é uma declaração que estimula, autoriza e incentiva nada menos do que uma guerra civil. Mas é sob o signo da guerra que se move esse desgoverno. Desde o dia primeiro de janeiro deste ano, todo e qualquer crime de ódio cometido neste país traz a autorização implícita de alguém que disputou as eleições usando como símbolo de campanha a mão que imita uma arma. E é nas mãos dessa milícia de mercenários que nós estamos agora.

Por isso é que eu peço a cada uma e a cada um de nós que deixemos de lado pelo menos nesta hora as diferenças de toda ordem e coloquemos à frente delas uma necessidade que é a própria essência da nossa humanidade: a sobrevivência. Não estamos sendo ameaçadas apenas por uma violência simbólica, que também existe e é aterrorizadora, mas por uma violência física mesmo, por uma ameaça aos nossos corpos, às nossas vidas. E nós, pesquisadoras e pesquisadores, professoras e professores, estamos agora na linha de frente dos ataques, cada uma e cada um de nós tem um alvo pintado nas costas.

Vamos então, formalistas e funcionalistas, foneticistas e fonologistas, semanticistas e especialistas em pragmática, sintaticistas e morfologistas, sociolinguistas e analistas do discurso, historiadoras e historiadores da linguística, especialistas em língua de sinais, em línguas indígenas, em ensino de segundas línguas, em tradução, lexicologistas, filólogas e filólogos, psicolinguistas, filósofas e filósofos da linguagem, vamos todas e todos reconhecer que o momento é grave, é crítico, é ameaçador e que é a nossa vida profissional e pessoal que está em jogo, e o jogo é desigual e desonesto. A demolição está em curso e se não fizemos nada as paredes e os tetos vão desabar sobre nossas cabeças.

A cada hora recebemos a informação de que a universidade X só vai poder funcionar até setembro, de que a universidade Y não tem como se manter funcionando depois de agosto, de que a universidade Z vai ter de parar antes de julho. É a asfixia da educação, é o bombardeio da ciência, é a rejeição pura e simples da civilização, nada menos do que isso. Eu não tenho notícia de ter existido jamais ao longo da história um governo que tenha feito da educação a sua inimiga primordial. Mesmo os governos que não se empenharam em favor da educação eram hipócritas e demagógicos e, pelo menos no discurso, faziam o louvor da educação. Mas o desgoverno atual é tão bisonho, tacanho, tosco e burro que não é capaz nem sequer de cinismo. É a brutalidade em seu estado mais insano.

Nós temos de aproveitar cada ato público, cada fala pública, cada manifestação pública para deixar muito claro que não vamos permitir, que vamos resistir de todas as formas que podemos e sabemos, que vamos principalmente nos unir pela preservação da vida, que está acima de todas as diferenças.

Me solicitaram que falasse em defesa da ciência. Mas quero repetir: sem vida não existe ciência. E o que nós temos não é nada que se compare a um governo de direita nem de extrema direita. O que se instalou no Brasil este ano foi uma proto-ditadura de lunáticos, uma república de assassinos. E é contra ela que temos de lutar hoje, amanhã e até que ela desmorone, não por si mesma, mas pela nossa luta.”
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segunda-feira, 8 de julho de 2019

Acordo comercial com União Européia fragiliza a economia e a soberania da região

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Por: Edson Carneiro índio
Manaus, 8 de julho de 2018
 
O acordo comercial firmado entre Mercosul e União Européia agrava, pelo pouco do que foi divulgado, o quadro de desindustrialização já muito avançado da economia brasileira

Segundo o que foi apontado por diversos analistas, o acordo aprofunda nossa condição subalterna de exportador de produtos primários e importador de produtos de alto valor agregado e maior conteúdo tecnológico. 

Essa relação desfavorável impacta na qualidade dos empregos, nos níveis de produtividade da economia, nas possibilidades de desenvolvimento e na soberania do país. É necessário enfrentar as restrições que o acordo com a UE pode trazer à desejável reindustrialização do Brasil, à maior preservação da nossa biodiversidade e ao desenvolvimento soberano dos países do Mercosul. 

Acordos comerciais estabelecem normas e regras sobre diversos temas, como ambientais, trabalhistas, sindicais etc. A despeito de não conhecermos os seus termos, caberá aos trabalhadores e ao movimento sindical do Brasil e da região capacidade de debate e articulação conjunta.

Um aspecto a ser adiantado é o fato de que os instrumentos de regulação do trabalho de que o Brasil dispunha estão sendo desmontados ou atacados. Às diversas tentativas de asfixia aos sindicatos somam-se o fim Ministério do Trabalho e Emprego, o esvaziamento da Justiça do Trabalho, a perseguição ao Ministério Público do Trabalho, o desmonte da fiscalização e as mudanças legislativas e jurídicas para um marco legal precário que avilta a dignidade humana e a Constituição de 1988. Esse aspecto não deve ser desconsiderado num acordo que envolve diferentes regulações.

Isso sem desconsiderar a gravidade de um acordo comercial em meio a anemia industrial brasileira, ao predomínio do rentismo sobre a agenda do país e depois de tantas medidas adotadas para reduzir o valor da força de trabalho no Brasil.

Edson Carneiro Índio é Secretário Geral da Intersindical e membro da Frente Povo Sem Medo

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quarta-feira, 3 de julho de 2019

Lançado na Europa mapa do envenenamento de alimentos no Brasil

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Por Ivanir Ferreira – Editorias: Ciências Ambientais – URL


Um ousado trabalho de geografia que mapeou o nível de envenenamento dos alimentos produzidos no Brasil foi lançado em maio, em Berlim, na Alemanha, país que contraditoriamente sedia as maiores empresas agroquímicas do mundo.

