sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A ÚNICA VIA

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A Democracia ainda é uma estrada mal pavimentada e cheia de curvas sinuosas, mas é a única via que leva ao Socialismo com Liberdade
Por Fernando Lobato - Quando exalto a democracia e critico o endeusamento que os comunistas fazem do estado, sou taxado de burguês e, quando critico o frouxismo ideológico da social-democracia e a sua complacência com as forças do mercado, me chamam de comunista, retrógrado e outras coisas mais. Como sempre, o meu ponto de discórdia e distanciamento em relação a comunistas e social-democratas passa por uma avaliação diferenciada da idéia de DEMOCRACIA, pois penso que, fora dela, não há nenhum atalho, caminho ou via de passagem que leve ao socialismo. Penso que não há nenhuma fórmula ou método de construção de uma sociedade verdadeiramente livre, justa e fraterna que não passe pela via do aprofundamento e aperfeiçoamento do chamado Estado Democrático de Direito, ou seja, na superação do seu caráter liberal burguês.

É certo que os comunistas adoram ostentar compromisso com a democracia, pois China e Coréia do Norte utilizam o termo "REPÚBLICA POPULAR ou DEMOCRÁTICA" como forma de identidade estatal. Trata-se, porém, de uma ostentação sem conexão com a realidade, visto que a tal "DITADURA DO PROLETARIADO" desses países não passa de uma camisa de força institucional que a sociedade inteira é obrigada a vestir. Nelas, não há uma sociedade civil dirigindo o estado, mas sociedades integralmente sequestradas e amordaçadas por ele. É o cúmulo do absurdo, nesses casos, se falar de uma democracia funcionando dentro de tais armaduras. É certo dizer, porém, que, apesar da imagem de "campo de concentração" ampliado que emitem, imagem que a mídia capitalista carrega de verniz negativo, é bem provável que, principalmente no caso chinês, exista nelas mais liberdade e qualidade de vida que no autodenominado "mundo livre".

É nesse aspecto que reside a falácia, autoengano ou má-fé dos social-democratas, hoje representados, no Brasil, pelo PT e pelo PSDB. Na crença social-democrata, a mais ingênua e mentirosa de todas, é plenamente possível a convivência pacífica e harmônica dos interesses da sociedade civil com os do grande capital privado. É plenamente possível, segundo eles, que mega banqueiros e empresários, quando ocupando cargos relevantes na esfera pública, não se deixem influenciar por seus interesses na esfera privada. Crêem que eles podem ser uma espécie de monge tibetano ocidental, integralmente vestidos com a roupa da ética e da moralidade, e, por isso, plenamente capazes de distinguir e separar os seus papeís na esfera pública e privada. Como comprovação do que digo, criaram o instituto da QUARENTENA, ou seja, de um tempo necessário, depois da saída de um alto cargo público, para a ocupação de um cargo parecido na esfera privada.

Os comunistas erram ou são ingênuos ao achar que o único remédio contra a desigualdade econômica é uma dose cavalar de desigualdade política que se crê bem intencionada, enquanto os social-democratas, por terem perdido a fé na possibilidade de um mundo justo e igualitário, erram ou são ingênuos ao achar que essa desigualdade pode ser reduzida dentro das regras do "livre mercado" e que, apesar dos pesares, a lógica de acumulação capitalista não é completamente má. No comunismo, a planta democracia morre asfixiada na redoma estatal criada para "protegê-la" enquanto, na social-democracia, morre por desnutrição, ou seja, por não dispor de um solo irrigado e com nutrientes suficientes, pois o divide com a planta nociva do neoliberalismo. A Democracia é a única via que leva ao socialismo, mas, por ser estrada em construção, precisa continuar sendo aberta e pavimentada, pois é obra em estágio inicial e, em face disso, com forças poderosas querendo interditá-la. A causa socialista dos dias atuais passa unicamente por essa via


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