domingo, 30 de outubro de 2011

Declaração do Encontro "Mujeres sujetas políticas - fortaleciéndose para la transformación"

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Publicada em: 28.10.2011
Fonte: MMM


DECLARAÇÃO

Nós, da Marcha Mundial das Mulheres do Paraguai, Argentina, Chile e Brasil, reunidas em Assunção, Paraguai, nos dias 25, 26 e 27 de outubro, no Encontro Internacional “Mujeres Sujetas Políticas: fortaleciendo para la transformación” CONDENAMOS a declaração de Estado de exceção na zona norte do Paraguai bem como demais medidas de criminalização das lutas sociais em nossa região.

A região está vivendo a expansão de um modelo de segurança baseado na militarização total dos espaços de convivência. Esta militarização se baseia na instalação de bases militares por todo o continente, no aumento dos orçamentos para as forças militares, na compra de armamentos e equipamentos de guerra, na aprovação de leis repressivas. Tudo isto combinado com a aplicação de programas de tipo “social” que aproveitam a ausência de políticas sociais estáveis para legitimar a presença e a atuação das milícias. Ao mesmo tempo este tipo “ajudas sociais” foram utilizadas para desmobilizar os setores populares com ameaças de que estes vão parar de receber tais programas se ecoarem suas vozes de protesto.

Na América Latina este modelo de militarização se fortalece com a aplicação do Plano Colômbia e está diretamente unido ao funcionamento do modelo de desenvolvimento econômico vigente de tipo extrativista, no qual nossos bens naturais (como a água, as terras, os minérios, o petróleo e tudo o que gera lucro) são saqueados para a instalação de multinacionais que se aproveitam destes bens, ocasionando grandes prejuízos sociais e ambientais.

Em nossos países a militarização se evidencia não só com o aumento de tropas, mas com a criminalização das lutas populares e das organizações sociais que se organizam para defender seus direitos. Também busca gerar uma cultura do medo e de desconfiança com relação ao outro e a outra em nossos relacionamentos cotidianos.

Nós, mulheres, conhecemos a violência sexista utilizada como arma de guerra, para desestabilizar nossas comunidades, para colonizar nossos corpos ao mesmo tempo que nossos territórios. RESISTIMOS à instrumentalização de nosso trabalho e de nossas vidas para instalar a militarização em nossos povos.

RECUSAMOS o falso discurso de que precisamos ser protegidas por homens com armas, enquanto, na realidade, seguem a violência domestica, a impunidade, o desaparecimento de meninas para o tráfico e a prostituição, os feminicidios, ainda mais frequentes nas zonas militarizadas.

Nos PREOCUPA a situação atual em Conceição e San Pedro, onde a violência intimidatoria e a desinformação produzidas pelos meios de comunicação empresariais estão provocando a expulsão de várias famílias, seu isolamento e aumento de temor. Esta situação é vivida também nas demais regiões com a estigmatização das organizações sociais, sobretudo camponesas e indígenas, com objetivo de calar as vozes e o pensamento autônomo dos e das que defendemos a soberania dos povos.

Nos SOLIDARIZAMOS com nossas colegas que vivem e lutam nestas regiões e amplificaremos sua voz para todo o mundo.

DENUNCIAMOS a ação da polícia chilena, com a conivencia do governo nacional, na repressão às mobilizações estudantis; e em especial a repressão às mulheres jovens com agressões e maltratos quando são agarradas pelos cabelos ou quando as jovens de 14 a 16 anos são obrigadas a se despir na delegacia, como se este fosse um procedimento “normal”. Em todos nossos países vivemos a criminalização da pobreza e das mulheres, como é o caso da ofensiva contra as mulheres que recorrem ao aborto enquanto não há políticas que enfrentam os altos índices de mortalidade materna.

Também VIVEMOS a repressão contra as lutadoras, o assassinato de camponesas e camponeses e indígenas que resistem às políticas de saque do capitalismo extrativista e das empresas mineiradoras, à contaminação do ambiente e os danos à saúde das pessoas pela expansão de monocultivos como a soja transgênica, o gado e a cana de açúcar para a produção de agrocombustíveis.

Nos COMPROMETEMOS a organizar ações coordenadas de denúncias e afirmação de alternativas, como a gerar e difundir informações do que passa em nossa região, para que as vozes das mulheres que resistem cotidianamente ao ataque a seus direitos sejam ouvidas e que a solidariedade entre mulheres de todo mundo se faça sentir. Reivindicamos o direito a viver uma vida livre de violência e a promover uma cultura de paz, onde a boa convivência entre as pessoas seja um dos principais valores de nossas sociedades.

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!!!

Marcha Mundial das Mulheres

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