Quem estava presente no lançamento do atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia ficou perplexo com a informação sobre o elevado índice de resíduos agrotóxicos permitidos em alimentos, na água potável, e que, potencialmente, contamina o solo, provoca doenças e mata pessoas. A obra, que já foi publicada no Brasil, é de autoria da geógrafa Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

O Brasil é campeão mundial no uso de pesticidas na agricultura, alternando a posição dependendo da ocasião apenas com os Estados Unidos. O feijão, a base da alimentação brasileira, tem um nível permitido de resíduo de malationa (inseticida) que é 400 vezes maior do que aquele permitido pela União Europeia; na água potável brasileira permite-se 5 mil vezes mais resíduo de glifosato (herbicida); na soja, 200 vezes mais resíduos de glifosato, de acordo com o estudo, que é rico em imagens, gráficos e infográficos. “E como se não bastasse o Brasil liderar este perverso ranking, tramita no Congresso nacional leis que flexibilizam as atuais regras para registro, produção, comercialização e utilização de agrotóxicos”, relata Larissa.

A pesquisadora explica que o lançamento do atlas na Europa se deu pelo fato de a Alemanha sediar a Bayer/Monsanto e a Basf, indústrias agroquímicas que respondem por cerca de 34% do mercado mundial de agrotóxicos. A Monsanto, recentemente incorporada ao grupo Bayer, é a líder mundial de vendas do glifosato, cujos subprodutos têm sido associados a inúmeras doenças, incluindo o câncer e o Alzheimer.

“Queríamos promover discussão sobre a contradição de sediarem indústrias que controlam toda a cadeia alimentar agrícola – das sementes, agrotóxicos e fertilizantes – e serem rigorosos quanto ao uso de mais de um terço dos pesticidas que são permitidos no Brasil. Eles são corresponsáveis pelos problemas gerados à população porque vendem e exportam substâncias sabidamente perigosas, porém, proibidas em seu território”, diz.

Intoxicação e suicídios

Segundo a geógrafa, as perdas não se limitam à contaminação de alimentos e dos cursos d’água. O atlas traz informações de que, depois de extensa exposição aos agrotóxicos, ocorrem também casos de mortes e suicídios associados ao contato ou à ingestão dessas substâncias.

Entre 2007 e 2014, o Ministério da Saúde teve cerca de 25 mil ocorrências de intoxicações por agrotóxicos. O atlas mapeia as regiões mais afetadas: dos Estados brasileiros, durante o período da pesquisa, o Paraná ficou em primeiro lugar, com mais de 3.700 casos de intoxicação. São Paulo e Minas Gerais ficaram na segunda colocação, com 2 mil. Das 3.723 intoxicações registradas no Paraná, 1.631 casos eram de tentativas de suicídio, ou seja, 40% do total.

Em São Paulo e Minas gerais o porcentual foi o mesmo. No Ceará, houve 1.086 casos notificados, dos quais 861 correspondiam a tentativas de suicídio, cerca de 79,2%. Os mapas de faixa etária mostram que 20% da população afetada era composta de crianças e jovens com idade até 19 anos. Segundo Larissa, no Brasil, há relação direta entre o uso de agrotóxicos e o agronegócio. Em 2015, soja, milho e cana de açúcar consumiram 72% dos pesticidas comercializados no País.

O atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia, em português, foi lançado no Brasil em 2017 e traz um conjunto de mais de 150 imagens entre mapas, gráficos e infográficos que abordam a realidade do uso de agrotóxicos no Brasil e os impactos diretos deste uso no País. A pesquisa que deu origem à publicação teve o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Em Berlim, o lançamento aconteceu na sede do ENSSER (European Network of Scientists for Social and Environmental Responsability), rede europeia sem fins lucrativos que reúne cientistas ativistas responsáveis ambiental e socialmente, em Glasgow, Escócia. O suporte financeiro para o lançamento do atlas na Europa foi da FFLCH e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP.
info 01 E book Atlas Agrotoxico - Lançado na Europa mapa do envenenamento de alimentos no Brasil
Entre 2000 e 2010, o Brasil aumentou em 200% o consumo de agrotóxicos. A soja foi a cultura que mais consumiu pesticidas
info 02 E book Atlas Agrotoxico - Lançado na Europa mapa do envenenamento de alimentos no Brasil
Mapa de intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola (2007-2014)
info 03 E book Atlas Agrotoxico - Lançado na Europa mapa do envenenamento de alimentos no Brasil
Uso de malationa (inseticida) na cultura do feijão – Limite máximo de resíduos permitido no Brasil e nos países da comunidade europeia

Mais informações: Larissa Mies Bombardi, larissab@usp.br ou pelo telefone (11) 3091-3769. Atlas versão em portuguêsAtlas versão inglês.
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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Dialogo de Moro com procuradores mostra que Lula é vítima de uma armação Judicial!

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Foi amação judicial!
Lula é inocente!
Lula Livre Já!

A Lucta Social – O dialogo do então Juiz Sérgio Moro divulgado pelo site The Intercept Brasil neste domingo, 09 de junho orientando os procuradores como forjar provas contra o presidente Lua, mostra que a condenação do maior líder politico do Brasil de todos os tempos – Lula foi uma grande armação política, arquitetada no núcleo seleto da operação Lava Jato.

Mesmo com todas as orientações que Mouro deu aos procuradores, não é possível ver nos processos nenhuma prova concreta que incrimine Lula, todas as argumentações são apenas ilações retiradas de contextos das falas de supostos delatores que sob a pressão da prisão, aceitaram fazer a tal delação premiada para falarem alguma coisa que incriminasse o Lula e em troca deixariam o cárcere.

Lula foi condenado com base em uma tese desenvolvida por Moro com o único objetivo de prender Lula e retira-lo das eleições de 1018.

A publicação do dialogo de moro com os procuradores, não deixa dúvidas nenhuma que estamos diante de um imenso ‘estelionato jurídico’ – uma litigância de má-fé!

