segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O exercício da cidadania

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O agradável dia de domingo despertou em mim o desejo de sair de bicicleta e pedalar. Aproveitei a ocasião das eleições para isso: equipei-me com título de eleitor e carteira de identidade, subi na bicicleta e fui exercer minha cidadania… “Exercer a cidadania”:  já percebeu como essa expressão é utilizada quando devemos eleger representantes da população? Não que ela seja utilizada apenas neste dia, mas alargadamente utilizada em época de eleições. É o período em que mais ouvimos e lemos a palavra cidadania. Até faz parecer que esse seja o único jeito de exercer a cidadania. A expressão também soa como um benefício, como um belo de um incentivo. Soa apenas como direito, não como direito e dever. “Não vai votar? Vai deixar de exercer sua cidadania? Não vale a pena, hein”.
Foi pensando sobre o exercício da cidadania que fui exercê-lo praticando exercícios físicos. Contudo, ao sair pelas ruas de meu município – a saber, o município de Sapucaia do Sul, localizado na região metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul – percebi que algo muito estranho estava acontecendo com a cidadania. Estranhei porque encontrei a cidade da seguinte maneira:
Ao contrário de como pareceu no início deste texto, não fui ingênuo de acreditar que eu não encontraria a paisagem urbana com esta aparência vista nas fotos. Aliás, foi por desconfiar da possibilidade de encontrá-la assim que decidi levar a câmera fotográfica junto de meu título de eleitor. Não sou ingênuo também de pensar que isso é um problema encontrado apenas em meu município. Falando em meu município, no momento em que estou escrevendo este texto, já está noite e chove lá fora. Você pode imaginar o que vai acontecer com esses panfletos molhados e bloqueando a passagem da água nas entradas dos boeiros? Pois bem, eu já conseguia imaginar o que pode acontecer quando nem havia concluído o Ensino Fundamental, no início da década passada. De lá para cá, quantas eleições já aconteceram? Quantas vezes presenciamos estas cenas em nossas cidades? Por que nunca foi diferente disso? Foram perguntas que eu me fazia enquanto pedalava e presenciava essas cenas.
“Calma, Pedro, passam-se as eleições e está tudo resolvido, as ruas voltam a ser limpas por garis e também voltam a ser sujas com outras coisas diariamente; a população faz isso”. Certo, concordo. Neste ponto, não há porque fazer tanto alarde. Contudo, quero chamar atenção para algo em especial nesse tipo de poluição. Há mais que poluição ambiental nestas fotos. Esses panfletos, “santinhos” (só se for do pau oco, né?) espalhados desta forma pela cidade apontam para outros significados que não apenas o da poluição. Eles representam o tipo de gestão municipal que temos, o tipo de governo sob o qual estamos submetidos; eles representam a preocupação que os governantes têm com a Educação neste país e, sobretudo, com o ambiente urbano e não-urbano. Eles representam a maneira como a cidadania é exercida aqui ou em qualquer outro lugar do país.
Eu não tenho como ser mais clichê – assim como os resultados de cada eleição, para além de noções partidárias – na forma como terminarei esta publicação. Encerro aqui com uma pergunta da famosa música do grupo Legião Urbana e que não precisa ser respondida: que país é esse?

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