Pelo que tudo indica no dialogo do Moro orientando os procuradores para “alterar a verdade dos fatos” e até inventar fatos, além de “usar do processo para conseguir objetivo ilegal”, materializa que Moro usou a sua prerrogativa de juiz para fazer trafico de influencia e advocacia Administrativa. Só pelo fato de orientar os procuradores, Moro deveria se julgar suspeito nos termos do Código de Processo Penal – “Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes: IV - se tiver aconselhado qualquer das partes;”.

O dialogo do Moro com os procuradores não é uma simples evidencia, é um fato que materializa uma farsa jurídica que levou a condenação do presidente Lula. Daí, todas as argumentações da sentença do Moro condenando Lula, serem em torno apenas de evidencias e não sobre fatos concretos.

Assim, Lula é inocente e está sendo vítima de uma farsa comandada por um juiz que pelo que tudo indica, queria se promover politicamente para obter o cargo relevante que ocupa no governo atual como forma de atalho para chegar a ministro do Supremo Tribunal Federal – STF.  

Lula é Inocente!
Lula Livre Já!

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domingo, 9 de junho de 2019

Greve Geral do Dia 14 de junho no Amazonas – Programação

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Vamos Parar o Brasil.
Mobilize-se!

A Lucta Social – Nós apoiamos a Greve Geral do dia 14 de junho! Nosso apoio a luta da classe trabalhadora e incondicional, por isso apoiamos mais está iniciativa do movimento sindical, popular e politico.

Nós do Blog “A Lucta Social” estamos empenhados para que no dia 14 de junho, o povo brasileiro mostre através da Greve Geral que unidos somos mais fortes, que os poderosos que estão mandando o governo e uma parte dos parlamentares acabar com o direito dos trabalhadores se aposentarem, se educarem e tirarem todos os direitos do povo brasileiro que trabalha e produz a riqueza do país.

As Centrais Sindicais, partidos políticos e movimentos sociais, definiram as atividades e mobilização para a Greve Geral do dia 14 de junho, ficou definido uma programação para o dia da Greve 14/06 onde pela manhã as instituições farão mobilizações nas suas categorias e nos locais de trabalho; a tarde hverá uma concentração as 15h. na Praça da Saudade de onde sairá uma paseata pelo centro de Manaus. Um Ato Cultural fará o encerramento da Greve.

As principais reivindicações é a defesa da aposentadoria (contra a reforma da previdência); a defesa da Educação e por emprego e renda; contra as privatizações das empresas estatais; contra os ataques e o desmonte do serviço público; em defesa do acesso democrático e popular à terra e moradia urbana, à água, ao saneamento básico, dialogando com a reforma agrária, os povos originários dos quilombos, povos indígenas e trabalhadores sem teto; por igualdade de oportunidades e direitos; pela garantia do Estado Democrático de Direito.

A Greve Geral no Amazonas, é convocada pelas centrais sindicais, por movimentos sociais e de forma ampla, por todas as forças democráticas que se somam na luta contra a Reforma da Previdência do Bolsonaro e os cortes na educação.

PROGRAMAÇÃO DA GREVE GARAL

Dia 14 de junho

MANHÃ
Atos das entidades com suas categorias profissionais e mobilização para a manifestação a tarde no centro de Manaus.

TARDE
15h - Concentração na Praça da Saudade
16h - Caminhada
18h - Ato Cultural

A hora é de mobilização, é necessário o empenho e mobilização de todas as forças do movimento sindical, popular e politico para assegurar uma grande vitória com Greve Geral.

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sábado, 25 de maio de 2019

D ia 14 de junho: Greve Geral Contra a Reforma da Previdência do Bolsonaro

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A Lucta Social
Manaus, 25/05/2019


Camaradas,

No dia 14 de junho, a classe trabalhadora empregada e desempregada, vão as ruas para lutar contra a Reforma da Previdência do do governo Bolsonaro e por emprego para os mais de 13 milhões de trabalhadores e trabalhadoras que estão desempregados(as).

A proposta de reforma da Previdência – PEC-6/2019 do governo federal não combate as desigualdades nem acaba com os privilégios. Ela aumenta o tempo de contribuição e de trabalho para a concessão da aposentadoria e ainda reduz o valor dos benefícios previdenciários. Se essa reforma for aprovada o que vai acabar é a sua, a nossa aposentadoria.

Não deixe para reclamar depois, lute agora para que os deputados e senadores não aprovem essa maldita reforma que vai deixar você sem e seus familiares sem perspectiva de no futuro se aposentar.

Se você está empregado, no dia 14 de junho, paralise as suas atividades por um dia, para protestar e mostrar aos parlamentares que ninguém está contente com essa PEC da Previdência que o Bolsonaro quer empurrar de goela abaixo da população trabalhadora do Brasil.

Se você está desempregado, aproveite o tempo para ajudar na mobilização, participando dos debates, convidando mais pessoas para se engajarem nessa grande campanha de luta pelos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários da classe trabalhadora.

Mobilize-se!

  • Todos contra a Reforma da Previdência do Bolsonaro!
  • Unir, resistir, lutar e conquistar o nosso direito de se aposentar com dignidade.
Os Editores do A Lucta Social   
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quinta-feira, 7 de março de 2019

MP 873: novo AI-5 ou factóide pra nos tirar da pauta da aposentadoria e chantagear o movimento?

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*Por Edson Índio

O governo Bolsonaro editou a Medida Provisória 873 que impede qualquer forma de custeio da atividade sindical no país. Trata-se de flagrante agressão a Constituição de 1988, que em seu artigo 8º, IV, é categórica: “a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei”.

Se no mérito a MP afronta a Constituição, na forma é ainda mais inconstitucional, pois não há urgência ou qualquer outro requisito que justifique a edição de uma medida provisória para tratar de tal matéria. Diante disso, é preciso derrubar imediatamente a vigência dessa medida que tenta acabar com a liberdade e a autonomia sindical, ferindo de morte a já combalida democracia brasileira.

Ainda que o condomínio que facilitou a chegada da extrema direita à presidência da república já tenha aplicado sucessivos golpes nas garantias constitucionais, a MP de Bolsonaro surpreendeu a muitos. Nem a ditadura civil militar de 1964 que interviu nos sindicatos, assassinou lideranças e amordaçou as entidades ousou impedir totalmente o funcionamento da atividade sindical no país.

O que explica tamanha ousadia do governo neste momento em que sua principal preocupação é desmontar a previdência?

Para muitos, a MP só confirma o ódio à organização dos trabalhadores e a obsessão de Bolsonaro em acabar com o ativismo no Brasil. Levanto três hipóteses para entender a audácia inconstitucional do governo ao editar essa MP neste momento.

A primeira seria a tentativa de tirar o movimento sindical da pauta de defesa da aposentadoria e da previdência pública e nos obrigar a “defender dinheiro para o sindicato”, como cinicamente a direita fez durante a tramitação da reforma trabalhista, quando dizia que éramos contrários à deforma de Temer por defender o imposto sindical.

Seria uma medida calculada do governo, diante das dificuldades que encontra para aprovar a PEC do fim da aposentadoria, para colocar os sindicatos na defensiva e jogar a população contra o movimento?

Suponho que a turma do capitão não suporta que os sindicatos dialoguem com milhões de pessoas que acabaram de votar em Bolsonaro, mas não aceitam perder o direito à aposentadoria depois de anos de trabalho e contribuição. E esse diálogo já está se dando, com bastante sucesso pro combate ao desmonte da seguridade social.

Por isso, não podemos perder o foco do diálogo com a população trabalhadora, com os pequenos e médios empresários, com as prefeituras e todos os setores que dependem da previdência e da seguridade social para sustentar a economia local.

Tampouco podemos, mais uma vez, nos deixar pautar pela extrema direita. Parte da vitória de Bolsonaro se deve ao fato de que montaram um esquema internacional para pautar o debate e a eleição, no Brasil e diversos outros países, e a maioria dos setores populares se concentrou na pauta dos costumes da extrema direita, quando nossa pauta deveria ter  sido a economia e os direitos sociais e trabalhistas na eleição geral de 2018.

Ao contrário, devemos redobrar o diálogo com toda a sociedade, denunciando que a PEC impacta não apenas as condições de vida da população, mas a própria economia brasileira, causando permanente instabilidade, já que retira a previdência social da Constituição para, constantemente, mudar as regras e impedir o acesso à aposentadoria e à proteção social.

A desconstitucionalização da previdência é a medida mais grave e nociva da PEC de Bolsonaro, pois possibilita ao governo até amenizar agora na mudança das regras para aprovar a PEC e, na sequência, propor um texto ainda mais restritivo por meio de lei complementar.

Devemos, também, explicar pacientemente o significado do regime de capitalização que entrega a previdência pública para os abutres do capital financeiro turbinarem o rentismo, a especulação e a financeirização da economia.

Outra hipótese, que não é contraditória com a primeira, seria um mecanismo de chantagear o movimento sindical, ao fechar todas as fontes de custeio sindical existentes para implodir a capacidade financeira e atingir a resistência, forçar o movimento a diminuir o combate à deforma e até fazer com que alguns aceitem o regime de capitalização proposto por Paulo Guedes, incluindo na nova regra alguma participação dos sindicatos na gestão de fundos previdenciários.

A sugestão de que há setores do governo interessados em arrastar parcela do movimento sindical para essa aventura rentista foi publicada pela jornalista Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor. Como a maioria do sindicalismo brasileiro teria muita resistência ao modelo canadense, a MP 873 poderia funcionar como forte instrumento de pressão, uma verdadeira chantagem para fazer os sindicatos assumirem o regime de capitalização a fim de garantir alguma fonte de custeio sindical.

A terceira hipótese, que também não seria contraditória com as duas primeiras, seria a disposição do governo por um novo AI-5, cassando na prática o direito de organização da classe trabalhadora e fechando de vez o regime. Essa hipótese reforçaria a necessidade imediata de conformação de uma ampla frente de resistência democrática, incorporando inclusive setores liberais que não abandonaram o compromisso com a democracia e as garantias constitucionais.

Em qualquer das hipóteses, a derrota do governo e do rentismo passa pela unidade das organizações populares e democráticas, na defesa intransigente do direito constitucional a previdência pública, solidária e por repartição, em diálogo com a população e os pequenos e médios produtores. Se a eleição dividiu o povo, o direito a aposentadoria pode unir a população e barrar o fim da principal política de distribuição de renda, de ativação da economia local, fundamental para impedir que o destino de milhões de pessoas seja a indigência, na velhice, na doença, no acidente de trabalho, na deficiência ou na desassistência social.

*Edson Carneiro Índio, é Secretário Geral da Intersindical


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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Lula e o Prêmio Nobel da Paz

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Antônio Ducarmo Santos I Aracaju, 24 de fevereiro de 2019



O Lula é um dos cinco maiores personagens da história humana no século XXI. O Lula alcançou uma dimensão histórica e humana superior a Nelson Mandela, Gandhi e Martin Luther King. Explico: Mandela filho de uma família de nobreza tribal, da etnia Xhosa, cursou e se formou em direito em uma Universidade para negros na África do Sul.

Martin Luther King, filho de pastor batista nos Estados Unidos, classe média. Vida confortável. Gandhi, Filho de família abastada da Índia, cursou e se formou em direito numa Universidade inglesa. Em Londres! 

E o Lula ? O Lula é o filho da tribulação. O retirante nordestino. O filho abandonado pelo pai alcoólatra. Nascido com o destino manifesto: trabalhador braçal, ou vaqueiro, de "coronéis " latifundiários nordestinos no tradicional regime de semi escravidão ou virar peão de chão de fábrica ou da construção civil na Paulicéia desvairada.

Desnecessário detalhar a trajetória do Lula. De peão de fábrica a líder sindical. De líder sindical a fundador do maior partido de esquerda da América Latina. Candidato a Presidente da República. Eleito na quarta tentativa! Se transforma no maior e mais popular líder da história brasileira. Muito mais que as elites e a burguesia escravocrata podiam suportar. Péssimo exemplo para as classes subalternas. 

Vem a perseguição insana. A condenação por "atos de ofício indeterminados" seja lá o que isso signifique. A prisão infame, injusta!


Sócrates, Olga Benário, Pepe Mujica, Mandela, Gandhi, Martin Luther King, Lula, Jesus Cristo. Os prisioneiros mais livres da história. Não se aprisiona mentes livres! Aprisionam o corpo. As idéias, os pensamentos, a mente, permanecem livres! 

E os seus algozes? Estes estão presos! Presos no cárcere da mediocridade. Presos no cárcere da pequenez. Presos no cárcere da insignificância histórica! 

Para sempre acorrentados no cárcere da lata de lixo da história!
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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Ética na Politica

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ELSON DE MELO*
TERÇA, 18 DE SETEMBRO DE 2018


Participei de uma conversa no Portal BNC onde o tema foi Ética na Politica. O tema não é complexo, mas ainda é muito restrito as pessoas informadas que atuam de forma direta no processo politico.


A ética não faz parte do projeto pedagógico da rede de ensino oficial para que a escola trabalhem de forma pedagógica a formação do caráter pessoal do novo cidadão que se está inserindo na sociedade. 

Portanto não existe uma escola que se preocupe em formar pessoas éticas e de bom caráter. Assim, temos uma população que cobra ética dos políticos e na politica, mas é incapaz de agir eticamente na hora de votar. 

A falta de ética pessoal, leva a formação de uma sociedade envolvida nos escândalos praticado por qualquer pessoa seja ela autoridade ou não.

A falta de ética na politica é o reflexo da falta de educação para a cidadania, dessa ausência da falta de um projeto pedagógico nos diversos níveis do ensino, nasce o politico corrupto, velhaco e autoritário, que prega a discriminação, o ódios, a intolerância a e a violência, deixa uma lacuna exposta para os oportunistas políticos invadirem a consciência popular de uma população extremamente vulnerável educacionalmente e economicamente.

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL. 
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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

ECOSSOCIALISMO: Candidatos ao Governo do Amazonas sem Projeto Sustentável para o Interior

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ELSON DE MELO*
QUARTA, 12 DE SETEMBRO DE 218

Acompanhei o debate na TV Em Tempo realizado na noite desta terça-feira (11/09) onde os candidatos foram sabatinados entre eles sobre os temas educação; saúde; emprego, segurança e interior e outros, se não bastasse suas divagações  sobre os temas urbanos, quando o assunto era o interior, eles só se limitaram em afirmar que está parte do Estado do Amazonas está abandonada e nada mais.

Alguns tentaram desenvolver um retorica sobre legalização das terras, turismo, zoneamento ecológico, credito através dos bancos oficiais, incentivo as empresas que queiram investir no interior e um grande engodo de incentivar o agronegócio para produzirem alimentos em escala.

Nenhum candidato mencionou a necessidade de respeitar as culturas tradicionais, em agregar valor humano as pessoas que habitam o interior, de implementar politicas publicas que consiga envolver as pessoas em projeto  autossustentável priorizando o acumulo histórico dessa população seja em relação a pesca, como no extrativismo e na agricultura. Todos só pensaram em grande projetos vindo de fora para devastar a floresta e escravizar as pessoas do interior amazonense. Grifo nosso.

Teve um candidato que teve a insensatez de afirmar que quando governador, já deliberou verbas e incentivos para o cultivo de soja em uma região do Estado, esse é um dos piores engôdos que um governante pode oferecer aos caboclos do nosso Estado, é uma real tentativa de expulsar as pessoas de suas terras, sejam elas caboclos, índios ou ribeirinhos, e, por outro lado, colocar a juventude do interior como escravos das grandes empresas que detêm o monopólio da produção de soja.

A produção de alimentos no Amazonas, passa primeiro pela proteção de seus lagos, rios e a floresta, segundo, pelo envolvimento de toda a população em grande projetos de tecnologia social que oriente a produção coletiva para a criação de peixe, pesca artesanal, turismo ecológico, agricultura sustentável e orgânica, onde as várzeas com a sua sazonalidade sejam o motor dessa produção de proteia vegetal e animal.

Outro candidato afirmou que pretende trazer empresas para montar uma agroindústria de beneficiamento do abacaxi produzido no Paraná da Eva município de Itacoatiara. Veja quanto desprezo eles nutrem pelo caboclo que com seu esforço pessoal conseguiu identificar no abaxi uma fonte de renda para sua família e agora vem um governante, mal intencionado, oferecer uma empresa de fora para sufocar o pequeno produtor de abacaxi.

A legalização fundiária sempre está presente em todos os debates há cada quatro anos em época de campanha eleitoral, passado esse período, nem os eleitos implementam e os não eleitos cobram a sua implementação. No entanto, ela é fundamental para a vida de quem precisa de credito para fazer a sua roça produzir no interior do Amazonas, uma vez que credito implica em garantias e aval e os dois só virão com as terras legalizadas.

Depois desse debate, é possível concluir que todos os candidatos, não procuraram entender a complexidade da região Amazônica, todos preferem tratar esse bioma como objeto de exploração pura e simplesmente assim.

Não senhores e senhoras candidatos, nossa Amazônia não precisa de exploração, ela precisa de preservação, de carinho e muita tecnologia social que agregue valor nas pessoas e na sua produção.

Precisamos de um modelo social voltado para a Permacultura e o cooperativismo, onde as pessoas possam produzir coletivamente o suficiente para garantir a elas uma qualidade de vida digna e comercializar o seu excesso.

Não senhoras e senhores candidatos, nossa território não pode ser tratado no chute politico, onde os diagnósticos e projetos, são gestados nos bastidores das campanhas sem o menor rigor cientifico que possa dar a eles um minimo de legitimidade e base cientifica de sua realização, ou certeza se vai de fato servir para o povo que moram nesses beiradões no Estado do Amazonas.

O que esperamos de um governante comprometido com a nossa terra é, primeiro, respeitar a nossa inteligência, segundo, respeitar as nossas tradições e cultura, terceiro é ser comprometido com politicas publicas básicas que garantam ao nosso povo saúde, educação, renda, segurança e prosperidade para todos.

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL


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sábado, 8 de setembro de 2018

Movimento de Oposição Sindical e a Reforma Trabalhista

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ELSON DE MELO*
SÁBADO, 08 DE SETEMBRO DE 2018

Coma a abertura democrática no final da década de 70 do século passado, o Movimento Sindical era controlado majoritariamente por dirigentes sindicais fieis ao regime militar. Os sindicatos eram controlados pelo governo através do Ministério do Trabalho que por qualquer motivo, intervia nas direções dos mesmos. Surge então um Movimento de Oposição Sindical construído dentro do local de trabalho, sua organização era clandestina, suas reuniões eram geralmente nos locais de moradias, nos salões paroquiais das igrejas progressistas, quase não havia publicação direta, quem cumpria essa função de comunicação eram estudantes, religiosos e intelectuais comprometidos com a causa da classe trabalhadora.

Hoje com a Reforma Trabalhista e, com a não obrigatoriedade da Contribuição Sindical, os patrões estão tripudiando as direções sindicais na hora das negociações das Convenções ou Acordos Coletivos. É uma forma de compelir os dirigentes sindicais a abrirem mão de direitos em troca de algum auxilio financeiro aos sindicatos. Por outro lado, a maioria da classe trabalhadora não vê nas direções sindicais uma representatividade capaz de liderar um movimento mais contundente para garantir alguma conquista nessas negociações. O Estado através do Ministério Público do Trabalho – MPT cumpre o papel de feitor dos patrões para enfraquecer ainda mais o Movimento Sindical.

A maioria das direções dos sindicatos ainda aguardam o resultado da eleição presidencial com a esperança de ver a Contribuição Sindical voltar a ser obrigatória. Acontece que o prejuízo da classe trabalhadora com a nova legislação, ganha proporções incalculáveis não só no aspecto econômico, mas também no direito e saúde dos trabalhadores e trabalhadoras.

A falta de atitude mais contundente contra essa legislação abusiva por parte das direções dos sindicatos que, não oferecem a classe trabalhadora um plano de enfrentamento ao avanço da superexploração do trabalho pelos empregadores, abre caminho para um novo Movimento de Oposição Sindical, cuja organização dever se dar dentro dos locais de trabalho para retomar as direções dos sindicatos que estão vacilando ou aceitando inertes essa legislação que oprime a classe trabalhadora.

No final da década de 70 e inicio da de oitenta, as primeiras conquistas dessa forma de organização no local de trabalho, foram as Comissões de Fábricas. A reforma trabalhista instituiu que as empresas com mais de duzentos funcionários, podem organizar uma Comissão para negociar direitos e condições de trabalho. É esse espaço que o Movimento de Oposição Sindical precisa ocupar com a máxima urgência.

Assim, é importante que todo trabalhador interessado em retomar a luta histórica da classe trabalhadora, reúna seus amigos e comecem a definir estratégias para promover a organização no local de trabalho e disputar com as direções pelegas o controle da direção dos seus sindicatos.

Por um Movimento de Oposição Sindical de Luta.
Ousar lutar sempre!

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL

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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Ecossocialismo: Dia da Amazônia

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ELSON DE MELO*
QUARTA, 05 DE SETEMBRO DE 2018

“A floresta amazônica deverá ser o ciclópico divã psicanalítico da espécie humana, onde ela se deitará para repensar e analisar todos os conflitos de seu destino cósmico.”
– Evandro Carreira, em Amazônia Usina de Alimentos para o Terceiro Milênio

Hoje, dia 5 de setembro é celebrado o Dia da Amazônia. A necessidade de preservar esse ecossistema implica em definirmos uma nova civilização que entenda a complexidade que envolve a floresta, os rios, que comandam a vida na Amazônia – a nova civilização que propomos é o Ecossocialismo.

Nossa Amazônia é a maior reserva natural do planeta e, uma das maiores riquezas da humanidade. Nossa hileia possui o entorno de cinco milhões e meio de quilômetros de floresta e abrange nove países, ocupa 26% de área do território brasileiro que precisa ser protegida pelo seu povo, uma vez que o futuro da floresta está em constante perigo.

O Senador Evandro Carreira em seu Manifesto Ecológico afirma que:

“Somente o Índio por estar em sintonia cósmica, entendeu ciberneticamente a Amazônia. Ele a penetrou nu e na ponta do pé, assim como o passarinho constrói o ninho sem aprendizado e o peixe migra de um oceano para o outro, obediente à cibernética.”

O Dia da Amazônia é uma forma encontrada de chamar a atenção da população para a necessidade de preservar esse bioma, a data universal é o dia 5 de setembro quando se comemora a criação da Província do Amazonas por D. Pedro II em 1850. O objetivo principal é alertar a população a respeito da destruição da floresta sua fauna e flora, é também um dia para refletirmos sobre o futuro da nossa Região, como devemos conviver harmonicamente homem e a floresta, sem destruir essa importante fonte de biodiversidade.

O desmatamento há cada ano avança sobre a floresta Amazônica, o principal motivo é a plantações de soja e da pecuária, extração ilegal de madeiras nobres, a criação de grandes hidrelétricas e a exploração mineral por mineradoras, ou seja, quanto mais o capital avança com seus grandes projetos de exploração da riquezas naturais, maior vai sendo a devastação das florestas e o aumento da dificuldade dos povos tradicionais sobreviverem na Amazônia.

Para nós Ecossocialistas, a vida na Amazônia precisa ser entendida a partir das experiências dos nossos ancestrais, dos povos originários, que vivem há séculos preservando e protegendo o nosso território sem a necessidade depredar esse patrimônio natural e ecológico da humanidade.

A vida na floresta é comandada pelos rios, lagos, paranás e igarapés, a relação homem e natureza foi sempre uma relação de interdependência, onde o homem preserva para tirar o seu sustento. É conforme essa convivência, que precisamos organizar essa nova civilização, uma civilização que valorize o ser e não o ter (ser parte e não ter parte) onde o todo é mais importante que individualidade, a coletividade é mais importante que a cobiça, a ganancia e o egoísmo individualista.

A civilização ecossocialista valoriza o homem como preservador e parte do Bioma Amazônico, não como explorador das suas riquezas.

No dia da Amazônia, é importante denunciar a fúria do capital que avança diariamente sobre o nosso território, visando extrair do bioma apenas as riquezas em detrimento da vida dos povos que aqui habitam.

Amazônia para os seus povos!
Preservar é preciso.

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL.





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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

ECOSSOCIALISMO: Autogestão coletiva no campo

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ELSON DE MELO*
QUARTA, 29 DE AGOSTO DE 2018

Na Amazônia não existe nenhum diagnostico que aponte a prosperidade individual da maioria da sua população que moram nos rincões da Região.

A principal atividade que pode gerar prosperidade para essa população é a produção de alimentos, para que isso aconteça de forma ordenada, precisa de gestão coletiva, seja através de Cooperativas de Produção Rural, ou outros tipos de associações ou organizações coletivas que organize a produção e a comercialização dos produtos.

No interior da Amazônia as famílias se auxiliam mutuamente através do ‘puxirum’ uma pratica comum de trabalho coletivo, esse é o primeiro caminho para a organização de um projeto sustentável envolvendo grupos de famílias, é através do trabalho coletivo que podemos organizar a produção e a comercialização dos produtos sem a figura do atravessador.

Um grupo autogerido, é capaz de dividir tarefas de produção, logística e comercialização. Em uma cooperativa podemos chamar isso de organizar departamentos que cuidem da produção; buscando inovar em tecnologias que facilite uma boa colheita, diversificar produtos, agregar valor e organizar o trabalho coletivo, departamento de logística; para dar suporte tanto na produção como na comercialização, departamento comercial; para organizar as compras, formular preços, identificar mercados, fechar negócios e promover vendas.

Como temos afirmados em outros textos, “não existe na Amazônia, outra forma de trabalho que consiga promover a prosperidade que não seja a coletiva”.

Autogestão é a administração de um organismo pelos seus participantes, em regime de democracia direta. Em autogestão, não há a figura do patrão, mas todos os membros envolvidos no negócio participam das decisões administrativas em igualdade de condições.
  
“Autogestão é uma forma de organização e orientação do trabalho coletivo que surgiu historicamente decorrente da necessidade da classe trabalhadora superar as crises de desemprego oriunda das crises cíclicas do capitalismo, os princípios ideológicos são o socialismo libertário, cuja a definição de algumas características fundamentais da autogestão ajuda a entender melhor essa forma de produção em grupo:

1.     A livre associação;
2.     As lideranças emergentes, hierarquia situacional, democracia;
3.     Decisão preferencialmente por consenso;
4.     possibilidade de secessão.

Livre Associação

Livre associação acontece (falando em primeira pessoa) quando estou participando de um grupo no qual meu interesse sobre os resultados, consequências e influência do trabalho coletivo realizado coincide com meus objetivos pessoais, ou seja, é direto, é meu, é primário.

Um grupo ao qual estou unido porque quero e do qual posso sair quando bem entender.

O termo interesse direto serve para distingui-lo do interesse indireto ou secundário que se estabelece na relação de trabalho denominada emprego. “Emprego” é sinônimo de uso, utilização de um meio para algum fim: emprego de uma ferramenta, emprego de uma metáfora, emprego de uma tecnologia, emprego da força de trabalho de pessoas em empreendimentos cujo interesse pelos resultados, consequências e influência do trabalho coletivo realizado é de quem emprega. Esse interesse pode ou não ser também de quem é empregado, mas o interesse comum primário entre empregado e empregador se estabelece pela via monetária.

Em autogestão o interesse por ganhar dinheiro pode existir. Acontece que, quando existe, é secundário ao interesse pelo resultado ou influência do trabalho em si.

Para quem quer ganhar dinheiro em primeiro lugar, serve juntar-se a qualquer empresa que pague bem e melhor é o emprego que paga mais.

Para quem quer realizar uma obra coletiva por interesse pessoal em primeiro lugar, só serve aquela produção específica e é através dela que se vai ganhar dinheiro.

Consenso

Consenso significa discutir os pontos que necessitam de decisão coletiva até que todos concordem com a mesma ideia. Seja essa ideia uma mudança na forma de produção, a data de uma reunião, o custo de um produto, uma propaganda, a escolha de um representante do grupo ou qualquer outra decisão ou escolha coletiva.

Todos concordarem com a mesma ideia não significa que não há necessidade de algumas pessoas cederem para chegar a um acordo. Nesse contexto, no entanto, ceder significa abrir mão de opiniões iniciais sobre a questão, por transformação durante a discussão sobre as diversas diferentes ideias do grupo.

Consenso é diferente da chamada “votação democrática”.
O consenso leva a discussão das diferentes partes até o fim enquanto que a votação é um congelamento da discussão no tempo, o retrato do momento em que se vota.

Na votação, as pessoas defendem os diferentes pontos de vista sobre a questão, buscando convencer umas às outras durante algum tempo. Em determinado ponto cessam as discussões, encerram-se os debates, vota-se e descobre-se a vontade da maioria numérica e a minoria é obrigada a aceitá-la. Por isso a votação também pode ser entendida como uma ditadura da maioria.

No consenso as pessoas debatem a questão até que todas concordem com a mesma decisão. Quem cede, cede porque se transforma, porque entende a necessidade de haver um acordo para que o grupo realize coletivamente um trabalho que interessa também a pessoa que cede. A busca do consenso faz com que a minoria tenha tanta força quanto a maioria. Uma pessoa que não concorde com todo o grupo tem a oportunidade de virar um consenso a seu favor e essa decisão pode realmente ser a melhor para todo grupo.

O consenso pode exigir mais tempo e energia dedicados ao debate entre as diferentes partes do que a votação, mas o consenso gera uma ordem de nível superior que se estabelece sem imposição e com corresponsabilidade. Não uma ordem perpétua e definitiva, mas uma ordem mutante, situacional, racional e passional, que mantém sempre aberta a possibilidade de revisão do pré-estabelecido.

Falso consenso

Quando esse ato de ceder para que haja um consenso não é autêntico, não acontece por transformação, mas por autoimposição, quando há dificuldade ou preguiça de se exporem as divergências, ocorre o que chamamos em autogestão de “falso consenso”. Há um acordo onde externamente todos parecem concordar, mas a discussão deveria ter prosseguido porque internamente algumas pessoas ainda não concordam.

Em ambiente autogerido, todo falso consenso se revela com o tempo.

Um exemplo simples: uma pessoa pode ceder, em nome de um consenso, sobre o horário marcado coletivamente para uma próxima reunião de trabalho concordando em chegar mais cedo e, depois, nessa ocasião futura, chegar atrasado. Houve um falso consenso que se revelou e o resultado foi que a reunião começou efetivamente mais tarde. No momento da discussão talvez o consenso estivesse em todo grupo ceder àquela pessoa e chegar mais tarde, aproveitando o tempo para outras coisas. Esse acordo poderia ter surgido se a pessoa em questão tivesse deixado clara o quanto não estava disposto a chegar cedo. Ou ainda a revelação da inconformidade com chegar mais cedo poderia ter prolongado a discussão até que essa pessoa estivesse realmente convencida de que era preciso chegar mais cedo.

Todo falso consenso prejudica e boicota o trabalho coletivo.

Liderança emergente – hierarquia situacional

Isso significa dizer que não existe a figura do gerente, chefe, patrão, dono, professor, diretor, grande líder, etc.

Todos podem e precisam exercer esses papéis de liderança conforme a necessidade do grupo nas diferentes situações que vão surgindo no decorrer do trabalho coletivo.

A liderança surge da situação, é situacional, emergente, temporária. Quem tem maior experiência prática e/ou teórica sobre os assuntos que envolvem o trabalho coletivo fala, ensina, orienta, lidera.

Quem tem menos experiência e conhecimento, mas tem interesse em que o trabalho se realize da melhor forma possível, obedece, segue, escuta. Isso significa que existe hierarquia na autogestão.

A hierarquização é natural no processo de trabalho coletivo. Não fere os princípios da Autogestão quando pessoas do grupo seguem comandos dados por quem tem mais autoridade construindo uma estrutura hierárquica situacional.

O problema está em cristalizar essa situação, congelar os papéis daquele que comanda e daqueles que obedecem. A melhor solução para um momento não é a melhor solução para todos os momentos. Autogestão significa um grupo permanecer aberto para alterar sua estrutura hierárquica a qualquer momento.

Quem comanda deve estar aberto para dividir ou abrir mão desse papel assim que surge uma nova liderança no grupo. Quem obedece deve estar aberto ao salto para liderança. Para isso é importante perceber que aquele que obedece não tem menor responsabilidade pelo trabalho do que aquele que comanda.

Em Autogestão, se o resultado do trabalho é bom ou ruim a responsabilidade é de todos. Os méritos ou deméritos são para todos. Esse entendimento nos impulsiona a assumir responsabilidade de liderar uma situação quando percebemos que, por nossa experiência ou conhecimento no assunto, o grupo necessita de nossa orientação, de nossa opinião, da ideia que surgiu em nossa mente que pode melhorar a rotina de trabalho, etc.

Possibilidade de Secessão

Secessão significa a possibilidade de qualquer um propor a saída de qualquer outro do grupo. Reunir o grupo e colocar esse assunto como pauta de discussão. Expor os motivos pelos quais entende que deve haver uma secessão.

Visto que as decisões em autogestão são consensuais, para ocorrer a secessão de alguém é preciso, primeiro, que a pessoa que a propôs exponha abertamente seus motivos e convença todo grupo que também será melhor para todos que aquela(s) pessoa(s) não faça(m) mais parte daquele grupo de trabalho e, segundo, que a(s) própria(s) pessoa(s) secessionada(s) concorde(m) com sua saída do grupo.

Perceba que assim como não há "emprego" em Autogestão, também não há "demissão".

A livre secessão é a outra face da moeda da livre associação. Ambas ajudam a fazer a constante renovação e afirmação dos interesses pessoais com o trabalho coletivo.”
(...)site: abcpsigma

Esses princípios básicos da organização coletiva, são essenciais para o sucesso da Autogestão, portanto, todo grupo autogerido, deve se preocupar sempre com a educação formal de seus membros, com a formação politica pra que todos seja capazes de entender cada processo dentro da gestão, como afirmamos acima, mesmo que cada pessoa exerça uma função especifica na Autogestão, todos são importante na engrenagem do negocio, caso um não cumpra corretamente a sua função, coloca em risco toda organização e o resultado final do negocio, ou seja, se o responsável, da logística não manter abastecido as frentes de trabalho, todo o processo fica parado e o prejuízo é eminente, portanto, é importante que cada pessoa agarre a sua tarefa com entusiasmo e dedicação.

Na Autogestão, se não houver organização, não existe produção coletiva e nem resultado final positivo.

*Elson de Melo, é sindicalista e militante do PSOL.


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